janeiro 14, 2016

[RESENHA] VÁ, COLOQUE UM VIGIA

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Há muito tempo ouço o nome da escritora Harper Lee com curiosidade, pois é dela o romance O Sol é para todos, ganhador do Prêmio Pulitzer de ficção em 1961, além de grande Best-seller. Em 2015, participei da leitura conjunta encabeçada pelo blog Literature-se, usando a hashtag #LendoHarperLee, e mal pude acompanhar o cronograma! A história me fisgou de tal maneira que terminei antes do previsto, como muitos outros participantes. Graças ao #LendoHarperLee eu finalmente embarquei naquela que foi uma das minhas melhores leituras de 2015! Obrigada, Mel Ferraz!

 

Um tempo depois eu soube que a continuação de O Sol é para todos seria publicada. Mas Vá, coloque um vigia não é bem uma sequência… A história por trás da publicação deste segundo livro é um pouco mais complicada e obscura. Ao que consta, Vá, coloque um vigia seria a história original, mas o editor de Harper Lee pediu que a história fosse abrandada, o que a fez reescrever o romance sob a ótica da personagem Jean Louise, a Scout, quando criança, narrando outros eventos. Esses eventos acabam por explicar o enredo de Vá, coloque um vigia, que ficou esquecido no fundo da gaveta por muitos anos. Há pouco tempo o manuscrito deste livro foi encontrado e a autora permitiu a sua publicação. Como Harper Lee, já em idade avançada, vive reclusa em um asilo, muitas versões sobre a publicação de seu segundo livro pipocaram na internet, então é difícil saber o que é verdade ou não. Motivada pela leitura de O Sol é para todos, e também pela polêmica em torno de Vá, coloque um vigia, resolvi comprar o livro na pré-venda, embora tenha demorado dois meses para embarcar nesta nova leitura.

 

Vá, coloque um vigia foi publicado aqui no Brasil pela José Olympio Editora, pouco depois do lançamento nos EUA e em vários outros países. Enquanto esperava pela tradução, a internet (ou seria a minha curiosidade?) me brindou com todo o tipo de spoilers de leitores decepcionados com o livro e até soube de livrarias que estavam devolvendo o dinheiro de quem comprou na pré-venda! Comprei com medo de ler e por isso acabei demorando para ver eu mesma do que se tratava. Confesso que perdi tempo à toa: a leitura foi boa, rápida, mas não chega nem perto de O Sol é para todos.

 

A história narra a viagem de férias em que Jean Louise Finch, a nossa pequena travessa Scout, vai para a casa de seu pai, Atticus Finch. O que seria algo não só normal como eventual torna-se uma jornada de autoconhecimento para a protagonista. Nesta viagem ela passa por situações que põem em xeque tudo aquilo que ela pensou saber sobre o seu pai. O livro fala daquilo que sentimos quando percebemos que um ente querido é tão humano quanto nós; que também tem defeitos. Paralela à história com Atticus, acompanhamos seu romance com Hank, cria de Maycomb, com quem ela mantém um noivado a distância, muito por medo de voltar a sua cidade natal, pois ela não se sente uma mulher do lugar. Jean Louise adulta é tão desajustada quanto foi na infância.

 

Minha tia é uma estranha hostil, minha Calpúrnia não quer saber de mim, Hank enlouqueceu e Atticus… Tem alguma coisa errada comigo, o problema é comigo. Tem que ser, porque todas essas pessoas não podem ter mudado assim. Por que eles não ficam de cabelo em pé? Como podem acreditar piamente em tudo o que ouvem na igreja e depois dizer o que dizem, e ouvir o que ouvem e não vomitar? Eu pensei que fosse cristã, mas não sou. Sou outra coisa, e não sei o quê. Tudo o que eu sei sobre o que é certo ou errado aprendi com essas pessoas… essas mesmas pessoas. Portanto, o problema sou eu, não eles. Alguma coisa aconteceu comigo.

 

 

Como eu disse anteriormente, é uma boa leitura. Recomendo para aqueles que leram e gostaram de O Sol é para todos, mas com ressalvas. Não espere a mesma qualidade e o mesmo fascínio com essa história, mas algumas horas de bom entretenimento de volta à velha Maycomb estão garantidas!

