setembro 20, 2017

[RESENHA] A FANTÁSTICA JORNADA DO ESCRITOR NO BRASIL, DE KÁTIA REGINA SOUZA

Sinopse: “A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil é resultado de entrevistas com 52 escritores de literatura fantástica brasileiros dispostos a compartilhar conselhos, dicas, dores e conquistas. Mais do que isso, Kátia Regina Souza, jornalista e escritora, soube reunir as entrevistas em um texto leve, divertido e prático.

Embora foque na literatura fantástica, aborda de forma franca e clara questões palpitantes do mercado editorial como um todo, como a dificuldade de encontrar uma editora, a publicação independente, as armadilhas a que o autor iniciante está sujeito, as desilusões e as pequenas conquistas, tornando-se um livro fundamental para quem deseja ser escritor ou está começando na carreira.” 

 

A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil é um livro-reportagem de Kátia Regina Souza, publicado neste ano pela editora Metamorfose. Nele, encontramos um rico panorama sobre a atividade (remunerada ou não) de escritor no Brasil, sobretudo do gênero fantasia.

Conheci a autora, e este seu mais recente lançamento, pelo facebook da também escritora Jana Bianchi, que assina o prefácio do livro. De cara fiquei interessada, apesar de no momento ter pensado que o livro seria mais um manual sobre como ser um escritor de sucesso. Descobri com a leitura que eu estava bastante enganada sobre a publicação e A Jornada tornou-se, para mim e, acredito que se tornará para todos aqueles que o lerem, um livro de referência sobre a realidade nem sempre glamourosa do escritor no Brasil.

Como eu disse anteriormente, esse livro não é um manual. Ao contrário de outras obras do tipo, a Kátia e seus entrevistados não falam em momento algum que você vai publicar uma história qualquer hoje e daqui a um ano já estará milionário e vivendo só com os direitos autorais. Não há empreendedorismo gourmet na jornada do escritor. Há muito amor, dedicação, vontade de contar boas histórias, assim como também há muita frustração, investimentos financeiros sem retorno e gente disposta a lucrar aproveitando-se do sonho alheio.

A Jornada é um livro incrível porque é atual e realista. A autora conseguiu reunir muitas histórias em uma quantidade até pequena de páginas, tendo em vista que foram 52 entrevistados. Além disso, as entrevistas são todas bem amarradas, divididas em dez capítulos temáticos que abordam desde a escrita em si aos desafios da publicação por editora (tradicional ou paga) ou independente.

O livro é de leitura fácil e prazerosa, dá para ler quase em uma única sentada. Os assuntos são interessantes e os entrevistados não ficam atrás: a autora buscou depoimentos de quem fez e ainda faz, de quem edita e também trabalha em várias etapas do refinamento de um texto.

Agradeço, como blogueira, a oportunidade de ler esse livro já em seu lançamento, presente da autora. E como pretensa contadora de histórias, agradeço pela publicação, por suas dicas preciosas e por me mostrar que eu não estou mesmo sozinha nessa jornada.

 

Obs.: A insegurança que o escritor tem em seu ofício é tão grande que eu, ao me inscrever para parceria com a autora, já “entrei derrotada”, achando que não era boa o suficiente ou grande o suficiente. E “A Jornada” fala exatamente disso. E muito mais.

 

Autores, editores e pesquisadores entrevistados:

Ana Cristina Rodrigues • Ana Lúcia Merege • André C. S. Santos • André Vianco • Anna Fagundes Martino • Artur Vecchi • Bárbara Morais • Becca Mackenzie • Camila Fernandes • Camila Guerra • Carlos Orsi • Heidi Gisele (Celly) Borges • Cesar Silva • Christopher Kastensmidt • Cirilo Lemos • Clara Madrigano • Claudia Dugim • Clinton Davisson • Cristina Lasaitis • Duda Falcão • Eduardo Kasse • Eduardo Spohr • Eric M. Souza • Eric Novello • Erick Sama • Fábio M. Barreto • Felipe Castilho • FML Pepper • Gianpaolo Celli • Giulia Moon • Helena Gomes • Jana P. Bianchi • Jim Anotsu • Ju Lund • Karen Alvares • Lauro Kociuba • Marcella Rossetti • Marcelo Amado • Marcus Barcelos • Martha Argel • Nikelen Witter • Peterson Rodrigues • R. F. Lucchetti • Regina Drummond • Richard Diegues • Roberta Spindler • Roberto de Sousa Causo • Rodrigo van Kampen • Rosana Rios • Simone O. Marques • Simone Saueressig • Thais Lopes

