outubro 26, 2018

[RESENHA] LAZARILLO DE TORMES E O ROMANCE PICARESCO

 

Sinopse: “Narrativa anônima do século XVI, Lazarillo de Tormes é um marco no panorama da literatura universal, sendo considerado o fundador do romance picaresco. Divertida e por vezes comovente, a história do garoto Lázaro e de sua luta pela sobrevivência possui também um alto teor de crítica social, o que faria com que o livro fosse proibido pela Inquisição.”

 

Lazarillo de Tormes é uma narrativa curta, clássico da literatura espanhola e mundial, que inaugurou o tipo de romance chamado de picaresco. De autoria desconhecida, tendo suas edições mais antigas datadas de 1554, a história de Lázaro é uma narrativa de leitura rápida e bem humorada.

O romance é estruturado em tratados — precedidos de um prólogo, — onde o próprio Lazarillo conta suas desventuras. Nascido no rio Tormes, motivo que, segundo ele, explica o seu sobrenome, ainda bem jovem perde o pai, precisa deixar a mãe e, de início, cai nas mãos de um cego, assumindo o ofício de ser os seus olhos. Em pouco tempo, o trabalho que parecia ser nobre torna-se bastante penoso: Lázaro passa fome e sofre maus tratos diversos com esse seu primeiro amo. A partir daí o personagem desenvolve a capacidade de se virar, de tirar proveito das situações mais extremas. O que pode parecer malandragem — e é, obviamente — também pode ser interpretado como pura questão de sobrevivência, com pitadas de vingança, em alguns casos.

Larazillo de Tormes foi uma leitura que eu não teria feito (pelo menos não neste ano de 2018) se eu não tivesse cursado a disciplina de Matrizes de Cultura e Literaturas Hispânicas, nesse semestre do curso de Letras (2018-2 UFF/CEDERJ). A leitura surgiu como uma proposta diferenciada de avaliação presencial: a coordenação da disciplina divulgou a questão única da prova, que seria a leitura de Lazarillo de Tormes (ou de A Celestina) e pediu para que fizéssemos uma comparação com outro produto cultural de livre escolha. No dia marcado para a prova presencial nós teríamos de dissertar sobre a nossa leitura e pesquisa, mas sem consulta.

A proposta, que a primeira vista me assustou, foi muito positiva. A leitura de Larazillo de Tormes foi muito agradável — por isso estou recomendando o livro aqui — e ter de pesquisar sobre o tema e pensar sobre algo semelhante tornou o estudo menos maçante e a aprendizagem mais efetiva. Foi uma prova de exposição de conhecimento, não de decoreba.

Lazarillo de Tormes, como já dito, inaugurou o romance picaresco, que é definido como uma pseudo-autobiografia de um anti-herói, em que ele narra suas aventuras, que por sua vez, são a síntese crítica de um processo de ascensão social pela trapaça. O romance picaresco é uma sátira da sociedade do pícaro, o protagonista.

Vários personagens da literatura e do cinema se enquadram nas características do pícaro. Em minha breve pesquisa, percebi semelhanças em Leléu, personagem de Lisbela e o Prisioneiro, filme de Guel Arraes (2003). Assim como Lazarilho, Leléu percorre cidades fazendo o possível (leia-se usando de artimanhas) para garantir o seu sustento, com a diferença de que, no caso do brasileiro, suas malandragens também incluem conquistas amorosas. Lisbela e o Prisioneiro funciona muito bem como crítica de uma sociedade baseada em classes, além de outros temas que a adaptação trata de forma perfeita: metalinguagem, resposta ao ideal cavalheiresco — que também é uma característica do romance picaresco — dentre outros.

 

Leléu, do filme “Lisbela e o Prisioneiro” (2003), interpretado por Selton Mello.

 

Comparações e pesquisas à parte, sugiro que você inclua em sua lista a leitura de Lazarillo de Tormes. O livro é um tesouro facilmente encontrado em livrarias e pela internet. Dificilmente você vai fechar o livro sem ter dado uma risada ou sem se surpreender com situações e pessoas que são facilmente identificáveis ainda nos dias atuais.

 

“Quantos devem existir no mundo que fogem dos outros porque não se veem a si mesmos!”

 

“Mas, segundo me parece, esta é uma regra já usada e observada entre eles. Embora não tenham um vintém, fazem questão do barrete no seu lugar. Que o Senhor os ajude, já que com esta doença morrerão.”

 

“Apesar de rapaz ainda, achei tudo uma graça e disse para mim mesmo: ‘quantas destas devem fazer estes enganadores às pessoas inocentes!’”

 

 

 

Título: Lazarillo de Tormes

Autor: Anônimo

Baixe gratuitamente a edição biligue da Embaixada Espanhola, fonte de leitura e informações dessa resenha, clicando aqui.

