junho 02, 2017

[LANÇAMENTO] A ESTRANGEIRA, DE CHIRLEI WANDEKOKEN

Sinopse: “Casamentos entre primos eram tradicionais entre duas nobres famílias inglesas. A aliança, que havia começado há muitos séculos a fim de fortalecer a família inglesa contra um clã escocês, agora incomodava o atual conde de Northumberland. Quando ele achava que este era seu maior problema, chega à casa do Lago Green, em Alnwick, a sobrinha de um falecido escudeiro de seu pai.

Na primeira metade do século XIX, na Prússia cheia de guerrilhas, uma jovem sem meios aceita se casar sem amor. Mas no dia do casamento algo terrível acontece. Forçada a viver em cativeiro, ela foge para a Inglaterra à procura de seus parentes. Porém, nada é como ela esperava. Não havia tia, nem tio e nem primos à sua espera. O encontro entre Eliza e o cavalheiro que herdara de seu antepassado, além do apelido, o ímpeto e a beleza, vai desenterrar antigos segredos, pois fala-se no condado que os membros do clã inglês, além de terem a estranha tradição de se casarem com primos, no passado casavam-se com seus próprios irmãos. Inspirado na Batalha real de Otterbourne, A Estrangeira, 340 páginas, narra duas histórias de amor que, embora separadas por 442 anos, se entrelaçam num verdadeiro turbilhão de emoção e mistério.”

 

Já está disponível no site da Pedrazul Editora o livro A Estrangeira, de Chirlei Wandekoken, sucesso entre os e-books de romances históricos na Amazon! Este livro é o primeiro da série independente O Quarteto do Norte e será o único a ser vendido em versão impressa. Adianto que é uma leitura riquíssima; em breve falarei mais sobre a história aqui no blog!

 

Confira abaixo um trecho de A Estrangeira:

Prólogo

O herdeiro Northumberland

 

“O caráter não é esculpido em mármore, não é algo sólido e inalterável. É vivo e mutável, pode adoecer como adoece o nosso corpo; da mesma forma pode regenerar-se.” [1]

 

Londres, Inglaterra, outubro de 1830.

 

O dia amanheceu enevoado. A paisagem normalmente acinzentada de Londres, ainda mais densa, estava coberta por uma nuvem espessa de poeira que se elevava do trepidar dos cascos dos cavalos; ou seria neblina, ou mera ausência de luz tão comum à cidade negra? O chilrear dos pássaros, normalmente tão constante ao longo do Temple Gardens, estava retraído; as árvores, embora um vento débil soprasse em suas folhagens, teimavam em sua rigidez, como se congeladas. Ou, talvez, o espírito do passante estivesse sombrio a tal ponto que nada via, senão um reflexo de si mesmo em cada olhar cabisbaixo, cada cumprimento sisudo, cada cor lúgubre. Tão diferente dos dias ensolarados de outrora, quando, apesar da chuva que caía em rajadas, deixando tudo encharcado, seus olhos haviam estado tão acesos por uma luz vinda de algum lugar, não sabia exatamente de onde.

A carruagem do nono conde de Northumberland, conhecido em Londres por lorde Hotspur, puxada por quatro parelhas de Norfolk Trotter, cruzava a Trafalgar Square velozmente rumo ao extremo norte da Inglaterra. O retorno apressado para Alnwick, um vilarejo situado quase na divisa com a Escócia, dava-se por conta de uma mensagem de Mr. Dornford, o administrador de suas terras, na qual ele se dizia preocupado com uma situação constrangedora e inesperada que fugia de seu controle e de sua alçada.

O conde, após retirar a carta do bolso de sua casaca, pôs-se a relê-la:

 

Alnwick, 3 de outubro de 1830.

Sua Senhoria,

Sinto informar que John Baker morreu há quatro dias, como o médico havia previsto, já que seu estado de saúde era grave, e a idade avançada não ajudava. Eu não o incomodaria apenas por esse fato, pois Sua Senhoria, mesmo não tendo nenhum parentesco com o velho rendeiro, fez tudo o que estava ao seu alcance para tratar de sua doença. Mas, o que me preocupou foi a chegada, há dois dias, de uma dama estrangeira que se diz sobrinha dele, uma jovem bonita demais para viver sozinha, sem acompanhante, sem meios, naquela cottage à beira do lago Green, totalmente à mercê dos perigos que, o conde sabe, ela está correndo. Ela virou o assunto do condado e como o oitavo conde, seu pai, tinha alguma ligação afetiva com John Baker, talvez o lorde queira tomar alguma providência.

