Maio 07, 2018

[RESENHA] MARY POPPINS, DE P. L. TRAVERS

Sinopse: “Carregando uma maleta e um guarda-chuva, Mary Poppins entra em cena voando. Literalmente. Gravada no imaginário das crianças de várias gerações, essa chegada fabulosa da peculiar babá da família Banks abre as portas para muitas outras surpresas e aventuras, como a história da Vaca Dançante, o aniversário no zoológico, um chá da tarde nos ares, delicados remendos no céu noturno… Mary Poppins é durona e misteriosa – e absolutamente irresistível. Publicado em 1934, o livro foi um sucesso imediato e desde então fascina leitores de todas as idades – sobretudo após a adaptação de Walt Disney para o cinema. Essa edição inclui todas as ilustrações originais de Mary Shepard e conta com tradução, apresentação e notas do escritor Joca Reiners Terron, além de cronologia de vida e obra de P.L. Travers. Como extra, traz ainda uma palestra da autora sobre (não) escrever para crianças.”

 

Curiosamente (ou não) resolvi finalmente ler Mary Poppins, de P. L. Travers, justamente no dia em que coloquei meu exemplar raro da editora Cosac Naify nos Correios, pois o vendi na minha loja de usados na Amazon. Por sorte, ou por algum vento do leste, o e-book da edição comentada da editora Zahar estava em promoção no mesmo dia na Amazon.

 

 

Como muitas pessoas, eu conhecia apenas a versão Disney da história e sou apaixonada por ela. Vendo um ou outro comentário pela internet, soube que o livro era bastante diferente do modelo açucarado vendido por Walt Disney e, confesso, isso foi atrasando a minha leitura. Tive medo de perder o encanto que tinha pela babá, de não conseguir mais ter uma visão bonita e pueril da história, embora geralmente aconteça de os livros serem melhores que os filmes. Eu não poderia estar mais enganada em relação ao texto de P. L. Travers.

Mary Poppins, o livro, é realmente bastante diferente de Mary Poppins, o filme da Disney. E é só isso: diferente. Nem melhor, nem pior. Os dois são igualmente bons.

Ao contrário do filme, o livro não é uma história totalmente linear. Temos Mary Poppins chegando à residência dos Banks para cuidar das crianças (quatro no total, incluindo dois bebês) e aquele jeitão de babá meio rígida, mas cuidadosa e disponível e quando necessário. No entanto, os doze capítulos de Mary Poppins funcionam muito bem quando lidos separadamente, como doze contos fechados, tendo apenas a mesma ambientação. Você vai passar por momentos em que desejará ler todos os contos de uma só vez, mas também vai querer ler aos poucos, com medo do momento em que Mary Poppins precisará partir (e isso nem é spoiler: é de conhecimento geral que a babá não fica eternamente na casa das crianças, pois elas não serão crianças para sempre).

 

Ilustração original de Mary Shepard.

 

De todos os capítulos/contos, os que eu mais reli até agora foram Dias de folga (queria ter um pouquinho do poder de negociação dessa babá!), Gás do riso (quem assistiu ao filme sabe um pouco do que eu estou falando) e A história de John e Barbara. Tudo em Mary Poppins funciona muito bem e desperta algo adormecido lá no fundinho da nossa alma. No meu caso, essas três histórias são responsáveis por eu, ocasionalmente, abrir o livro no meu Kindle.

A edição da Zahar é um primor e não deve em nada a da Cosac Naify em questão de conteúdo. A edição é comentada, com apresentação primorosa do tradutor Joca Reiners Terron e ilustrada originalmente por Mary Shepard. Integra o volume, ainda, um texto de P. L. Travers sobre não escrever para crianças. Dentre outras coisas, ela fala sobre rótulos. Os sentimentos não são categorizados como “indicados para as idades de 5 a 7 anos” ou “de 9 a 12 anos”. Ela não escrevia para crianças, mas as crianças tinham e têm o poder de se apropriarem de qualquer livro que lhe tocarem o coração. Mary Poppins não é mesmo para crianças. É para todas as idades.

 

“Tudo era tão surpreendente que eles não conseguiam encontrar nada para dizer. Mas ambos sabiam que algo maravilhoso acontecera no Número Dezessete da Cherry Tree Lane.”

 

Título: Mary Poppins

Autora: P. L. Travers

Tradução: Joca Reiners Terron (tradução, apresentação e notas) e Rodrigo Lacerda (tradução do anexo)

Editora: Zahar

Páginas: 192

Compre na Amazon: Mary Poppins

 

Assista: Trailer original para o cinema (legendado) de Mary Poppins



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