agosto 04, 2016

[RESENHA] BLISS, CONTO DE KATHERINE MANSFIELD

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Que é que podemos fazer se temos trina anos e, ao dobrar a esquina de nossa própria rua, somos invadidos subitamente por uma sensação de felicidade – absoluta felicidade! – como se tivéssemos de repente engolido um rútilo pedaço deste sol da tardinha e ele estivesse a arder em nosso peito, a despedir um chuveiro de minúsculas faíscas em todas as partículas do nosso ser, até nos dedos das mãos e dos pés?…” (p. 1) 

 

Bliss, assim como saudade, é uma palavra sem tradução exata para outras línguas. Érico Veríssimo, dentre outros tradutores, escolheu felicidade como correspondente de bliss para o português, mas a palavra também pode significar êxtase ou euforia.

 

O conto de Katherine Mansfield, escrito em 1918, tornou a escritora neozelandesa conhecida em diversos países e, supostamente, teria enciumado ninguém menos que Virginia Woolf devido ao grande talento da contista, em especial em relação a história contada em Bliss.

 

Neste conto acompanhamos, ora em terceira pessoa, ora em primeira, Berta Young e seu momento de extrema felicidade. A mulher de trinta anos, apesar da idade, ainda sentia lampejos de êxtase, tal qual uma jovem, como indica o seu sobrenome (Young, em português, quer dizer jovem).

 

 

Apesar dos trinta anos Berta Young tinha ainda momentos como aquele em que desejava correr em vez de caminhar, dar passos de dança de um lado a outro da calçada, fazer rodar um arco, jogar alguma coisa para o ar e apanhá-la de novo, ou então ficar parada e rindo de… nada… nada, simplesmente rindo.” (p. 1)

 

Berta tinha tudo aquilo que faria qualquer mulher de seu sua camada social feliz: uma boa casa, marido, uma filha e, também, amigos elegantes. Contudo, algumas situações podem tirá-la de seu êxtase e transportá-la para uma realidade não tão feliz assim. Sua filha, por exemplo, ficava quase exclusivamente sob os cuidados da babá, a nurse, que fazia questão de restringir o contato entre mãe e filha. Entretanto, permite que a bebê puxe a orelha de um cachorro em um parque.

 

 

Berta quis perguntar se não era um pouco perigoso deixar a menina pegar as orelhas de cachorros desconhecidos. Mas não teve coragem. Ficou a olhar para ambas, com os braços caídos ao longo do corpo, como a menina pobre diante da menina rica que tem uma boneca.”  

(p. 3)

 

Katherine Mansfield escreve sobre aquela felicidade quase tangível, que inebria, mas passa. A vida é feita de momentos como esses, bliss, tornando-nos, muitas vezes, tal qual Berta Young. A autora,  em geral,  foge da linearidade que leva quase sempre a um “final feliz” em suas histórias, tornando a leitura de seus contos sempre uma surpresa e um deleite para nós, leitores.   

 

Bliss (Felicidade) pode ser encontrado em diversas edições de livros de Katherine Mansfield e também em alguns sites pela internet. Na publicação feita pela editora Nova Fronteira, com tradução de Érico Veríssimo, estão presentes também os contos O dia de Mr. Reginald Peacock, A evasão, Nuvem de primavera, Psicologia, “Je ne parle pas français”, “Feuille D’Album”, A jovem governanta, O seu primeiro baile, A lição de canto, O vento sopra, Sol e lua, Revelações e Prelúdio.

 

 

REFERÊNCIAS:

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/livros/0054.html

http://www.criticaecompanhia.com.br/adriana.htm

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

julho 30, 2016

[ETC.] MINHA PRIMEIRA CAIXINHA DA TAG – EXPERIÊNCIAS LITERÁRIAS

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Já tem um bocado de tempo que eu venho namorando uma assinatura da TAG – Experiências Literárias. Como neste mês de julho, para comemorar o aniversário dois anos, eles resolveram fazer uma edição especial e com desconto para os novos associados, resolvi me render e experimentar. E, olha, é mais legal do que eu imaginava!