Cordialmente, Mr. Dornford.

 

Lorde Hotspur chegara à cidade havia uma semana e pretendia passar todo o inverno em Londres para se afastar de Alnwick Castle, impregnado de uma mórbida tristeza depois da morte de sua mãe, a lady que nascera Margaret Neville e se tornara a condessa de Northumberland pelo casamento.

Ninguém esperava que ela morresse tão precocemente, tendo em vista sua aparência saudável. Era uma mulher que estava o tempo todo fazendo alguma coisa pelo povo do condado, sempre disposta a ajudar, fosse a um rendeiro, fosse à esposa de algum fazendeiro, talvez para suprir a negligência de seu próprio marido para com seus vassalos. O fato é que, embora uma nuvem de tristeza sempre perpassasse seus olhos, a condessa estava lá, à disposição de alguém cuja tristeza fosse menos profunda que a dela, aquele tipo de dor que reside na subsistência humana, na falta de carvão e agasalho para suportar o rigoroso inverno do Norte; ou na carência de assepsia, o que a levava às moradias mais simples para orientar e ajudar a manter a doença longe de seus chalés; e até na assistência financeira, socorrendo todos que tinham, conforme sua rede de informantes, algum tipo de necessidade. Assim, o condado era permanentemente assistido por ela ou pelo próprio lorde Hotspur. Sua morte inesperada, por isso mesmo, tinha sido uma verdadeira tragédia, sentida não somente pela nobre família Percy Northumberland, mas pelos mais humildes habitantes de Alnwick.

Nem bem tinham assimilado a perda da condessa, outro trágico acontecimento, dois meses depois, marcaria a família Percy: o oitavo conde também falecia durante uma de suas inúmeras viagens. Hotspur nem sabia onde seu pai se encontrava na ocasião, pois esse costume era comum ao velho conde. Dizia que ia para Londres e de lá partia para o continente e para outros países. Assim, passava meses em seu ostracismo voluntário. Havia tempo deixara por conta de Hotspur, filho mais velho e herdeiro do título, a incumbência de administrar as propriedades da família. Dessa vez, para a surpresa de todos, o desregrado conde tinha ido parar na Índia. Segundo um amigo que o acompanhava na comitiva, ele contraíra uma febre e morrera de repente. Curiosamente, sem saber que havia ficado viúvo, pois a família não soubera para onde enviar a carta informando-lhe a respeito.

Com tantas perdas – embora a da condessa fosse a mais sentida –, lorde Hotspur sentia-se muito abatido.

Seus planos, quando chegara a Londres naquele período mais agitado da cidade, tinham sido o de permanecer ali por algum tempo, pois pretendia ver lady Neville. Precisava voltar a conhecer a prima — sua prometida noiva —, pois, afinal, já que se casaria com ela, deveria haver pelo menos uma simpatia entre os dois. Sua intenção era aproveitar os bailes da temporada para tentar criar essa ligação. Quem sabe ela tenha ficado menos magra e menos aborrecida, tinha pensado. Uma coisa era certa: não podia mais adiar o casamento, algo que vinha fazendo havia anos, e isso o exasperava, pois odiava ter que fazer aquilo que não desejava, sobretudo algo que tinha de fazer por obrigação. E, decididamente, ele não queria se casar. Contudo, a prima, com 23 anos, estava ficando velha, segundo lorde Neville, o barão, pai da moça e seu tio por parte de mãe. O futuro sogro tinha-lhe mandado uma carta, logo após a morte de seu pai, chamando-o à responsabilidade de gerar o próximo conde de Northumberland. Mas ele conhecia a real intenção do barão: fazer cumprir o acordo de casamento selado com o oitavo conde.

Havia séculos os Percy casavam com primos. Assim, a aliança entre eles e a família Neville era muito antiga. Sua mãe fora uma Neville antes de se tornar condessa de Northumberland e, em honra à palavra do seu pai, ele teria que desposar a prima. Era uma situação estranha, já que havia passado toda a sua infância com ela – ele um jovenzinho e ela uma criança – pois o clã Neville morava próximo a Alnwick Castle. Quando ela se tornou uma jovem dama, o barão se mudara com a família para Londres, época em que ele estava na guerra e depois em Oxford. Dessa forma, ainda não conhecia a lady Neville adulta, embora a figura da feia e enfadonha menina sardenta de outrora estivesse impregnada, repulsivamente, em sua mente. A imagem que ele tinha dela não podia ser pior: monótona, estreita, fina, achatada e desinteressante. Só de pensar em ter de sentar-se à mesa todos os dias com uma insossa criatura, como a que imaginava, deixava-o de mau humor.

