outubro 11, 2018

[RESENHA] O QUE É FASCISMO? E OUTROS ENSAIOS, DE GEORGE ORWELL

Sinopse: “Romancista celebrado pelas distopias de 1984 e A revolução dos bichos, George Orwell também foi um prolífico repórter e colunista. Entre as décadas de 1930 e 1940, o autor de O que é fascismo? colaborou em diversos veículos da imprensa britânica. Nesta coletânea de 24 ensaios publicados em revistas e jornais, Orwell explora um amplo espectro de assuntos, sempre perpassados pela política, sua principal obsessão intelectual e literária. Com temas que variam de Adolf Hitler à pornografia, de W. B. Yeats a O grande ditador, os textos selecionados pelo jornalista Sérgio Augusto compõem um inteligente mosaico das opiniões de Orwell durante o período crítico da Segunda Guerra Mundial e do início da Guerra Fria. Com sua visão irônica do mundo conflagrado da época, os ensaios demonstram a potência criativa do “socialismo democrático” adotado pelo escritor como credo político após sua experiência na Guerra Civil Espanhola, em contraposição aos totalitarismos de esquerda e de direita então em voga.”

 

A não ser que você viva em uma bolha sem acesso à internet (se vive, talvez eu lhe inveje por isso), terá de concordar comigo que uma das palavras mais repetidas nas últimas semanas é fascismo. Longe de ser um simples xingamento (como algumas pessoas talvez pensem), ou ser de simples compreensão, uma vez que o substantivo tende a se moldar de acordo com época e o lugar, o termo “fascismo” motivou a única leitura que eu consegui fazer nesses dias de fervor eleitoral.

Os dicionários definem o fascismo como uma forma autoritária de governo (ditadura), em que prevalecem os conceitos de raça e nação sobre os valores individuais. Trocando em miúdos: uma forma de governo que privilegia certa camada da sociedade tida como maioria.

Fui atrás do livro de Orwell procurando por respostas, motivada pelo título da coletânea de ensaios. Felizmente, terminei o livro sem soluções mágicas e sim com muitas perguntas. Digo felizmente, porque há muito tempo eu percebo as perguntas como mais valiosas que as respostas, sobretudo as prontas, feitas para serem engolidas forçadamente goela abaixo. As perguntas movem o mundo, nos empurram para frente. Não há espaço para comodismo no questionamento.

No ensaio que dá nome ao livro, O que é fascismo?, George Orwell também se questiona. Segundo o autor, talvez essa seja a pergunta mais importante — e não respondida — de sua época. O ensaio, como os outros que integram essa coletânea, foi escrito na década de 1940 e é um doloroso espelho para o nosso mundo de hoje, em pleno século XXI, 2018. Ainda não conseguimos aprender o que é realmente o fascismo e suas consequências reais na vida das pessoas. De todas elas.

Para se ter uma ideia, neste livro George Orwell fala sobre fronteiras cada vez mais fechadas; esquerdistas que até “militam”, mas não seriam capazes de abrir mão de alguns privilégios em prol do bem comum de todos; do poder — para o bem ou para o mal — da propaganda; do mercado literário e da crítica literária, com suas resenhas viciadas e direcionadas pelas grandes editoras, além da crítica à confusão entre posicionamento político e qualidade literária. Quem é de esquerda só é bom se escrever sobre temas que a esquerda gosta? Além das muitas perguntas que abrem caminho para uma reflexão aprofundada sobre a realidade da época em que foram escritos os textos do autor de 1984 — e também sobre a nossa época, — aqui você também aumenta consideravelmente a sua lista de leitura com algumas resenhas literárias feitas pelo autor.

O que é  fascismo? E outros ensaios é uma coletânea para quem gosta de refletir sobre a história, sem medo de autocrítica. Não leia se você for do tipo sangue nos olhos e faca nos dentes quando o assunto é sério como política. Porque quando falamos de política não é só o que eu gosto ou desejo. Não é sobre manter privilégios em detrimento da fome de alguém ou sequer ter o esforço de todo dia ter um pouquinho mais de empatia. Não é sobre ganhar ou perder. Porque quando é assim, todos nós já perdemos.