 

outubro 19, 2018

[ETC.] 1ª FEIRA DE LITERATURA DE MURIAÉ – FELIMUR

 

A Prefeitura Municipal de Muriaé e a Fundarte convidam para a Mostra de Diversidade, Juventude e Literatura – 1ª Feira de Literatura (FELIMUR), que teve início no dia 16 de outubro de 2018 e vai até o dia 27 deste mês. A programação está incrível e contará com as participações especiais dos escritores Zuenir Ventura, autor de 1968: o ano que não terminou” e Mauro Ventura, autor de O espetáculo mais triste da Terra“.

No dia 23/10 haverá um concurso de declamações poéticas (Concurso de Poesia Falada, tema livre), valendo prêmios em dinheiro (*para estudantes): 1º Lugar: R$ 500,00 / 2º Lugar: R$ 300,00 / 3º Lugar: R$ 200,00. O evento acontecerá no palco do Teatro Belmira Villas Boas e a  inscrição pode ser feita no link: https://goo.gl/forms/1PY4QHMfqmZTBfnu1

Participe! Convide um amigo (a)! Veja a programação completa no banner abaixo:

 

 

outubro 16, 2018

[LANÇAMENTO] LADY ANNA, DE ANTHONY TROLLOPE, E MAIS NOVIDADES DA PEDRAZUL EDITORA!

Sinopse: “Londres 1830. O malvado e rico lorde Lovel casa-se com Josephine Murray e a rejeita assim como sua filha, lady Anna, alegando que já era casado quando se casou com ela. Sem dinheiro, a dama é acolhida por Thomas Twaite, que além de oferecer sua casa, a ajuda financeiramente a processar o conde por bigamia. Anos depois, o conde Lovel retorna para a Inglaterra após uma longa estada no exterior, mas morre deixando um confuso testamento. Seu herdeiro natural, Frederick Lovel, um sobrinho distante, herda a propriedade e o título, mas precisa do dinheiro da prima para viver como nobre. A filha ilegítima do conde, junto com a mãe, travam uma batalha judicial para conquistarem seus direitos ao título e à fortuna do velho conde. Para colocar um ponto final na disputa e contentar as duas partes, os advogados do jovem conde o aconselham a casar-se com a prima. O problema é que o coração da jovem já tem dono: Daniel Thwaite, o filho do alfaiate, que também exerce a mesma função do pai e é rejeitado pela condessa Lovel, que prefere como genro o nobre primo. Será que lady Anna irá se render aos encantos e ao luxo do jovem conde ou se manterá fiel ao seu amor da infância?
Uma história intensa, na qual os jogos de interesses ditam as regras.”

 

A Pedrazul Editora está lançando, agora no formato impresso, os livros Lady Anna, de Anthony Trollope (capa acima), Os Oito Primos, de Louisa May Alcott, e Prima Phillis, de Elizabet Gaskell, esses dois últimos já resenhados aqui no blog.

 

Sinopse: “A história da órfã Rose que, ainda muito jovem vai morar com suas ricas tias solteironas e com seus sete primos. As adversidades as quais ela passa, o relacionamento com seu tutor, o tio Alec, e o aprendizado que a faz ver o mundo com outros olhos.”

 

Sinopse: “Como assistente de engenheiro em Heathbridge, interior da Inglaterra, Paul Manning, ainda muito jovem, ama o que faz e se dedica cem por cento à função de supervisionar a construção de uma ferrovia. Parte desse amor pelo trabalho se deve à admiração que ele sente por seu belo chefe, Mr. Holdsworth, um pouco mais velho do que ele, mas ainda jovem. Longe da casa dos pais, Paul passa a maior parte do tempo tentando ser como Mr. Holdsworth, pois, como ele próprio diz, é competente, sofisticado, educado e viajado. Enfim, só tem elogios à pessoa de seu chefe e amigo. Mas, assim que sua mãe fica sabendo que ele está sediado em Heathbridge, o incentiva a procurar a família de certo clérigo Holman, da Fazenda Hope, seus parentes distantes. Paul, que a última coisa que deseja é travar relações com mais um pároco, hesita, porém, obediente aos pais, faz uma visita a tais parentes. Logo, ele faz amizade com a bela prima Phillis, filha única do clérigo, inteligente demais para uma mulher do século XIX, o que o incomoda demais, afinal, por que uma moça tinha que saber italiano, grego, essas línguas que ele mal conseguia diferenciar uma da outra?! Mas o que ele menos espera é que Mr. Holdsworth, com profundo conhecimento de idiomas, tenha a mesma filosofia que ele. E ainda mais, que seu chefe se interesse romanticamente por Phillis.”

 

Os três títulos estão em pré-venda, com previsão de envio para o comecinho de dezembro. Aproveite!

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