Fizera a cansativa viagem de quatro dias do Norte a Londres para atender a um convite de seu amigo de infância, o duque de Prudhoe. Não viera apenas para uma festa em Prudhoe House, como nos velhos tempos. Havia-se agarrado a esse pretexto para se afastar por alguns meses do ambiente fúnebre de Alnwick. Perder os pais, quase ao mesmo tempo, havia sido um golpe bastante duro, até mesmo para o forte e impetuoso lorde Hotspur. Embora estivesse aborrecido com o tio barão, pois este havia mexido com sua honra quando o chamara a cumprir a palavra, mesmo que essa não fosse sua e sim uma maldita tradição da família da qual ele agora era o senhor, Hotspur estava curioso para reencontrar o amigo. Prudhoe havia voltado recentemente de uma longa lua de mel, que durara um ano. Sim, tinha que admitir, a despeito do tio, que existia alguma curiosidade em rever o duque e a duquesa, ouvir o que o amigo tinha a lhe dizer sobre o casamento, já que em breve ele mesmo seria um respeitável homem casado. Praguejou.

Hotspur e Prudhoe eram amigos desde bem pequenos. O conde não conseguia se lembrar de nenhuma parte de sua existência, pouco mais de trinta anos, da qual o duque não fizesse parte. Contudo, de todas as épocas, a fase, cujas recordações eram mais vívidas, era a dos seus 18 anos, exatamente o período que compreendia os momentos vividos na guerra. Depois disso, Prudhoe tinha ganhado mais um irmão. Mas, como acontecia entre os irmãos, o duque, às vezes, voltava a ser o dandy irresponsável da juventude, e extrapolava a paciência até de um santo. E ele, certamente, não podia ser chamado de imaculado.

Vociferou ao recordar-se da festa promovida pelo amigo. Aquela última troça não tivera graça nenhuma! Convidar mademoiselle Duplessis para cantar em Prudhoe House fora de um terrível mau gosto. Madame Marie Duplessis! Já se haviam passado dez anos do envolvimento dos dois em Paris, assim como da briga que ele tivera com lorde Davy, o conde de Douglas. Não que a cantora francesa tivesse a mínima importância para ele agora, mas se lembrar do maldito conde escocês sempre o enfurecia, pois as duas famílias eram inimigas ancestrais. Lorde Davy tinha-lhe tomado a moça para se vingar dele, pois sabia do affair entre eles. Mas, vindo de um Douglas, ele já esperava por aquilo. O pior fora Marie Duplessis achar que ele estava disposto, dez anos depois, a tomá-la como amante novamente! Com certo ar de desdém, ele se recordou do que ela havia-lhe dito, quando o encontrou em Prudhoe House.

– Lorde Northumberland! Os anos apenas lhe beneficiaram. Está ainda mais atraente agora que é um homem feito! Quando encontrei o duque de Prudhoe, em Paris, e ele me convidou para cantar em sua casa, eu tinha muita expectativa de revê-lo. Desmarquei vários compromissos para estar aqui, pois ainda sinto que ficou um mal-entendido entre nós…

– Como vai, madame? – Hotspur respondeu, beijando-lhe a mão. O frio cumprimento não foi o que ela esperava. O que ela queria? Na época ele era apenas um moleque recém-saído de Oxford numa viagem pelo continente com seus amigos, e com seu inimigo.

– O duque me disse que agora é o nono conde de Northumberland, portanto, mais cobiçado ainda – ela disse, pousando a mão direita no largo peito do conde.

– Sua Graça, o duque, fala demais – ele retrucou, rispidamente.

Marie Duplessis tinha lhe arrastado para um escritório, colocado as duas mãos em seu pescoço, e encostava seu voluptuoso corpo ao dele. Todavia, quando ele olhava para ela, lembrava-se de lorde Davy, e isso era um problema, porque sentia uma estranha repulsa visível nos seus expectantes olhos verdes. Não que ela não fosse atraente, ainda era e muito, mas por causa daquela mulher ele nunca mais confiara em nenhuma outra. Quando ela levou a mão às suas calças, ele afastou-a educadamente.