 

Como funciona

A TAG funciona como uma espécie de clube do livro. Todo mês o associado recebe um livro surpresa, indicado por intelectuais de diversas áreas. Junto ao livro, recebemos também um marcador de páginas personalizado, uma revista falando sobre a obra enviada e algum “mimo” super especial. Aqui, o foco é na experiência proporcionada ao associado. Veja mais sobre na página da TAG Experiências Literárias.

 

Minha primeira caixinha, edição especial julho/2016

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 Confesso que sou do tipo que fica toda animada quando ouve o carteiro chamar. Na maioria das vezes, a encomenda é livro, o que me deixa mega feliz, mas a caixinha da TAG é especial, é como receber um presente! Não é exagero e este não é um publipost. É realmente muito legal receber um produto idealizado e organizado com tanto carinho! Recebi, inclusive, uma carta de boas-vindas!

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Custo x Benefício

Como já disse anteriormente, aproveitei a promoção de aniversário de dois anos da empresa para me associar, desta forma, minha primeira caixinha saiu com desconto. Atualmente o custo mensal é de R$ 69,90 com frete incluso. Em um primeiro momento o preço pode não parecer muito convidativo, mas a TAG não exige tempo mínimo de associação, ou seja, você pode cancelar a assinatura a qualquer momento, e caso desconfie que o livro do mês é algum que você já tenha, pode entrar em contato com eles que a situação é resolvida.

 

O livro de julho: O Vermelho e o Negro, de Stendhal

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Acima, vocês podem perceber que esta é uma edição que não é encontrada nas livrarias. É uma edição exclusiva (lindíssima) e comemorativa. Segundo a TAG, outras edições exclusivas virão. Neste mês, acredito que em razão do livro ser exclusivo e tudo o mais, não veio o “mimo”. Mas tudo bem, estarei aguardando ansiosa a próxima caixinha!

 

Sobre O Vermelho e o Negro

“Publicado na França pós-napoleônica, O Vermelho e o Negro é um clássico da literatura mundial. A obra narra a trajetória de Julien Sorel, um ambicioso filho de carpinteiro que faz de tudo para ascender socialmente. Inferior de berço, precisa revestir a sua revolta com polidez, seus interesses com paixão, sua hipocrisia com inocência e assim lutar contra a opressão e os preconceitos da exclusivista sociedade francesa do início do século XIX.

Stendhal apresentou neste romance realista um narrador revolucionário para a época. Ao inserir o leitor na mente do protagonista, o escritor criou um estilo que mais tarde influenciou nomes como Flaubert e Dostoiévski. Ao unir profundidade psicológica à análise social, este livro firmou-se como um dos pilares do cânone ocidental, ainda sempre atual e inesgotável.” (Fonte: contracapa)

 

A revista da TAG é muito bem elaborada e bastante interessante. No meu caso, que ainda não pude ler o livro, deu para me ambientar na história e no contexto a qual ela pertence, além de conhecer o curador do mês, e saber sobre a próxima indicação. Para finalizar, compartilho aqui a Lista de Hemingway, que eu li na revista da TAG, em que o autor elenca dezessete livros essenciais para todos aqueles que desejam escrever bem. Dois desses livros foram escritos por Stendhal.

 

A Lista de Hemingway

Anna Kariênina, de Liev Tolstói

Longe e há muito tempo, de W. H. Hudson

Os Buddenbrook, de Thomas Mann

O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë

Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Guerra e Paz, de Liev Tolstói 

A sportsman’s sketches, de Ivan Turguêniev

Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski

Hail and farewell, de George Moore

As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Winesburg Ohio, de Sherwood Anderson

A Rainha Margot, de Alexandre Dumas

A casa Tellier, de Guy de Maupassant

Dublinenses, de James Joyce

Autobiografias, de William Butler Yeats

O vermelho e o negro, de Stendhal

A cartuxa de parma, de Stendhal

 

Bom, preciso colocar as minhas leituras em dia, pois só li dois dos dezessete livros citados acima…

 

No mês de agosto, a curadora será Heloisa Seixas, que indicou um clássico nacional! Conheço um pouco o trabalho da curadora pois ela traduziu uma das edições que eu tenho do maravilhoso romance Jane Eyre! Não sei qual será o livro de agosto e também não pesquisei, para manter o suspense até o último segundo. Você saberia dizer qual é o livro com base no texto abaixo?

