novembro 08, 2018

[CONTOS] ANTOLOGIA CONTOS DE NATAL, DA LURA EDITORIAL

Sinopse: “Os sinos tocam as dozes badaladas. É Natal! Os presentes estão em volta da árvore, decorada com as luzes que piscam incessantemente, lembrando a todos que é o momento de harmonia e união. É neste dia que a magia invade todas as casas e ali reina o sentimento mais puro e verdadeiro: a esperança de sempre enxergar algo melhor.

Nesta obra, que tem a curadoria de Daniel Moraes, organizador da antologia “O Canto dos Contos”, o leitor encontrará a verdadeira essência do Natal, nas palavras extraídas de sábios escritores que com muito esmero, nos farão rir e se emocionar com as mais belas histórias de Natal. Merry Christmas!”

 

O natal é a minha data favorita do ano. Sério, é mais especial para mim do que o meu próprio aniversário! Eu adoro sair de casa e ver as ruas e as lojas bem enfeitadas, finalizar uma ligação no trabalho desejando boas festas, adoro cozinhar os pratos típicos… enfim, acho que você já percebeu que eu realmente AMO o natal! Por ter verdadeira adoração por essa época do ano, quando a Lura Editorial divulgou o edital para a submissão de contos para uma antologia natalina, eu fiquei muito entusiasmada e não poderia deixar de pelo menos tentar  participar desse livro! Bem no finalzinho do prazo (ora, ora!) eu mandei uma versão reduzida e com algumas alterações do conto O natal em que tudo mudou, que eu escrevi no ano passado. Algum tempo depois eu recebi um e-mail do organizador, Daniel Moraes, informando que o meu conto havia sido aprovado.

 

 

Estou ansiosa para ler todas essas histórias! Sobre o meu conto na coletânea, a sinopse da versão definitiva é a que vem a seguir:

“Myriam era uma senhora querida por sua família e vizinhança. Por muitos anos, passara boas horas na véspera de natal fazendo rabanadas e outras delícias que ela gostava de comer e oferecer aos amigos nesta data. Não era religiosa, mas o natal sempre fora a sua data favorita no ano inteiro. Agora ela estava morta. E seria velada na data mais especial do ano.”

 

 

Em breve a coletânea Contos de Natal estará à venda no site da Lura Editorial e também na minha lojinha na Amazon.

 

 

outubro 30, 2018

[ETC.] CARAMBAIA LANÇA “CONTOS COMPLETOS, FÁBULAS & CRÔNICAS DECORATIVAS”, DE FERNANDO PESSOA

 

A Editora Carambaia está lançando (com 10% de desconto!) o livro Contos completos, fábulas & crônicas decorativas, de Fernando Pessoa, em uma edição linda, que inaugura o Selo Ilimitada, para obras que não estão em domínio público e que podem ser reimpressas de acordo com a demanda. Saiba mais sobre o livro de Fernando Pessoa abaixo:

Fernando Pessoa (1888-1935) publicou apenas um livro de poemas em português durante sua vida, além de alguns folhetos de versos em inglês. No entanto, deixou uma imensa produção esparsa ou inédita, parte inacabada – como seria de esperar de um escritor que não só se exercitou em vários gêneros, mas encarnou múltiplos autores. Por isso, mais de 80 anos após sua morte, ainda será possível encontrar inéditos. Prova disso é a coletânea que a CARAMBAIA lança agora, Contos completos, fábulas & crônicas decorativas, reunindo 14 textos que Pessoa deixou concluídos e revisados, três deles antes inéditos em livro. O volume traz também três contos do escritor norte-americano O. Henry traduzidos por Pessoa. A organização ficou a cargo do poeta e tradutor angolano Zetho Cunha Gonçalves, um dos principais escritores de seu país. Nascido em 1960 e hoje vivendo em Portugal, Gonçalves foi indicado este ano pela Universidade de Lisboa ao prêmio Nobel da literatura, e é um dos principais especialistas na obra de Pessoa.

O maior poeta modernista português se apresenta nesse livro em algumas de suas facetas menos conhecidas, como as de contista e dramaturgo – foi também autor de ensaios filosóficos e crítica literária (este talvez o veio mais frequente de sua obra lançada em vida), prosa memorialística e se lançou a esboços de vários gêneros, incluindo tentativas de ficção policial.  Em comum entre os textos do livro está o fato de terem sido escritos e publicados em periódicos sob o nome real (ortônimo) de Fernando Pessoa e não atribuídos a algum de seus mais de 70 heterônimos. Outra constante – com a exceção do angustiante “drama estático” O marinheiro, que fecha a coletânea com a gravidade de um fado – é a presença de um humor provocativo, que oscila entre o absurdo e a ironia.