– Onde está o famoso lorde Hotspur, aquele fogoso jovem que eu conheci em Paris? – ela perguntou, com sua sensual voz soprano. Era a mesma que ela usara com o jovem lorde no passado, mas não funcionava mais. Marie Duplessis olhou-o com seus olhos verdes suplicantes e ergueu os lábios cheios e rosados. Ele, contudo, se esquivou.

– Madame, creio que na época eu não lhe expliquei que herdei esse apelido de um parente medieval, por alguma proeza idiota que eu fiz na guerra. Naquela idade, o imbecil jovem até gostava de ostentá-lo, a fim de atrair jovens mademoiselles para a cama, mas hoje, confesso, dei-o ao meu cachorro. Portanto, já deve imaginar que ser chamado de lorde Hotspur não me anima mais.

Ele suspirou, soltando uma imprecação. Sua atitude fora rude demais, mas tinha ficado enfurecido com a brincadeira de Prudhoe e do duque de Belvoir, como ele ficou sabendo depois. Talvez, em outra época, isso não o tivesse incomodado, com certeza, não, mas naquele momento ele estava destroçado pelas perdas familiares, pressionado para casar pelo tio e, agora, por um terceiro aborrecimento. Reagira, assim, como o indomável Hotspur.

O duque de Prudhoe, que havia pouco mais de um ano tinha caído de paixão por uma pobre ama e quebrado todas as regras da sociedade inglesa ao se casar com ela e fazê-la duquesa, parecia decidido a fazer dele, o conde Hotspur, o próximo escândalo de Londres. Isso estava deixando o seu tio, lorde Neville, desesperado. Afinal, se o grande duque de Prudhoe tinha enfrentado a família, a sociedade e seguido seu fraco coração, o implacável conde poderia ser influenciado a também fazer uma asneirada daquela. O duque, mesmo ciente da pressão que o amigo sofria, decidira armar aquela brincadeira, juntamente com Belvoir, como se eles fossem os antigos jovens irresponsáveis estudantes de Oxford. Lorde Hotspur deixaria Prudhoe House sem ao menos se despedir do velho amigo.

Desde que chegara a Northumberland House tinha tido um aborrecimento atrás do outro e estava em seus piores humores, algo não muito difícil de acontecer, pois era imperioso por natureza. Além da pressão férrea por parte do tio, uma carta de uma antiga protegida tinha lhe deixado exasperado. A dama alegava ser ele o pai do bastardo que esperava, o que sabia ser impossível, pois havia mais de um ano que ele ordenara a Kaufmann, seu secretário, que enviasse a ela uma joia de despedida. Perdera o interesse por ela desde que a encontrara nos jardins de Vauxhall com o conde de Douglas, o qual estava, novamente, seguindo o seu rastro. Ele se perguntava quando se veria livre dele, mesmo tendo-lhe presenteado com um enorme favor, pois a jovem, Lillie Langtry, já não o prendia mais. Suspirou novamente. Estava cansado das Lillies e das Maries. Jamais admitiria isso para Prudhoe, aquele grande falastrão, mas o invejava. O duque tinha enfrentado tudo e se casado com quem quis. Já ele tinha que se casar com lady Neville, que agora o atraía tanto quanto Marie Duplessis.

Odiava aqueles pensamentos. A culpa era de Sir Percy que havia introduzido no sangue da família aquele ímpeto romanesco. O guerreiro tinha que morrer por causa de uma mulher?! Tanto motivo mais nobre, mas não, o cavalheiro tinha que estragar todo o restante da raça Percy Northumberland!

Recostou-se no assento e olhou para a janela da carruagem. Dias e mais dias de viagem! Hospedagens frias, camas bolorentas e solidão. O dia, de fato, estava frio e cinzento como o seu humor. Ainda levaria horas para chegar a Alnwick e nenhum estímulo, apenas mais problemas. De onde tinha saído a tal estrangeira que Mr. Dornford havia falado? O que faria com ela? Levá-la para Alnwick Castle sem acompanhante? Isso só geraria mais mexericos, afinal, ele não era nenhum modelo de comportamento. Ia devolvê-la ao seu reino e pronto. Cada nação com seus problemas e ele já tinha os dele.