 

SOBRE A AUTORA: Kátia Regina Souza é jornalista, revisora, tradutora e, há alguns anos, tenta ser escritora também. Gosta de contar boas histórias, sejam elas ficcionais ou não. Portanto, escreve livros-reportagem para adultos e literatura fantástica para crianças. A fantástica Jornada do Escritor no Brasil foi motivado por uma vontade específica: “mostrar para você, escritor iniciante ou inexperiente, que outra pessoa no mundo sofre com os mesmos dilemas egocêntricos provenientes da tentativa de colocar palavras em uma folha em branco”. Mais informações sobre a autora podem ser encontradas em seu site, katiareginasouza.com.

 

 

Título: A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil
Autora: Kátia Regina Souza
Editora: Metamorfose
Páginas: 178

 

Compre o livro no site da autora, no site da Editora Metamorfose, ou na Amazon.

maio 13, 2017

[RESENHA] VIVA A LÍNGUA BRASILEIRA, DE SÉRGIO RODRIGUES

Sinopse: “Este livro é uma declaração de amor à língua portuguesa falada no Brasil. Em forma de verbetes rápidos e instrutivos, dá dicas e tira dúvidas que você sempre teve sobre o uso do idioma. Contra aqueles que defendem que só os irmãos de Portugal sabem tratar a gramática como ela merece, aqui está um antídoto. Contra aqueles que adoram corrigir o que nunca esteve errado e defendem bobagens, aqui está a resposta perfeita. Contra o analfabetismo funcional, o pedantismo do juridiquês, a barbaridade do corporativês, a importação servil de estrangeirismos e o chiclete viciante do clichê, este é um manual perfeito para usar nossa língua em toda sua riqueza e sem nenhum preconceito.”

 

Esta é mais uma recomendação urgente de leitura que uma resenha. Digo isso logo de cara e abaixo reproduzirei os meus trechos favoritos dos favoritos. Sim, pois foi extremamente difícil escolher o que esse livro tem de melhor, visto que todo ele é incrível.

Em Viva a Língua Brasileira, Sérgio Rodrigues, que eu descobri com muita alegria ser natural da cidade de Muriaé-MG, onde passo minhas laboriosas oito horas diárias de trabalho no Conselho Regional de Odontologia, fez algo incrível: expôs as dúvidas mais frequentes da nossa língua, sem a arrogância e o pedantismo que muitas publicações do gênero (infelizmente) reproduzem. Confesso que, em muitas páginas, eu fechava o livro e suspirava um agradecimento ao autor, pois além de expor tais dúvidas, o fez em uma publicação de leitura leve e rápida, apesar das 384 páginas. Tudo isso com ilustrações lindíssimas de Francisco Horta Maranhão.

O livro possui treze categorias temáticas, nas quais são discutidos temas como dúvidas de escrita, de fala, os modismos, origens de expressões antigas (nem sempre verdadeiras), dentre outras coisas. O grande acerto desta publicação é que ela agradará a gregos e troianos, pois o autor posicionou-se neutro no embate entre os patrulheiros, que acham que tudo é erro, e os excessivamente liberais, que consideram tudo como correto.

 

“Sem caretice e sem vale-tudo, este livro entende os argumentos dos dois lados, mas reserva-se o direito de não morrer abraçado com nenhum deles. Aposta que é possível cultivar a variedade culta da língua e ao mesmo tempo compreender que regras são historicamente determinadas, que nenhuma delas caiu do céu, e que no fim das contas o idioma é sempre atualizado por quem o fala. A mesma aposta inclui o reconhecimento da grande beleza que existe nisso.” (p. 15)

 

“Estória ou História?

As duas palavras existem, mas são diferentes. Segundo o dicionário Houaiss, estória é um brasileirismo que significa apenas ‘narrativa de cunho popular e tradicional’, enquanto história pode querer dizer também isso – entre muitas outras coisas.

