novembro 30, 2017

[ETC.] 3º Corujandross — Produção noturna intensiva de escrita da Andross Editora

 

Nos dias 02 e 03 de dezembro de 2017, acontecerá a terceira edição do Corujandross — Produção noturna intensiva de escrita da Andross Editora. O intuito é mobilizar escritores a escrever intensamente contos, crônicas e poemas em 8 horas seguidas de produção, com algumas pausas.

Cada autor estará em sua casa, em seu confortável ambiente de escrita, sabendo que outro autor estará em outro local, produzindo também. É essa a experiência que a Andross Editora quer proporcionar aos participantes.

Todos os que participarem poderão interagir nos intervalos pelo grupo do Whatsapp do programa, seja trocando experiências, tirando dúvidas ou mesmo só descontraindo.

Para estimular a adesão, autores que participarem do projeto, remeterem seu texto pronto para avaliação no prazo estipulado e publicarem pela Andross ganharão inteiramente grátis um exemplar de uma das coletâneas já lançadas pela editora. Logicamente esse livro é apenas um incentivo. O maior prêmio é mesmo a experiência de produzir um texto intensamente ao mesmo tempo que outro colega também produz.

 

Então, resumindo:

Para participar da maratona (Gratuito):

• Não é preciso se comprometer com horário e/ou escrita do texto.

 

Para receber o certificado (Gratuito):

• participar do 3º Corujandross, cumprindo as 8 horas (das 22 às 6h)
• enviar o texto produzido ao fim do processo (6h15 da manhã do dia 03 de dezembro de 2017)

 

Só para ganhar o livro bônus:

• participar do 3º Corujandross, independentemente do cumprimento total das horas
• revisar e enviar o texto produzido até o dia 13 de dezembro de 2017
• publicar em uma das coletâneas literárias da Andross (consulte regulamento na hora do envio)

 

Para ganhar o livro bônus e o certificado:
• participar do 3º Corujandross, cumprindo as 8 horas (das 22 às 6h)
• enviar o texto produzido ao fim do processo  para confirmação de produção (6h15 da manhã do dia 03 de dezembro de 2017)
• revisar e enviar o texto até o dia 13 de dezembro de 2017
• publicar em uma das coletâneas literárias da Andross (consulte regulamento na hora do envio)

 

Programação

02/12/2017, das 22h00 às 22h59 (CONCENTRAÇÃO INICIAL) Nesse ínterim, os participantes podem tirar dúvidas com os organizadores dos livros da editora pelo grupo do Whatsapp. Também podem fazer as últimas pesquisas para poderem focar somente na escrita do texto nos momentos de produção.

02/12/2017, das 23h às 23h59 (PRODUÇÃO INTENSA) Nesse momento, começa mesmo a escrita dos textos.

03/12/2017, das 0h00 às 0h29 (INTERAÇÃO E DESCANSO) Os participantes poderão parar para comer, ir ao banheiro, interagir no grupo do Whatsapp…

03/12/2017, das 0h30 às 1h29 (PRODUÇÃO INTENSA) Volta a escrita dos textos.

03/12/2017, das 1h30 às 1h59 (INTERAÇÃO E DESCANSO) Os participantes poderão parar para comer, ir ao banheiro, interagir no grupo do Whatsapp…

03/12/2017, das 3h00 às 3h29 (INTERAÇÃO E DESCANSO) Os participantes poderão parar para comer, ir ao banheiro, interagir no grupo do Whatsapp…

03/12/2017, das 3h30 às 4h29 (PRODUÇÃO INTENSA) Volta a escrita dos textos.

03/12/2017, das 4h30 às 4h59 (INTERAÇÃO E DESCANSO) Os participantes poderão parar para comer, ir ao banheiro, interagir no grupo do Whatsapp…

03/12/2017, das 5h00 às 5h59 (PRODUÇÃO INTENSA) Volta a escrita dos textos.

03/12/2017, das 6h00 (FINALIZAÇÃO) Acaba a produção em conjunto. Pode haver ou não interação pelo Whatsapp, mas os participantes já estão liberados.

Para ganhar o livro, o autor terá de enviar seu texto produzido até dez dias após o término do Corujandross: 13 de dezembro de 2017.

Abaixo, postamos uma série de perguntas frequentes com o intuito de sanar dúvidas prévias. Se mesmo assim as dúvidas persistirem perguntas poderão ser feitas no grupo do Whatsapp.

(Fonte: Andross Editora)

 

Eu já fiz a minha inscrição, vou aproveitar a maratona para finalizar o conto O natal em que tudo mudou, que pretendo divulgar aqui no blog e no Wattpad/Luvbook no final do mês que vem. Faça a sua inscrição clicando aqui.