As rodas da carruagem já tocavam o solo do Norte, cada vez mais frio, cada vez mais escuro, e uma irritação tomava conta dele, deixando-o sombrio. Seus pensamentos eram profundos e consternados.

É angustiante perceber que a vida não passa de alianças, de obrigações com o clã, e, se decidir quebrar isso, esse sentimento de culpa me acompanhará para sempre. O sentimento da desonra. Quando observo os estreitos limites em que me encontro, encerrado entre o dever e os vãs prazeres das amantes, que já não mais me satisfazem; quando vejo que o objetivo de todos os meus esforços é prover a honra do nome da família, a palavra dada por meu pai, que por si mesma não tem outro fim senão prolongar uma aliança de interesses e vaidades, e que por consequência rouba toda a minha paz… Se aceito sem lutar, o que não faz parte de meu ímpeto de guerreiro – por isso essa tortura – serei um resignado homem casado em poucos meses. Mas, o que estou querendo? Afinal, tudo não passa de uma resignação pela honra que, aliás, não é nem minha, pois, se fosse, não seria tão questionada. Sinto-me um prisioneiro de uma ancestral imbecilidade e tudo isso me reduz a um silêncio irado. Olho para dentro de mim mesmo e vejo um homem, cheio de mitos, pressentimentos e vagos desejos de que a realidade fosse luminosa e cheia de algo que eu não sei bem o que é, mas queria apenas que tivesse cor. Pelo amor de Deus, que tivesse cor! Acho que o Norte está congelando a minha limitada existência; vou me arrastando dia após dia, de inverno a inverno, olhando as folhas caírem, inebriado pela bebida, sob a falsa alegação de conforto. Algo precisa mudar, essa revolta tem que ser subjugada. Vou me casar com lady Neville e parar de lutar com o que não pode ser evitado.

Foi quando lorde Hotspur a viu atravessando a rua. Ela e o cão. Os cabelos mal trançados, desgrenhados, caíam sobre os ombros e eram jogados no rosto pelo vento. Ela sacudia a cabeça para tirá-los da sua visão. Trazia uma cesta na mão, uma simplicidade desconcertante, coloridamente intrigante, diferente de tudo que ele já vira.

Ele gritou com o cocheiro para que parasse. Quem seria aquela moça? Que vestido estranho, mas que encanto! O andar! Ela não tem noção do poder que possui!

[1] ELIOT, George, Middlemarch.

 

 

SOBRE A AUTORA: Chirlei Wandekoken é jornalista e coordena a área editorial da Pedrazul Editora, da qual foi idealizadora, juntamente com seus sócios. É apaixonada pelos livros desde criança e, atualmente, a sua preferência literária, além dos clássicos ingleses, são os romances de época e os históricos. Além de A Estrangeira, o primeiro livro da série independente O Quarteto do Norte, é dela também os demais livros da série: A Ama Inglesa, Um Cocheiro em Paris e Fronteira da Paz. A autora possui mais dois romances publicados, ambos contemporâneos, cujos enredos se passam no Brasil: Por Trás da Escuridão e O Vento de Piedade.

 

Na próxima semana falarei sobre os outros títulos da série O Quarteto do Norte, não perca!

maio 31, 2017

[ETC.] DESAFIO #12MESESDEPOE MAIO E DIÁRIO MEDO CLÁSSICO

“Todos os gatos pretos eram bruxas disfarçadas.” (Edgar Allan Poe em “O Gato Preto”)

 

Diferente da leitura do mês passado, o conto escolhido para maio esteve mais de acordo com o que espero lendo Edgar Allan Poe: morbidez e suspense até a última palavra!

O Gato Preto foi publicado originalmente em 1843 e ressalta o misticismo em torno dos felinos de cor preta, que seriam reencarnação de bruxas, na visão de um dos personagens deste conto. O narrador, que antes era uma pessoa pacífica, amante dos animais, foi mudando gradativamente de personalidade após adotar o gato preto. Por culpa do alcoolismo, ele também se torna uma pessoa violenta, agredindo fisicamente a esposa e os outros animais de estimação. O gato, Plutão, foi poupado das agressões até o dia em que arranhou o dono. A culpa é a peça chave deste conto, o desencadeador de todos os (mórbidos) acontecimentos. No livro Medo Clássico, publicado pela editora DarkSide, ele pode ser lido a partir da página 85.