É esse o veio explorado no conto de abertura, intitulado Crônica decorativa I, em que o narrador, ao ser apresentado a um professor-doutor da Universidade de Tóquio, especula sobre a existência do Japão e dos japoneses, cuja realidade para ele se resume às representações decorativas de bules e chávenas de chá. Um pouco mais à frente se lê o genial O banqueiro anarquista, que consiste de um diálogo ao estilo socrático no qual um homem idealista prova com absoluta frieza lógica que não só é possível ser banqueiro e anarquista ao mesmo tempo, como é o único modo de exercer o anarquismo coerentemente.  Entre os textos curtos da primeira parte do livro inclui-se ainda um conto que originalmente foi pedido a Pessoa como peça de publicidade de uma marca de tintas para carros.

A segunda parte é dedicada às breves narrativas a que Pessoa deu o título de Fábulas para as nações jovens. Seguindo a tradição do gênero, essas fábulas concluem com uma moral, embora nunca seja a mais evidente nem a mais construtiva. Corrosivamente, o autor mira, entre outros valores convencionais, os mitos da superioridade da inteligência (em O Saraiva ou O Saraiva e as meninas) e da cordialidade (O Santos e o Pereira) ou os dogmas religiosos (O cristão e o católico). A terceira parte do livro reúne os três contos de O. Henry que Pessoa traduziu com atenção especial ao ritmo e ao movimento do texto – lembrando que o inglês foi a língua em que o poeta português fez seus primeiros estudos e na qual, ainda criança, desenvolveu suas primeiras tentativas literárias. Os contos de O. Henry são muito diferentes da obra própria de Pessoa, com narrativas densas marcadas por idas e vindas e finalizadas por elementos de surpresa. Finalmente, o drama em um ato O marinheiro, em que três mulheres conversam num velório, antecipa, segundo Zetho Gonçalves, o teatro do absurdo de Samuel Beckett.

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, numa família semiaristocrática. Aos 7 anos mudou-se para a África do Sul, quando seu padrasto, um militar, foi nomeado cônsul português em Durban, capital da ex-colônia britânica de Natal. Nesse período ganhou fluência na leitura e escrita do inglês, dando seus primeiros passos na poesia e usando eventualmente heterônimos para assinar seus livros. Já nessa época os heterônimos não eram pseudônimos, mas autores imaginários com voz e biografia próprias. Em 1905 o poeta voltou a Lisboa. Depois de abrir uma tipografia que durou menos de um ano, Pessoa começou a trabalhar como correspondente internacional em empresas de comércio marítimo, enquanto escrevia textos sobre a vanguarda literária para revistas como Orpheu, porta-voz do movimento modernista português. Em 1918, publicou seu primeiro livro em inglês e apenas em 1934 conseguiu levar a público o primeiro em português, Mensagem, inspirado na era de expansão marítima de Portugal.  Pessoa morreu no ano seguinte, pouco conhecido além dos meios literários em que atuava.

O reconhecimento chegou ao longo da década de 1940, quando veio à luz grande parte de sua obra. A publicação em livro deixou clara a diferenciação entre seus principais heterônimos, os poetas Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além de Bernardo Soares, o semi-heterônimo memorialista de O livro do desassossego, que só saiu em versão completa em 1982. O próprio ortônimo Fernando Pessoa se apresenta como um autor distinto dos demais. Ao mesmo tempo conservador e libertário, materialista e ocultista, o poeta fez do inconformismo o norte de sua vida. Na comemoração do centenário de seu nascimento, em 1988, o corpo de Pessoa foi transferido para o Mosteiro dos Jerónimos, consolidando sua posição de expoente incontestável da literatura mundial.

 

Organização, prefácio e notas: Zetho Cunha Gonçalves

Projeto gráfico: Bloco Gráfico

 

 

Leia as primeiras páginas do livro Contos Completos: Fernando Pessoa, clicando aqui.

março 09, 2018

[RESENHA] ALÉTHEIA, DE SORAYA COELHO

Sinopse: “Quantas histórias cabem em um dia? O mendigo choroso segurando um fitilho vermelho. Irmãos malabaristas tirando seu troco no semáforo. Uma senhora dolorosamente comum sentada ao seu lado no metrô, repetindo um tique no cantinho dos lábios. Coisas fantásticas cabem na normalidade das nossas 24 horas. Eis aí uma Alétheia.”

 

Leia também: Duas histórias de Soraya Coelho para ler ainda hoje.

