junho 08, 2017

[LANÇAMENTO] A AMA INGLESA, SÉRIE O QUARTETO DO NORTE, LIVRO 2, DE CHIRLEI WANDEKOKEN

Sinopse: “Desde pequena, a menina Leonora se perguntava por que sua mãe sabia ler e escrever em dois idiomas e o pai sequer sabia ler em um deles. Instruída pela mãe francesa, a filha de um simples cuidador de cavalos muito cedo se vê sozinha no mundo, à mercê de uma tia autoritária e de um padrasto violador. Um encontro na infância provoca uma reviravolta em sua vida e ela vai trabalhar como ama da duquesa viúva de Pudhoe, uma dama autoritária, mas que a respeitava. Entretanto, quando lady Muriel Browne chega de Londres para passar uma temporada em Pudhoe Castle, no Norte da Inglaterra, tudo à sua volta muda. Leonora começa a ser destratada pela duquesa e até pelos outros servos, até então seu amigos.

Numa noite gelada em Newcastle, sem ter para onde ir, ela acaba se abrigando no celeiro, aconchegada à vaca da duquesa, para não morrer de frio. Ali ela é acordada brutalmente pelo capataz da propriedade e amparada por aquele cuja imagem permeara seus pensamentos durante cinco longos anos, o poderoso duque de Pudhoe, conhecido em toda a Europa por Lorde Perverso. Mas Leonora não o via assim. Pelo contrário. Achara-o caridoso. Afinal, se não fosse por ele, certamente não teria sobrevivido àquela noite.”

 

Já estão disponíveis na Amazon todos os e-books da série O Quarteto do Norte, de Chirlei Wandekoken. O primeiro volume, A Estrangeiraé o único que pode ser comprado também na forma impressa, no site da Pedrazul Editora.

 

Leia um trechinho de A Ama Inglesa, segundo livro da série O Quarteto do Norte, a seguir:

Prólogo

Newcastle, Inglaterra, 1828.

 

Leonora não sabia dizer o que era pior: ter um padrasto desprezível que a queria violentar ou uma mãe fraca que fingia não ver. Desde que fugira de casa há três dias, ela tentava, sem sucesso, perdoar a mãe – na verdade a tia que a criara e ela chamava de mãe –, mas não conseguia: onde já se viu ficar do lado do homem que tentara violentar a própria filha?

Deitada sobre o feno de uma fazenda, numa noite fria, ela tenta esquecer os últimos dias ou seriam os últimos 10 anos? Desde que seu pai morrera a vida não tinha sido gentil com ela. Agora com pouco mais de 18 anos tinha acabado, literalmente, na sarjeta, dormindo nos lugares mais inusitados, como esta noite na companhia de uma vaca. Sorte dela que não era um animal qualquer, mas a vaca que a duquesa de Prudhue tinha ganhado do marquês de Valnoré e a quem ela dava mais valor que a própria criadagem. Caso contrário, ela iria congelar, pois era uma noite fria até para os padrões de Newcastle.

Pensando no que fazer quando o dia clareasse, encostada à vaca que emitia um calor reconfortante, Leonora não percebera que voltara a cochilar. Acordou com vozes e com alguma coisa gelada cutucando suas ancas. Olhou assustada e deu de cara com dois pares de botas, um do capataz de Prudhoe Castle e o outro do dono dos olhos mais desconcertantes em que ela já tinha posto seus jovens olhos. O capataz gritou:

—Mais que desgraça é essa? Uma mulher dormindo com a vaca da duquesa! O que faz aqui? Ah, é você, sua bruxa? Levanta já daí — gritou o homem com as faces tão vermelhas quanto o pudim que a mãe verdadeira, quando viva, fazia de framboesa. Sob forte admoestação que o cavalheiro fazia — pois Leonora sabia que se tratava de um —, sobre o tratamento dado a ela pelo empregado, ela sem emitir sequer um pedido de desculpas, levantou-se, recolheu sua trouxa e saiu tão depressa quanto seus membros rígidos de frio permitiram. Não ousou olhar para o cavalheiro, embora achasse que já o tivesse visto e, talvez, exatamente por essa razão.

Levou um choque quando percebeu que, além do frio do outono no Norte, ainda chovia. Assustada, envergonhada como nunca estivera antes, e desconcertada por ter sido pega dormindo na propriedade alheia e ainda por cima com uma vaca, ela fingiu não ouvir quando o cavalheiro a chamou. Continuou andando — quase correndo — em direção ao portão, o mesmo que ela havia pulado na noite anterior para se abrigar no celeiro.

— Faça alguma coisa, Jordan. A moça vai morrer congelada — bradou o cavalheiro para o capataz.

— Moça, moça! Raios, olha o que você fez com essa sua grosseria, Jordan! Onde já se viu tratar uma moça com esses modos! Volte aqui, miss! Você vai ficar doente.