 

 

 

Título: Vá, coloque um vigia
Autora: Harper Lee
Tradução: Beatriz Horta
Editora: José Olympio
Páginas: 252

 

 

Fontes: 

Harper Lee, autora de “O Sol é para todos”, publica o primeiro livro em 55 anos

‘Vá, Coloque um Vigia’, o livro inédito de Harper Lee

 

Compre pela Amazon:

O sol é para todos
Vá, Coloque Um Vigia

janeiro 11, 2016

[ETC.] ORGULHO E PRECONCEITO EM QUADRINHOS

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Editora Nemo, integrante do Grupo Autêntica, está lançando uma versão do clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, em quadrinhos! O título já está em pré-venda na Amazon, mas ainda sem informação sobre a data de lançamento.

Sinopse: Elizabeth e suas quatro irmãs estão impossibilitadas de herdar a propriedade de seu velho pai e enfrentam a ameaça do despejo. As irmãs devem garantir sua segurança financeira por meio do casamento, mas nossa heroína tem outros planos. Ela fez votos de se casar somente por amor. Seu olhar acaba capturado pelo distinto Sr. Darcy, mas quem irá salvar os Bennets? Elizabeth deve se casar por amor ou deve salvar sua família? Uma adaptação fiel e primorosa do clássico romance de Jane Austen para os quadrinhos.

Compre aqui: Orgulho e Preconceito

 

ATUALIZAÇÃO: Veja a resenha de Orgulho e Preconceito em HQ aqui!

janeiro 08, 2016

[RESENHA] FÁBULAS COMPLETAS, DE ESOPO

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Aproveitando a liquidação do catálogo da Cosac Naify, que anunciou o encerramento de suas atividades no final de 2015, adquiri essa edição lindíssima das Fábulas de Esopo contendo 383 fábulas traduzidas diretamente do grego, sendo 26 delas inéditas em português! A tradução foi feita por Maria Celeste C. Dezotti e conta com ilustrações de Eduardo Berliner. A apresentação do volume foi escrita por Adriane Duarte.

 

O gênero fábula sempre me remeteu à infância. Uma forma de aprendizado moral feito através do lúdico da personificação dos animais. Mas as Fábulas Completas vão além e mudaram totalmente esse meu ponto de vista: seu conteúdo é, muitas vezes, preconceituoso e até mesmo pornográfico! Logicamente, a apresentação feita por Adriane Duarte já havia feito esse alerta, mas, ainda assim, confesso que o conteúdo me desanimou um pouco. O fato de pensar nas fábulas de Esopo sempre como histórias infantis me fez ignorar o que elas realmente são: textos formadores de moral de uma época já distante da qual vivemos. Foi, entretanto, uma boa descoberta e também uma boa leitura.

 

Existem muitas edições brasileiras das fábulas esópicas, a grande maioria voltada para o público infantil. Menos por causa do público-alvo e mais pela concepção que se tem do que lhe é adequado ou não, essas antologias costumam trazer textos adaptados e fazer uma seleção que exclui as histórias que tratam de temas polêmicos, como morte e sensualidade, ou considerados politicamente incorretos. Quase todas têm tradução indireta, limitando-se apenas a reproduzir texto e ilustrações de obras editadas em outros países. Umas poucas edições fogem desse padrão. Mirando um público adulto, propõe-se a realizar tradução integral do corpus esópico diretamente do grego. Essa escolha se faz acompanhar de um projeto gráfico sóbrio, onde há pouco lugar para ilustrações. (Esopo e a tradição da fábula, por Adriane Duarte)

Sendo uma edição da Cosac Naify, o leitor, acostumado aos projetos gráficos impecáveis da editora, pode ter uma ideia do tratamento dado a esta edição: a capa tem acabamento em veludo, assim como o marcador de pano, que dá um charme todo especial à obra. As ilustrações, embora sóbrias, são lindas e o texto foi impresso em vermelho, cor predominante da capa. É uma edição para ler e ter na estante!

 

 

Título: Esopo: Fábulas Completas
Autor: Esopo
Tradução: Maria Celeste C. Dezotti
Apresentação: Adriane Duarte
Ilustrações: Eduardo Berliner
Editora: Cosac Naify
Páginas: 561

 

Compre pela Amazon: Esopo. Fábulas Completas

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