(…)

Nessa eu fico com o Aurélio, que não reconhece a palavra, e com os portugueses, que não a usam: para mim – e para a maioria dos escritores que conheço – é tudo história. É que a fronteira entre história real (história) e história fictícia (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos.

(…)”  (p. 37 e 38)

 

“Homossexualismo ou Homossexualidade?

A questão é uma daquelas em que a língua vira um campo de batalha. O combate pode envolver diversos tipos de argumento – linguísticos, históricos, etimológicos, científicos –, mas eles não passam de armas. O que está em jogo mesmo é uma questão política.

O movimento gay transformou em bandeira a condenação de homossexualismo, que em sua origem designava uma patologia, e sua substituição por homossexualidade.

Linguisticamente, a questão não é tão simples. O termo homossexualismo foi cunhado no ambiente infestado de ideias pseudocientíficas de fins de século XIX e vinha impregnado de conotações médicas. (Incrivelmente, só em 1990 a Organização Mundial de Saúde o excluiu de sua lista de distúrbios mentais.)

Ocorre que a palavra não ficou presa a essa primeira acepção. Além de ‘condição patológica’, usamos o sufixo de origem grega –ismo para indicar, entre outras coisas, ‘prática’, ‘peculiaridade’ e ‘qualidade característica’ (Aurélio).

(…)

Para mim, homossexualidade

Eu fiz minha opção: embora tenha dúvidas sobre a estratégia de criminalizar em nome da etimologia um vocábulo que a maioria da população emprega de forma inocente, adotei o termo homossexualidade. Não me custa muito mexer no vocabulário. Bem menos, sem dúvida, do que custa aos homossexuais conviver com uma palavra considerada insultuosa.

(…) (p. 45 e 46)

 

“Latente não quer dizer evidente

O emprego do adjetivo latente com o sentido de ‘evidente, claro, indiscutível’ é um erro tornado mais embaraçoso pelo fato de que a palavra significa… o contrário disso”

Quando afirmamos que alguma coisa está latente, queremos dizer que ela ainda não se manifestou: permanece oculta, adormecida, em estado potencial. Pode vir à tona a qualquer momento, mas ainda não veio. Trata-se de um termo ligado ao verbo latino latere, ‘estar escondido’.

É provável que o erro se deva a uma confusão entre latente e patente – este, sim, um adjetivo que significa ‘claro, evidente, manifesto’. (p. 165 e 166)

 

Destaque para o capítulo 7, intitulado A Guerra dos Sexos, que expõe a questão da briga político-ideológica entre os gêneros na língua. Não tendo nós, falantes de português, herdado do latim o gênero neutro, surgiu, sobretudo na internet, quem fale “amigue, amigues, amig@s ou mesmo amigx”. Não sou adepta dessa prática e acho que quem a emprega sistematicamente não percebe o quanto essa escrita dificulta a leitura para deficientes visuais e disléxicos. O problema é que o hábito tem saído da internet e chegado ao ambiente acadêmico, como proposta de intervenção gramatical, nas palavras de Sérgio Rodrigues. Neste capítulo, ainda, vemos a questão do Obrigado, Obrigada; Personagem; Poeta ou Poetisa; e, talvez um dos mais polêmicos assuntos em questão de gênero: Presidente ou Presidenta?

Em Viva a Língua Brasileira, vemos, ainda, a origem do termo sebo, para designar loja de livros usados, e das expressões outros quinhentos e para inglês ver. E, antes que eu me esqueça, “Aluno” não quer dizer “sem luz”. Este é um livro que não se esgota em uma única leitura. Viva a Língua Brasileira é uma rica fonte de informação, um livro para ser consultado eventualmente. Um deleite para os amantes da nossa língua.