 

setembro 20, 2017

[RESENHA] A FANTÁSTICA JORNADA DO ESCRITOR NO BRASIL, DE KÁTIA REGINA SOUZA

Sinopse: “A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil é resultado de entrevistas com 52 escritores de literatura fantástica brasileiros dispostos a compartilhar conselhos, dicas, dores e conquistas. Mais do que isso, Kátia Regina Souza, jornalista e escritora, soube reunir as entrevistas em um texto leve, divertido e prático.

Embora foque na literatura fantástica, aborda de forma franca e clara questões palpitantes do mercado editorial como um todo, como a dificuldade de encontrar uma editora, a publicação independente, as armadilhas a que o autor iniciante está sujeito, as desilusões e as pequenas conquistas, tornando-se um livro fundamental para quem deseja ser escritor ou está começando na carreira.” 

 

A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil é um livro-reportagem de Kátia Regina Souza, publicado neste ano pela editora Metamorfose. Nele, encontramos um rico panorama sobre a atividade (remunerada ou não) de escritor no Brasil, sobretudo do gênero fantasia.

Conheci a autora, e este seu mais recente lançamento, pelo facebook da também escritora Jana Bianchi, que assina o prefácio do livro. De cara fiquei interessada, apesar de no momento ter pensado que o livro seria mais um manual sobre como ser um escritor de sucesso. Descobri com a leitura que eu estava bastante enganada sobre a publicação e A Jornada tornou-se, para mim e, acredito que se tornará para todos aqueles que o lerem, um livro de referência sobre a realidade nem sempre glamourosa do escritor no Brasil.

Como eu disse anteriormente, esse livro não é um manual. Ao contrário de outras obras do tipo, a Kátia e seus entrevistados não falam em momento algum que você vai publicar uma história qualquer hoje e daqui a um ano já estará milionário e vivendo só com os direitos autorais. Não há empreendedorismo gourmet na jornada do escritor. Há muito amor, dedicação, vontade de contar boas histórias, assim como também há muita frustração, investimentos financeiros sem retorno e gente disposta a lucrar aproveitando-se do sonho alheio.

A Jornada é um livro incrível porque é atual e realista. A autora conseguiu reunir muitas histórias em uma quantidade até pequena de páginas, tendo em vista que foram 52 entrevistados. Além disso, as entrevistas são todas bem amarradas, divididas em dez capítulos temáticos que abordam desde a escrita em si aos desafios da publicação por editora (tradicional ou paga) ou independente.

O livro é de leitura fácil e prazerosa, dá para ler quase em uma única sentada. Os assuntos são interessantes e os entrevistados não ficam atrás: a autora buscou depoimentos de quem fez e ainda faz, de quem edita e também trabalha em várias etapas do refinamento de um texto.

Agradeço, como blogueira, a oportunidade de ler esse livro já em seu lançamento, presente da autora. E como pretensa contadora de histórias, agradeço pela publicação, por suas dicas preciosas e por me mostrar que eu não estou mesmo sozinha nessa jornada.

 

Obs.: A insegurança que o escritor tem em seu ofício é tão grande que eu, ao me inscrever para parceria com a autora, já “entrei derrotada”, achando que não era boa o suficiente ou grande o suficiente. E “A Jornada” fala exatamente disso. E muito mais.

 

Autores, editores e pesquisadores entrevistados:

Ana Cristina Rodrigues • Ana Lúcia Merege • André C. S. Santos • André Vianco • Anna Fagundes Martino • Artur Vecchi • Bárbara Morais • Becca Mackenzie • Camila Fernandes • Camila Guerra • Carlos Orsi • Heidi Gisele (Celly) Borges • Cesar Silva • Christopher Kastensmidt • Cirilo Lemos • Clara Madrigano • Claudia Dugim • Clinton Davisson • Cristina Lasaitis • Duda Falcão • Eduardo Kasse • Eduardo Spohr • Eric M. Souza • Eric Novello • Erick Sama • Fábio M. Barreto • Felipe Castilho • FML Pepper • Gianpaolo Celli • Giulia Moon • Helena Gomes • Jana P. Bianchi • Jim Anotsu • Ju Lund • Karen Alvares • Lauro Kociuba • Marcella Rossetti • Marcelo Amado • Marcus Barcelos • Martha Argel • Nikelen Witter • Peterson Rodrigues • R. F. Lucchetti • Regina Drummond • Richard Diegues • Roberta Spindler • Roberto de Sousa Causo • Rodrigo van Kampen • Rosana Rios • Simone O. Marques • Simone Saueressig • Thais Lopes