 

 

“Mas amanhã estarei morto, e hoje preciso remover este fardo de minha alma.” (p. 85)

 

“Há algo de altruísta e abnegado no amor de um animal que toca o coração daquele que pôde testar amiúde a amizade precária e a fidelidade leviana dos Homens.” (p. 86)

 

Saiba mais sobre o livro Medo Clássico: Edgar Allan Poe clicando aqui e aqui.

 

Veja abaixo o curta de animação baseado em O Gato Preto, criado por Vít Přibyla and Noemi Valentíny:

 

Além de O Gato Preto, em maio o desafio #12mesesdepoe também propôs a leitura do poema O Corvo, uma das obras mais conhecidas de Edgar Allan Poe! No livro Medo Clássico temos, além da versão original, em inglês, as traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa. Enriquecendo ainda mais a leitura, o texto A Filosofia da Composição, em que Poe disserta sobre sua obra mais ilustre.

 

Neste mês, diferente dos outros, ao invés de transcrever o poema, deixarei os vídeos com as narrações incríveis de Guto Russel. Prepare-se!

 

O Corvo, tradução de Machado de Assis (1883):

 

O Corvo, tradução de Fernando Pessoa (1924):

 

 

Quer ler essas traduções maravilhosas de O Corvo? Baixe gratuitamente o e-book da Editora DarkSide! É só clicar aqui.

“Desaparecido precocemente aos 40 anos, Edgar Allan Poe já ultrapassou dois séculos de seu nascimento em posição privilegiada, responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Esta edição gratuita em e-book reúne o seu poema mais famoso, “O corvo”, em sua versão original, junto com as clássicas traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa, e uma análise de Poe feita por Charles Baudelaire, seu tradutor e um dos principais divulgadores de sua obra na Europa, acompanhadas das ilustrações de Édouard Manet.”

 

 

 

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maio 29, 2017

[LANÇAMENTO] ANNE DE AVONLEA, DE LUCY MAUD MONTGOMERY

 

Já está em pré-venda no site da Pedrazul Editora, Anne de Avonlea, o segundo livro de Lucy Maud Montgomery que originou a série da Netflix Anne With an E. No total são oito livros e a Pedrazul lançará todos eles! Há ainda a previsão de uma segunda edição do primeiro livro, Anne de Green Gables, atualmente esgotado no site da editora.

 

 

Saiba mais sobre Anne de Avonlea:

Sinopse: Desde que chegou a Green Gables, como uma menina órfã, Anne Shirley conquistou o amor da população de Avonlea e a reputação de se meter em confusões. Agora com de 16 anos, sentindo-se quase adulta, suas aventuras continuam a emocionar e a divertir o leitor. A jovenzinha de olhos acinzentados e cabelos ruivos, tão apimentados quanto o seu temperamento, é a nova professora da escola municipal, e, por ser pouco mais velha que seus alunos, a realidade de seu trabalho torna-se um verdadeiro teste para seu caráter. Além de ensinar gramática e ortografia, Anne passa a entender como a vida pode ficar complicada quando ela interfere no romance de seus amigos, e quando começa a questionar o estranho comportamento do charmoso Gilbert Blythe.  Seu espírito irrepreensível e sua imaginação vibrante com frequência a colocam em divertidas travessuras e confusões, e sua incessante busca por ‘almas gêmeas’ a coloca em contato com novos e adoráveis personagens. Nesta clássica sequência de Anne de Green Gables, a autora mais uma vez descreve suas memórias juvenis da Ilha de Príncipe Edward, ao retratar a antiga vila de Avonlea, situada entre as belezas naturais da costa canadense. Apesar de Anne e seus amigos habitarem épocas antigas, quando ainda eram utilizadas lamparinas e charretes, os sonhos para o futuro, as sublimes aspirações, e visões românticas fazem de Anne uma heroína para todas as idades e de todos os tempos. Desde a estreia de Anne em 1908, gerações de leitores ao redor do mundo cresceram na companhia da jovem moça de olhos vivazes e cabelos brilhantes que repete o tempo todo: “por favor, diga que são acobreados, não ruivos”

 

Ficha técnica: Tradução de Tully Ehlers. Entrega prevista para 30 de julho. 240 páginas, brochura, formato 16 x 23 cm, miolo em papel pólen soft 80g.

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