 

“Como se escreve: Antártida ou Antártica? Expresso ou Espresso? E qual a pronúncia correta: Rorãima ou Roráima? Subssídio ou Subzídio? Está certo escrever ‘em anexo’? Está errado falar em ‘risco de vida’? De onde veio a expressão ‘chorar pitanga’? E ‘acabar em pizza’? Este livro não apenas resolve essas dúvidas de forma instrutiva e bem-humorada, aqui você ainda encontra antídoto contra os sabichões sempre dispostos a corrigir o que não precisa ser corrigido, aprende a se vacinar contra modismos bobos, aceita que a influência estrangeira é inevitável, desde que não descambe para o ridículo, foge de armadilhas populares (forró não tem nada a ver com ‘for all’!) e ganha um mapa privilegiado para navegar com segurança e estilo em nosso idioma vivo, complexo e fascinante.” (contracapa)

 

 

SOBRE O AUTOR: Sérgio Rodrigues é escritor, crítico literário e jornalista. Mineiro que adotou o Rio de Janeiro, é autor, entre outros, do romance O drible, vencedor do prêmio Portugal Telecom (atual Oceanos) e publicado em seis países. Desde 2001 mantém na imprensa colunas sobre o universo linguístico, etimológico e gramatical com grande audiência, do extinto Jornal do Brasil ao site da revista Veja. Em 2011, ganhou o prêmio Cultura do governo do estado do Rio de Janeiro pelo conjunto de sua obra.

 

 

Título: Viva a Língua Brasileira
Autor: Sérgio Rodrigues
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 384

 

Compre na Amazon: Viva a Língua Brasileira.

 

abril 24, 2017

[ETC.] CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE CONTOS: ANDROSS EDITORA

 

Se você tem um conto bacana, mas está escondendo-o no fundo da gaveta, com medo ou sem saber como publicar, a Andross Editora ainda está com edital aberto para publicação em suas antologias até o dia 30/04/2017  31/05/2017 (prorrogado)! No site da editora você encontra maiores informações e os temas das antologias. Os autores selecionados concorrerão a um prêmio literário, o Strix! Na imagem abaixo vocês podem conferir as capas dos livros, que serão publicados no segundo semestre deste ano, e logo abaixo transcrevi do site da editora uma espécie de passo a passo da publicação, para os escritores que nunca publicaram com a Andross ou qualquer outra casa editorial, saberem como funciona o processo desde a seleção do conto até a confecção do livro.

 

 

Como Publicar

Abaixo você encontrará todas as etapas pelas quais seu texto passará até que seja publicado. 

  • Na página principal do site, você escolhe pelo tema e pela capa a coletânea da qual gostaria de participar.
  • Clique no botão “+ detalhes” para ler a sinopse e o regulamento.
  • Então você preenche os dados solicitados e anexa o seu texto em formato “.doc”.
  • Ele será enviado imediatamente para o organizador avaliar se a temática da obra se adequa à coletânea, se a estrutura da trama está bem desenvolvida, se possui personagens convincentes…
  • O organizador entra em contato com você por e­mail e, se precisar, sugere melhorias.
  • Você e o organizador trocam e­mails ajustando o texto até que ambos estejam satisfeitos com o resultado.
  • Nesse momento, a editora redige um contrato de edição e você o assina.
  • O texto, então, é remetido para o preparador de originais, que propõe melhorias como clareza, paragrafação mais limpa, eliminação de palavras repetidas em um período curto…
  • Você e o preparador de originais trocam e­mails ajustando o texto até que ambos estejam satisfeitos com o resultado.
  • O texto vai para a diagramação, que é o formato digital do livro.
  • A diagramação em pdf vai para todos os autores do livro, que leem seu próprio texto e, muitas vezes, do colega também e avisa a editora sobre possíveis erros que passaram pelos processos anteriores. O diagramador corrige os apontamentos e envia novamente o arquivo em pdf até que não haja mais erros.
  • Por último, o arquivo passa por um revisor antes de ir para a gráfica.

Esse processo minucioso que envolve vários profissionais e os próprios autores garante um resultado primoroso, sem erros. Confira o DEPOIMENTO de vários autores que já publicaram conosco.

 

Sobre a Andross Editora:

Em agosto de 2004, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado editorial aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, mas cresceu e se mantém no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias.

 

Eu enviei dois contos, uma para a antologia Sem mais, o amor e outro para a Miríade. Estou na torcida!

 

[ATUALIZAÇÃO 02/05/2017] O prazo para o envio dos contos foi prorrogado até 31/05/2017. Saiba mais aqui.

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