 

 

 

Título: O que é fascismo? E outros ensaios

Autor: George Orwell

Tradução: Paulo Geiger

Organização e Prefácio: Sérgio Augusto

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 160

Compre na Amazon: O que é  fascismo? E outros ensaios

 

 

Veja também: trecho do filme “O grande ditador”, tema de um dos ensaios do livro “O que é fascismo? E outros ensaios”:

 

outubro 05, 2018

[RESENHA] TENTE OUTRA VEZ, DE FABIANO JUCÁ

Sinopse: “E se uma música fosse a chave de comunicação entre dois mundos? Um convite para esta obra de gênero híbrido entre a ficção científica, o espiritual e o drama.

Tente Outra Vez é sobre a brevidade da vida. Sobre como a vida é breve e bela. Bela em sua brevidade e breve em sua beleza. Não espere por dias melhores. Faça de hoje o seu melhor dia.
Tente Outra Vez é sobre a aceitação do inevitável, é sobre a superação da dor. É sobre, principalmente, o amor. Sobre o amor e sobre amar. Ame incondicionalmente.

Uma história surpreendente. Uma grande reviravolta. Uma jornada de autoconhecimento e superação. Solomon, às voltas com problemas no casamento, se vê, em dado momento, num mundo onde sua esposa e sua filha… nunca existiram. É nesse ponto que começa sua batalha, com a ajuda de um velho tagarela e risonho chamado Amit, que mais atrapalha que ajuda.

Tente Outra Vez é nome de uma música de Raul Seixas, e a letra dela dá o tom da luta de Solomon.

Venha se encantar e se apaixonar por uma história verdadeiramente de amor!”

 

QUE. LIVRO. INCRÍVEL. Eu sei que essa é uma forma bastante estranha para se começar uma resenha, mas cá entre nós, minha intenção aqui é, quase sempre, fazer com que você parta o quanto antes para a leitura e não perca muito tempo comigo (é sério!). Tente Outra Vez, do escritor paranaense Fabiano Jucá foi uma das melhores leituras que eu fiz neste ano. É um livro curto, com uma trama muito envolvente e um enredo diferente. O leitor logo percebe que está diante de uma ótima ideia e que ela foi muito bem desenvolvida.

Solomon é uma pessoa que em determinado momento da vida sente-se cansado. A rotina, nós pobres mortais que somos casados e batemos ponto diariamente sabemos muito bem, pode ser bem estressante. Certo dia, em uma viagem com sua esposa e filha, ele estaciona o carro em uma lanchonete de beira de estrada para dar uma pausa após algum tempo de rusga com a esposa e sente uma coisa estranha, uma fraqueza. Passado o mal estar, qual não é a surpresa de Solomon ao perceber que sua família havia sumido! Não havia rastro da esposa ou da filha, sequer uma prova que elas realmente existiam.

A partir desse susto, Solomon embarca em uma jornada de autoconhecimento e nós viajamos com ele, afinal, temos dois pés para cruzar a ponte. Prepare-se para ter a voz de Raul Seixas ecoando em sua mente ao longo da leitura — e também depois dela — pois Tente Outra Vez (a música) é muito marcante nesta novela.

 

 

Tente Outra Vez é uma obra híbrida que une o melhor de todos os temas a que se propõe: é ficção científica, mas é acessível; é espiritual, mas não é doutrinadora; e é drama, mas tem pitadas muito assertivas de humor. Particularmente, incluiria também o gênero filosófico. Em dado momento percebi que a história de Solomon conversa muito com o livro Ei! Tem Alguém Aí?, de Jostein Gaarder. Aliás, Tente Outra Vez transmite tantas lições, de forma tão despretensiosa, que Gaarder ficaria confuso se pudesse ler um livro que parece dele, mas foi lindamente escrito por um brasileiro.

“O que é a loucura afinal? Viver coisas que não existiram é loucura? Os loucos realmente existem? Perceba: o mundo é feito de perguntas, muito mais que de respostas. Para cada resposta, podemos formular um número infinito de perguntas. Será mesmo que você quer respostas?”

 

Com a leitura, tive reforçada a convicção de que o amor é o que temos de mais belo e importante na vida e de que todo dia é dia de respirar fundo e pensar alguns segundos antes de ter uma discussão banal com alguém, pois cada minuto conta e pode ser definitivo. Temos mais facilidade para falar algo que magoa do que simplesmente fazer um elogio ou dizer um “eu te amo”, já percebeu?