 

SOBRE A AUTORA: Kátia Regina Souza é jornalista, revisora, tradutora e, há alguns anos, tenta ser escritora também. Gosta de contar boas histórias, sejam elas ficcionais ou não. Portanto, escreve livros-reportagem para adultos e literatura fantástica para crianças. A fantástica Jornada do Escritor no Brasil foi motivado por uma vontade específica: “mostrar para você, escritor iniciante ou inexperiente, que outra pessoa no mundo sofre com os mesmos dilemas egocêntricos provenientes da tentativa de colocar palavras em uma folha em branco”. Mais informações sobre a autora podem ser encontradas em seu site, katiareginasouza.com.

 

 

Título: A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil
Autora: Kátia Regina Souza
Editora: Metamorfose
Páginas: 178

 

Compre o livro no site da autora, no site da Editora Metamorfose, ou na Amazon.

maio 13, 2017

[RESENHA] VIVA A LÍNGUA BRASILEIRA, DE SÉRGIO RODRIGUES

Sinopse: “Este livro é uma declaração de amor à língua portuguesa falada no Brasil. Em forma de verbetes rápidos e instrutivos, dá dicas e tira dúvidas que você sempre teve sobre o uso do idioma. Contra aqueles que defendem que só os irmãos de Portugal sabem tratar a gramática como ela merece, aqui está um antídoto. Contra aqueles que adoram corrigir o que nunca esteve errado e defendem bobagens, aqui está a resposta perfeita. Contra o analfabetismo funcional, o pedantismo do juridiquês, a barbaridade do corporativês, a importação servil de estrangeirismos e o chiclete viciante do clichê, este é um manual perfeito para usar nossa língua em toda sua riqueza e sem nenhum preconceito.”

 

Esta é mais uma recomendação urgente de leitura que uma resenha. Digo isso logo de cara e abaixo reproduzirei os meus trechos favoritos dos favoritos. Sim, pois foi extremamente difícil escolher o que esse livro tem de melhor, visto que todo ele é incrível.

Em Viva a Língua Brasileira, Sérgio Rodrigues, que eu descobri com muita alegria ser natural da cidade de Muriaé-MG, onde passo minhas laboriosas oito horas diárias de trabalho no Conselho Regional de Odontologia, fez algo incrível: expôs as dúvidas mais frequentes da nossa língua, sem a arrogância e o pedantismo que muitas publicações do gênero (infelizmente) reproduzem. Confesso que, em muitas páginas, eu fechava o livro e suspirava um agradecimento ao autor, pois além de expor tais dúvidas, o fez em uma publicação de leitura leve e rápida, apesar das 384 páginas. Tudo isso com ilustrações lindíssimas de Francisco Horta Maranhão.

O livro possui treze categorias temáticas, nas quais são discutidos temas como dúvidas de escrita, de fala, os modismos, origens de expressões antigas (nem sempre verdadeiras), dentre outras coisas. O grande acerto desta publicação é que ela agradará a gregos e troianos, pois o autor posicionou-se neutro no embate entre os patrulheiros, que acham que tudo é erro, e os excessivamente liberais, que consideram tudo como correto.

 

“Sem caretice e sem vale-tudo, este livro entende os argumentos dos dois lados, mas reserva-se o direito de não morrer abraçado com nenhum deles. Aposta que é possível cultivar a variedade culta da língua e ao mesmo tempo compreender que regras são historicamente determinadas, que nenhuma delas caiu do céu, e que no fim das contas o idioma é sempre atualizado por quem o fala. A mesma aposta inclui o reconhecimento da grande beleza que existe nisso.” (p. 15)

 

“Estória ou História?

As duas palavras existem, mas são diferentes. Segundo o dicionário Houaiss, estória é um brasileirismo que significa apenas ‘narrativa de cunho popular e tradicional’, enquanto história pode querer dizer também isso – entre muitas outras coisas.

(…)

Nessa eu fico com o Aurélio, que não reconhece a palavra, e com os portugueses, que não a usam: para mim – e para a maioria dos escritores que conheço – é tudo história. É que a fronteira entre história real (história) e história fictícia (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos.

(…)”  (p. 37 e 38)

 

“Homossexualismo ou Homossexualidade?

A questão é uma daquelas em que a língua vira um campo de batalha. O combate pode envolver diversos tipos de argumento – linguísticos, históricos, etimológicos, científicos –, mas eles não passam de armas. O que está em jogo mesmo é uma questão política.

O movimento gay transformou em bandeira a condenação de homossexualismo, que em sua origem designava uma patologia, e sua substituição por homossexualidade.