 

Primeiramente Fora Temer, vamos ao significado de Alétheia:

Alétheia (em grego antigo: λήθεια, «verdade», no sentido de desvelamento: de a-, negação; e lethe, «esquecimento»), para os antigos gregos, designava a verdade e a realidade, simultaneamente.

Em Sein und ZeitMartin Heidegger retomou o termo para definir a tentativa de compreensão da verdade. Realizou uma análise etimológica do termo a-letheia, atribuindo-lhe a significação de «desvelamento». Portanto, para Heidegger, alethéia é distinta do conceito comum de “verdade” – esta considerada como um estado descritivo objetivo.

Alétheia (em grego Ἀλήθεια), era uma Daemon que personificava a verdade, a honestidade e a sinceridade. Seus Daemones opostos eram Dolos, a trapaça, Apate, o engano, e Pseudea, a mentira, sua equivalente na mitologia romana era Veritas. Segundo uma fábula de Esopo foi criada por Prometeu em sua forja, com a ajuda de seu servo Dolos, a artimanha e as más artes:

“Dolus (trapaça) foi um dos aprendizes do astuto Prometheus, o Titan artífice. Quando este pretendia criar Veritas (Alétheia) para que regesse o comportamento dos homens, uma chamada de Iuppiter lhe obrigou a ausentar-se. Deixou Dolus custodiando a inacabada obra e este, inflamado de ambição, aproveitou a saída de seu mestre para fazer com suas próprias mãos uma figura exata em aparência a que estava fazendo Prometheus. Só lhe faltava terminar os pés quando ficou sem argila, e quando regressou com ela, encontrou o Titan que já havia regressado e, se divertindo pela semelhança das estátuas, havia metido as duas no forno para que terminasse de fazê-las, apesar de que a feita por Dolus não tinha pés. Uma vez terminada a obra lhes insuflou vida, e é por isso que Veritas (Alétheia), a verdade, caminhava graciosamente enquanto sua irmã gêmea, Mendacium (Pseudos), a mentira, segue seus passos cambaleando e quase sem sustentar-se. Por isso se diz que ainda que uma empresa feita com mentiras pareça começar com bom pé, no entanto sempre prevalecerá a verdade.”– Esopo, Fábula 530.

 

Fontes: Wikipedia: Alétheia e Wikipédia: Alétheia (Mitologia).

 

Alétheia foi um dos melhores livros que eu li em 2017. Em uma época a qual eu estava com o tempo curto para embarcar em leituras mais longas, fui surpreendida por dois livros de contos que me marcaram profundamente: este, de Soraya Coelho e Olhos D’água, de Conceição Evaristo.

Em Alétheia temos, de forma geral, uma antologia de verdades. Sobre o mundo, sobre a nossa própria vida. Verdades mesmo. É daqueles livros que você lê e, quando termina, volta e lê mais um pouquinho. É desconfortável se reconhecer em alguns pontos das histórias, mas ao mesmo tempo, é reconfortante saber que não estamos sozinhos.

A antologia é formada por dez contos, alguns bem curtinhos, mas com a qualidade de serem “precisos como uma picada de agulha”, como diria o escritor Dalton Trevisan. São todos muito bons, mas metade deles, na minha opinião, são ótimos. Lição de casa, Trabalho, João e Maria, Diante do espelho (que eu quase confundi com um dos contos de Conceição Evaristo ao fazer a resenha de Olhos D’água) e Peito queimado, são sensíveis e de impacto ao mesmo tempo. Acredito que quem não tenha lido nada de Soraya Coelho até hoje vai se render ao talento da autora só de ler esses contos.

 

“Existe uma diferença básica entre palpitar e pulsar. (…)

Palpitar sugere a possibilidade de nada ser feito. (…)

Já pulsar é impetuoso. Zune como uma lâmina de uma espada ou como uma flecha cortando o ar. Acerta o alvo. Faz o seu trabalho. O coração das mocinhas palpita, mas os das velhas senhoras pulsa.”

 

Alétheia tem prefácio de Jana Bianchi e é um livro que, absolutamente, faz o coração do leitor pulsar. Se eu fosse você, leria o quanto antes.

 

 

P.s.: Desculpem-me por não falar tintim por tintim sobre cada um dos contos. Quero que vocês recebam a picada sem muito aviso prévio. Acreditem: se eu contar demais, vou estragar a experiência de leitura de vocês e esse nunca foi o meu objetivo por aqui.

 

 

Título: Alétheia
Autora: Soraya Coelho
Editora: Publicação Independente
Páginas: 49

Compre na Amazon (disponível para assinantes Kindle Unlimited): Alétheia.

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