 

“Publicado na década de sessenta, a polêmica obra tem como protagonista um rico empresário carioca que, às vésperas do casamento da filha, desespera-se com o rumor de que o seu genro seja homossexual. Página a página, adentramos na intimidade deste homem e de sua família aparentemente comum, mas que esconde a sexualidade reprimida, o preconceito, o adultério, o incesto, a perversão e a hipocrisia.

Em uma narrativa ágil e viciante, percorremos conhecidos cenários cariocas e encontramos personagens comuns do nosso cotidiano, enquanto nos deparamos com grandes tabus da nossa sociedade; o leitor acompanha, cena após cena, essa despudorada literatura, que ousa falar de homossexualidade, incesto e traição em plena década de sessenta. Não é a toa que, poucos meses após a sua publicação, a obra foi censurada pela ditadura.”

 

ATUALIZAÇÃO: Veja a resenha do livro indicado pela Heloisa Seixas aqui.

 

julho 21, 2016

[RESENHA] A MAMÃE É ROCK

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Conheci as crônicas do Piangers há pouco tempo, mais precisamente no episódio em que ele e as suas filhas, Anita e Aurora, estiveram no programa Encontro com Fátima Bernardes. Na ocasião, a pequena feminista Anita falou sobre o machismo que é não ter fraldário nos banheiros masculinos, em locais como shoppings, por exemplo. Infelizmente, é bem verdade que poucos estabelecimentos possuem uma área “neutra” para que não só as mães executem a tarefa de trocar as fraldas dos pequenos. Os donos desses estabelecimentos não consideram a possibilidade de os pais saírem sozinhos com seus bebês. Enfim, a fala da menina repercutiu na internet e eu quis saber mais sobre a família. Que bela descoberta! Li O Papai é Pop e, em breve, lerei O Papai é Pop 2. Mas quando soube que a esposa do Piangers, a Ana Cardoso, ia lançar o A Mamãe é Rock, fiquei super empolgada! Comprei o e-book na pré-venda e o li rapidamente, madrugada a dentro, enquanto a minha bebê dormia.

 

O livro já começa com uma ótima frase da Malala Yousafzai:

“Como de hábito, meu pai não ajuda na cozinha. Eu o provoco: ‘Aba, você fala em direito das mulheres, mas é a minha mãe que cuida de tudo! Você nem ajuda a lavar a louça do chá!’”

 

Ana Cardoso se propõe a falar sobre o lado in-tenso da criação, mas faz isso de uma forma bem leve e divertida. No meu caso, sendo mãe há pouco tempo, mesmo assim, me identifiquei com algumas situações, vislumbrei outras e reconheci um pouco da minha mãe em várias das crônicas da autora. Essa é uma leitura também para avós, tias, irmãs mais velhas, enfim, para todas as mulheres que desempenham esse maravilhoso, porém árduo, papel de mãe. E também para os homens, por que não, para que saibam um pouco mais sobre nós e também entendam nossos momentos mais delicados.

 

 

Ana Cardoso e suas filhas, Aurora e Anita.

Ana Cardoso e suas filhas, Aurora e Anita.

 

Adoro O Papai é Pop! Piangers é um exemplo desse novo modelo de pai que nós tanto precisamos, amigo, companheiro e participativo. Mas, de agora em diante, virei fã da Ana Cardoso, a mamãe rock!

 

Abaixo, o trecho com o qual eu mais me identifiquei. Parece ter sido escrito para mim:

“Um dia você não toma banho, não consegue comer direito e não entende muito bem aquela criaturinha que não desgruda de você nem um segundo.

No outro, você sai só e, ao invés de se sentir livre, sente saudades da pessoinha e entende que suas emoções nunca mais serão claras depois de ter passado por um processo de multiplicação.”

 

 

 

Título: A Mamãe é Rock
Autora: Ana Cardoso
Editora: Belas Letras
Páginas: 112

 

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