Leonora havia feito a curva em direção à saída da propriedade. Não sabia para onde iria, mas preferia morrer a abrir mão do resquício de dignidade que possuía. Onde já se viu ser acordada com chutes! Ele que vivesse o resto de seus dias com a culpa de sua morte na consciência, ela morreria de qualquer forma mesmo, pois, como sobreviveria àquele maldito inverno? Sem abrigo certamente congelaria.

— Raios! Maldição! Não me faça ir aí te buscar — ela o ouviu dizer quando jogava sua trouxa sobre a porteira e subia para pulá-la. Mas quando a pessoa nasce com falta de sorte, e aquele era o seu caso, nada dava certo, portanto, ela escorregou e caiu do outro lado exatamente numa poça de lama. Lá se foi meu resquício de dignidade.

Quando, na tentativa de sair daquela posição humilhante, ela apoiou um braço para se levantar, percebeu que não conseguia agarrar sua trouxa. Foi aí que Leonora concluiu que algo de muito grave tinha acontecido com seu ombro: tinha caído sobre ele e seu ombro direito agora também estava caído. A dor era excruciante e, numa segunda tentativa, embora tivesse conseguido ficar de pé, ela não conseguiu pegar seus pertences. Não que fosse uma trouxa grande, pois ela só tinha dois vestidos, mas seu ombro estava, de fato, fora do lugar. Abandonou a trouxa onde estava e deu alguns passos trôpegos esperando cair e morrer a qualquer momento de hipotermia, pois já não sentia suas extremidades, aliás, sentia apenas uma dor que entorpecia sua mente. Caiu. Ele chegou ao seu lado. Ela não escutou o tropel das patas do seu cavalo, mas sentiu quando ele a tomou nos braços. Estava todo molhado, mas seu corpo era forte e quente.

— Diacho de mulher! Quer se matar e me levar junto? — disse ele enquanto gritava ordens para o capataz.

— Corra na frente e abra o raio da porta, faça alguma coisa, homem! Mande esquentar água, chame a governanta, peça algo quente para ela beber.

Minutos depois, Leonora estava em um quarto quente, cuja lareira crepitava, viu-se ficando nua e sendo enrolada em alguma coisa bem quente. Seus dentes batiam tanto que ela não conseguia balbuciar nenhum protesto, tampouco, nenhum agradecimento. Uma banheira fumegante era preparada por duas criadas que ela conhecia, algo era levado aos seus lábios, e uma voz de homem ordenava que ela tomasse algo quente e doce. Foi só muito depois que ela se deu conta de que fora ele quem a despira, que a alimentara, que a colocara numa banheira quente, e que ela esteve nua na frente do cavalheiro mais formidável do mundo.

Entretanto ele não sorria, muito pelo contrário, parecia estar com muita raiva. Olhava para ela, mas não com aqueles olhos malévolos que seu padrasto a olhava, o cavalheiro a olhava, mas ela não sabia explicar o que via naqueles olhos.            Quando ela já estava deitada, seca, limpa, aconchegada em meio a muitas mantas macias e quentes, uma criada chegou e deu-lhe algo para beber. Ele pegou a xícara, levou aos lábios, foi só então que Leonora se deu conta de que ele também devia estar com muito frio, pois toda a roupa dele estava molhada e cheia de uma lama negra.

— Sua Graça — disse a governanta, Leonora sabia que se tratava da governanta, pois também a conhecia muito bem — tire essa roupa molhada, senão ficará doente.

Foi aí que ela soube que tinha sido socorrida pelo próprio duque, o poderoso duque de Pudhoe, conhecido por lorde Perverso, a quem ela havia conhecido há muitos anos, tempo demais para ele mudar tanto a ponto de ela não mais o reconhecer, nem ele a ela. Embora sua antiga imagem estivesse sempre em sua memória. Nos anos em que ficara sem vê-lo, contudo, soube de sua fama. O nome do lorde corria por todos os lados, a notícia de que ele tinha abandonado uma dama no altar, ou quase no altar, um casamento arranjado pelo falecido duque, que o lorde não aceitou desposar, correra a quatro ventos. De forma que todos o acusaram de perverso, pois havia desobedecido ao pai e humilhado a filha de um conde, deixando-a nas vésperas do casamento, e fugido para o Continente.

Todavia Leonora não o achara perverso, muito pelo contrário, ele tinha sido caridoso para com ela, afinal, se não fosse por ele, ela estaria morta de frio.

 

 

SOBRE A AUTORA: Chirlei Wandekoken é jornalista e coordena a área editorial da Pedrazul Editora, da qual foi idealizadora, juntamente com seus sócios. É apaixonada pelos livros desde criança e, atualmente, a sua preferência literária, além dos clássicos ingleses, são os romances de época e os históricos. Além de A Estrangeira, o primeiro livro da série independente O Quarteto do Norte, é dela também os demais livros da série: A Ama Inglesa, Um Cocheiro em Paris e Fronteira da Paz. A autora possui mais dois romances publicados, ambos contemporâneos, cujos enredos se passam no Brasil: Por Trás da Escuridão e O Vento de Piedade.

 

Links para comprar a série O Quarteto do Norte:

A Estrangeira (Livro Impresso);

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Fronteira da Paz (E-book).



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