Cada página de Tente Outra Vez foi uma descoberta. Garanto que vai ser assim quando você embarcar na estrada com Solomon.

 

“Cometemos muitos erros, o tempo todo. Não estamos livres. Não crescemos sem errar. E quem vive em função de não errar, já erra exatamente aí, pela covardia e omissão diante da vida.”

 

 

*** Não posso falar de Amit (ver sinopse) sem dar spoilers significativos sobre a obra. Mas estou sempre disponível nos inbox da vida para comentar algo que precisa ficar de fora da resenha pelo bem da sua leitura e do meu pescoço.

 

 

Título: Tente Outra Vez

Autor: Fabiano Jucá

Editora: Independente

Páginas: 113

Compre na Amazon (gratuito para assinantes Kindle Unlimited): Tente Outra Vez.

Disponível em formato físico para compra direto com o autor.

outubro 03, 2018

[CATARSE] O Crime da Quinta Avenida, de Anna Katharine Green

 

Se você, assim como eu, é fã de literatura policial, não pode perder essa novidade: a Monomito Editorial e a escritora Cláudia Lemes estão preparando a primeira edição brasileira do bestseller da mãe da literatura policial! Vem aí O Crime da Quinta Avenida, de Anna Katharine Green:

 

CROWDFOUNDING VAI PUBLICAR NO BRASIL ESCRITORA QUE INVENTOU O ROMANCE POLICIAL MODERNO

Autora americana foi inspiração para os britânicos Agatha Christie e Artur Conan Doyle – o pai de Sherlock Holmes

 

Anna Katherine Green vai renascer num financiamento coletivo que promete balançar o mercado editorial. A escritora americana icônica dos romances policiais, famosa em sua época e esquecida pelo tempo, vai ter seu romance de estreia relançado no Brasil: The Leavenworth Case: A Lawyer’s Story. Escrito há 140 anos, O crime da quinta avenida, foi o primeiro livro de mistério que convidou o leitor a desvendar um assassinato junto com o detetive.

O financiamento coletivo será feito através do Catarse e está sendo organizado por uma parceria entre a jovem editora Monomito Editorial e a tradutora e autora Cláudia Lemes, uma das escritoras de romances policiais mais importantes da literatura brasileira da atualidade. A capa foi desenha pelo estúdio da ProjectNine que escondeu easter eggs para proporcionar desde o princípio a experiência de mistério e investigação ao leitor.

O estilo de escrita de Green foi tão marcante em seu primeiro romance que arrebatou fãs em diversos países. Naquela ocasião ela se tornou referência para escritores de todo o mundo, tendo entre seus fãs o britânico Arthur Conan Doyle, o pai de Sherlock Holmes, que viajou para conhecer a escritora americana. Outra fã foi ninguém mais ninguém menos que Agatha Christie.

Entre os elementos criados por Green – e que são usados à exaustão por livros, filmes e séries de televisão – destacam-se: um detetive experiente que suspeita de “todos e de ninguém”, um jovem apaixonado pela mulher cuja evidência aponta como culpada e tentando provar que não é ela a assassina, o uso de lógica e técnicas forenses para encontrar o culpado (pedaços de cartas, testemunhas desaparecidas) e técnicas de escritas de mistério que oferecem pistas – muitas falsas – para que o caso seja investigado também pelo leitor. Além disso, Ebenezer Gryc,e se tornou o primeiro detetive serial da literatura

Green escreveu “O Crime da quinta avenida”, escondida, durante seis anos, enquanto cuidada de seus três filhos.  A obra foi publicada quando ela tinha 32 anos.

 

Sinopse

O rico homem de negócios Horatio Leavenworth foi assassinado dentro de sua mansão com um tiro. Ele deixou uma grande fortuna e duas sobrinhas, e uma delas, Eleanore, se torna a principal suspeita ao ser revelado que ela não herdaria os bens do tio. A incumbência de descobrir o assassino e o motivo do crime recai sobre o investigador Ebenezer Gryce que usa inteligência e capacidade de dedução, acima da média, para juntar pistas e revelar segredos. Em paralelo, o jovem advogado Everett Raymond decide conduzir sua própria investigação com o intuito de provar a inocência de Eleanore, a mulher por quem se apaixonou.

Saiba mais sobre a vida de Anna, a obra, este projeto e a equipe por trás dele clicando aqui. Você já pode apoiar o projeto clicando aqui. 

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