Linguisticamente, a questão não é tão simples. O termo homossexualismo foi cunhado no ambiente infestado de ideias pseudocientíficas de fins de século XIX e vinha impregnado de conotações médicas. (Incrivelmente, só em 1990 a Organização Mundial de Saúde o excluiu de sua lista de distúrbios mentais.)

Ocorre que a palavra não ficou presa a essa primeira acepção. Além de ‘condição patológica’, usamos o sufixo de origem grega –ismo para indicar, entre outras coisas, ‘prática’, ‘peculiaridade’ e ‘qualidade característica’ (Aurélio).

(…)

Para mim, homossexualidade

Eu fiz minha opção: embora tenha dúvidas sobre a estratégia de criminalizar em nome da etimologia um vocábulo que a maioria da população emprega de forma inocente, adotei o termo homossexualidade. Não me custa muito mexer no vocabulário. Bem menos, sem dúvida, do que custa aos homossexuais conviver com uma palavra considerada insultuosa.

(…) (p. 45 e 46)

 

“Latente não quer dizer evidente

O emprego do adjetivo latente com o sentido de ‘evidente, claro, indiscutível’ é um erro tornado mais embaraçoso pelo fato de que a palavra significa… o contrário disso”

Quando afirmamos que alguma coisa está latente, queremos dizer que ela ainda não se manifestou: permanece oculta, adormecida, em estado potencial. Pode vir à tona a qualquer momento, mas ainda não veio. Trata-se de um termo ligado ao verbo latino latere, ‘estar escondido’.

É provável que o erro se deva a uma confusão entre latente e patente – este, sim, um adjetivo que significa ‘claro, evidente, manifesto’. (p. 165 e 166)

 

Destaque para o capítulo 7, intitulado A Guerra dos Sexos, que expõe a questão da briga político-ideológica entre os gêneros na língua. Não tendo nós, falantes de português, herdado do latim o gênero neutro, surgiu, sobretudo na internet, quem fale “amigue, amigues, amig@s ou mesmo amigx”. Não sou adepta dessa prática e acho que quem a emprega sistematicamente não percebe o quanto essa escrita dificulta a leitura para deficientes visuais e disléxicos. O problema é que o hábito tem saído da internet e chegado ao ambiente acadêmico, como proposta de intervenção gramatical, nas palavras de Sérgio Rodrigues. Neste capítulo, ainda, vemos a questão do Obrigado, Obrigada; Personagem; Poeta ou Poetisa; e, talvez um dos mais polêmicos assuntos em questão de gênero: Presidente ou Presidenta?

Em Viva a Língua Brasileira, vemos, ainda, a origem do termo sebo, para designar loja de livros usados, e das expressões outros quinhentos e para inglês ver. E, antes que eu me esqueça, “Aluno” não quer dizer “sem luz”. Este é um livro que não se esgota em uma única leitura. Viva a Língua Brasileira é uma rica fonte de informação, um livro para ser consultado eventualmente. Um deleite para os amantes da nossa língua.

 

“Como se escreve: Antártida ou Antártica? Expresso ou Espresso? E qual a pronúncia correta: Rorãima ou Roráima? Subssídio ou Subzídio? Está certo escrever ‘em anexo’? Está errado falar em ‘risco de vida’? De onde veio a expressão ‘chorar pitanga’? E ‘acabar em pizza’? Este livro não apenas resolve essas dúvidas de forma instrutiva e bem-humorada, aqui você ainda encontra antídoto contra os sabichões sempre dispostos a corrigir o que não precisa ser corrigido, aprende a se vacinar contra modismos bobos, aceita que a influência estrangeira é inevitável, desde que não descambe para o ridículo, foge de armadilhas populares (forró não tem nada a ver com ‘for all’!) e ganha um mapa privilegiado para navegar com segurança e estilo em nosso idioma vivo, complexo e fascinante.” (contracapa)

 

 

SOBRE O AUTOR: Sérgio Rodrigues é escritor, crítico literário e jornalista. Mineiro que adotou o Rio de Janeiro, é autor, entre outros, do romance O drible, vencedor do prêmio Portugal Telecom (atual Oceanos) e publicado em seis países. Desde 2001 mantém na imprensa colunas sobre o universo linguístico, etimológico e gramatical com grande audiência, do extinto Jornal do Brasil ao site da revista Veja. Em 2011, ganhou o prêmio Cultura do governo do estado do Rio de Janeiro pelo conjunto de sua obra.

 

 

Título: Viva a Língua Brasileira
Autor: Sérgio Rodrigues
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 384

 

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