outubro 28, 2016

[ETC] A COISA MAIS LINDA

É a coisa mais linda acompanhar de perto o crescimento de alguém. Não só acompanhar, mas ser fundamental para o crescimento de uma pessoa.

Após a difícil fase de recém-chegada ao planeta terra, a criança aprende muita coisa em pouquíssimo tempo. É incrível vê-la descobrir sons, sabores, sentimentos…

Na última semana a Olívia começou a almoçar. Almoça fruta, para ir treinando o paladar. Recomendação do pediatra que, estranhamente, resolvemos respeitar. Tem cinco meses e já tem preferências. Não gostou muito de banana nem de geleia de mocotó, à primeira colherada. Amou mamão e gelatina de cereja.

Ela sorri de volta quando sorrimos para ela. Quer conversar, e a gente vai confirmando tudo, imaginando um diálogo no meio daquela embolado de sons.

Ela vira de barriga para baixo e não aprendeu, ainda, a virar de volta. Recebeu, portanto, o apelido de tartaruga. Ela, é claro, morre de rir ao ser chamada assim.

A propósito, o sorriso dela é o remédio para todos os meus males. Tristeza, sono, fome, preguiça… Nada me derruba se eu a vir sorrindo.

O desenvolvimento dela é normal. Mas acho que a Olívia é especialmente inteligente. Ela chora bem pouco para tomar vacina. É forte. Não gosta de banho frio. Gosta de dormir depois do almoço. Às vezes, durante o almoço também.

Agora mesmo ela acordou, sorriu e voltou a dormir. Ela adora dormir quando está nublado.

Tudo muito normal. Mas é a coisa mais linda.

 

 

 

 

outubro 24, 2016

[RESENHA] CENAS LONDRINAS, DE VIRGINIA WOOLF

Sinopse: “Um retrato da década de 1930 em Londres — e uma aula sobre como explorar a consciência da modernidade.
Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.
Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.

 

Cenas Londrinas é um conjunto de ensaios de Virginia Woolf publicados originalmente na revista Good Housekeeping nos anos de 1931 e 1932. No Brasil, o livro foi publicado pela José Olympio Editora, como integrante da coleção Sabor Literário, que contou com títulos de Antonio Calado, Nathaniel Hawthorne, Ferreira Gullar, dentre outros. Os ensaios de Woolf contam com a apresentação do poeta Ivo Barroso. Em 2017, ganhou nova edição com uma nova roupagem, no entanto, mantendo os mesmos ensaios.

São seis ensaios em que a autora nos permite passear por Londres, seus costumes, seus habitantes. É um livro bem pequeno; são 84 páginas incluindo a apresentação e a história dos ensaios. Contudo, o olhar sempre perspicaz de Virginia Woolf nos transporta para a realidade londrina de sua época.

Retrato de uma londrina, o último ensaio, foi o que mais me encantou. Nele, conhecemos a rotina e a vida de Mrs. Crowe, uma típica londrina retratada por uma autora que amava esta cidade.

 “O delicioso de Londres era que sempre dava algo novo para observar, algo fresco sobre o que falar. Era preciso apenas manter os olhos abertos e sentar em sua própria poltrona das cinco às sete horas todos os dias da semana.” (p. 77)

 

É um bom livro para aqueles que amam ou desejam conhecer um pouco mais da história e dos costumes de uma das mais importantes cidades do mundo. Não é um guia, mas um retrato inteligente e repleto de sentimento como só Virginia Woolf poderia escrever.

 

“Vê-se Londres como um todo – a Londres abarrotada, estriada e compacta, com suas cúpulas dominantes, suas catedrais-guardiães; suas chaminés e pináculos; seus guindastes, gasômetros; e a perpétua fumaça que nenhuma primavera ou outono consegue dissipar.” (contracapa da edição Coleção Sabor Literário)

 

 

Título: Cenas Londrinas
Autora: Virginia Woolf
Tradução: Myriam Campelo
Editora: José Olympio
Páginas: 96

Compre na Amazon: Cenas londrinas.

 

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas, atualizada em 12/07/2018.

 

 

 

 

setembro 29, 2016

[RESENHA] A CASA DE VIDRO (AS ESTAÇÕES)

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Flores não crescem do nada – ou crescem? Para Eleanor, era o mistério que não conseguia responder: qual era o truque daquele jardineiro contratado para cuidar da estufa em sua casa e que transformara o lugar em uma floresta imaginária. Sebastian, o tal estranho, parece um homem como qualquer outro – exceto pelas perguntas desconcertantes que faz, ou pelo fato de que as plantas obedecem seus comandos de maneira muito intrigante…” (Sinopse)

A Casa de Vidro, publicado pela editora Dame Blanche e disponibilizado gratuitamente na Amazon e em várias outras plataformas, é uma noveleta de época escrita pela paulistana Anna Fagundes Martino. Trata-se de uma história curta, de fácil leitura, mas que nos faz querer mais no final.

 

Regras demais. Esse mundo de vocês tem regras demais. Como vocês dão conta de lembrar de tudo?”

A noveleta se passa em duas épocas, narrando acontecimentos da vida de Eleanor: sua juventude, em 1868, e sua velhice, em 1910.

 

Em 1910, Eleanor recebe a visita de Stella, uma jovem que a faz lembrar-se do jardineiro que no passado cuidava da casa de vidro, a estufa de sua casa. Seu nome era Sebastian e ele tinha um domínio sobrenatural sobre as plantas e flores. Pouco se conhecia sobre ele e suas origens, e o mistério em torno do rapaz intrigava a todos, especialmente Eleanor.

 

As empregadas adoravam o rapaz, que a custo descobriram se chamar Sebastian. Já os empregados ficavam se perguntando pelos cantos o porquê de tanta comoção. Era pelo sotaque ou pelos olhos verdes claros? Era o modo como andava ou como olhava para as coisas mais bobas com curiosidade?”

Sebastian é um mistério também para nós, leitores. Mesmo ao final do livro muito sobre o personagem fica sem explicação. Mas isso, contudo, não compromete a história. O jardineiro muda a percepção de Eleanor com o mundo. Embora ela tenha vivido uma vida normal, se casado, tido um filho, sua forma de encarar a realidade foi profundamente transformada por Sebastian. Ele apresentou a jovem sensações e sentimentos diferentes, mudando a sua existência.

 

A Casa de Vidro é um bom livro, com uma história repleta de sensibilidade e fantasia. Destaco o trabalho da Dame Blanche com a edição, que é lindíssima. Vale a pena a leitura.

 

 

 

Sobre a autora: Anna Fagundes Martino é escritora. Nascida em São Paulo em 1981, é mestre em Relações Internacionais pela University os East Anglia (Inglaterra). Teve trabalhos já publicados em revistas como a britânica Litro e interpretados na Rádio BBC World. A Casa de Vidro é sua primeira noveleta em português.

 

Saiba mais sobre a editora Dame Blanche aqui.

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