Maio 23, 2018

[RESENHA] ESCREVI ISSO PRA VOCÊ, DE IAIN S. THOMAS

Sinopse: “Escrevi isso pra você é uma coletânea de poemas contemporâneos sobre os diversos momentos do amor: a paixão e o encantamento dos primeiros tempos, o lento afastamento, a solidão a dois, a dor do fim e a esperança de novos começos.

Reunindo cerca de 200 textos divididos em quatro partes – Sol, Lua, Estrelas, Chuva –, o poeta sul-africano Iain S. Thomas combina palavras profundas e intensas com fotografias frias e impessoais. O resultado é um livro que provoca uma explosão de sentimentos perturbadores e conflitantes, mas totalmente familiares a qualquer pessoa que já tenha amado e sofrido pelo menos uma vez.

Conhecido nas redes sociais pelo pseudônimo pleasefindthis , o autor começou sua trajetória na internet, publicando poemas e fotos em seu blog pessoal. Com o tempo, seu trabalho ganhou repercussão, se transformou em livro e encantou milhares de leitores ao redor do mundo.

Com extrema delicadeza, Escrevi isso pra você expõe a natureza frágil das relações humanas e as nuances líricas e obscuras do amor.”

 

O primeiro livro de poemas que eu resenhei aqui no blog foi a antologia poética da Florbela Espanca. Ainda hoje, mesmo tendo publicado outras resenhas de livros desse gênero, tenho certo desconforto em nomear os textos de resenha. Não sei se o que faço, em relação, sobretudo, aos livros de poesia, é resenha, mas insisto em dar destaque e também em continuar falando sobre essas publicações que têm o poder de nos deixar sem palavras. Mais que isso: livros que têm o poder de dizer todas as palavras, certas ou erradas, que precisamos para continuar seguindo em frente, ou para nos sentirmos iguais.

A editora Sextante lançou recentemente no Brasil o livro Escrevi isso pra você, do escritor Iain S. Thomas, um poeta de muita sensibilidade que começou divulgando seu trabalho nas redes sociais sob o pseudônimo pleasefindthis. Recebi o exemplar como cortesia da editora e simplesmente devorei o livro em poucas horas. Combinando fotografias e poemas, o autor traz temas como amor, relacionamentos, amizade, autoconfiança, vida, morte e esperança.

 

Foi uma grata surpresa, pois eu não conhecia o escritor, inédito em português até pouco tempo. A poesia dele é acessível, usa palavras simples, porém certeiras e não se prende a estilística. O lindo da poesia contemporânea é que ela pode florescer sem imitar moldes, ela simplesmente acontece da alma do poeta.

Iain S. Thomas fala sobre o humano. E de uma forma verdadeiramente única. Seus poemas são como um espelho, um sopro de empatia em nossos ouvidos. Escrevi isso pra você é um livro para unir pessoas independente de suas diferenças, pois consegue atingir o ponto em que somos realmente todos iguais: a nossa condição de indivíduos que, fatalmente, vão amar e sofrer no mínimo uma vez durante a vida.

 

“Não sei se você sentiu

a mesma coisa ou não.

 

Mas eu senti que

éramos duas pessoas

se beijando depois de

horas pensando nisso.

 

Senti que éramos

duas pessoas

conversando depois

de noites em silêncio.

 

Senti que éramos

duas pessoas se

tocando depois de

semanas anestesiadas

 

Senti que éramos

duas pessoas se

olhando depois de

meses virando o rosto.

 

Senti que éramos

duas pessoas amando

depois de anos de solidão.

 

E senti que éramos

duas pessoas se

encontrando depois

de uma vida de desencontros.

 

(A esquina de nós dois)

 

 

SOBRE O AUTOR: Iain S. Thomas é escritor, artista de novas mídias e autor de diversos livros. Seu maior sucesso, Escrevi isso pra você, foi originalmente publicado em plataformas on-line. Na vanguarda da poesia popular contemporânea, o projeto que unia poemas e fotografias se tornou um fenômeno mundial e rompeu as barreiras do universo virtual.

Quando não está escrevendo, desenhando ou trabalhando, Iain passa seu tempo com a família ao ar livre na Cidade do Cabo, na África do Sul.

 

 

Leia um trecho de Escrevi isso pra você clicando aqui.

 

 

Título: Escrevi isso pra você

Autor: Iain S. Thomas

Tradução: Ana Guadalupe

Editora: Sextante

Páginas: 208

 

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Maio 15, 2018

[RESENHA] LIÇÕES DE VIDA DAS GRANDES HEROÍNAS DA LITERATURA, DE ERIN BLAKEMORE

Sinopse: “Histórias de mulheres que inspiram o nosso dia a dia.

Um convite a participar de um verdadeiro encontro com mulheres que inspiram o nosso dia a dia: Jo March, Scarlett O’Hara, Lizzy Bennet entre outras.

O universo literário está repleto de heroínas inteligentes e destemidas que ganharam vida nas mãos de celebradas autoras. Assim como as mulheres de hoje, elas valorizavam sua personalidade, espiritualidade, carreira, amizade e família. Escritoras como Jane Austen e Louisa May Alcott deram força às suas opiniões diante de momentos difíceis, às vezes com palavras, outras vezes com atos de coragem.

Este livro encantador nos mostra a força e o poder encontrados nos clássicos. Um tributo único às suas escritoras e um presente extraordinário para mulheres de todas as idades.”

 

Eu sempre tive a literatura como um refúgio. Há alguns anos, era bem difícil encontrar alguém que compartilhasse — e amasse — as mesmas leituras que eu. Eram algumas amigas,  a bibliotecária da escola… e só. Felizmente, as redes sociais têm aproximado pessoas com os mesmos interesses e gostos e é bem legal viver uma época como esta. Basta não se ligar muito em polêmicas e discussões sem sentido que você consegue tirar muita coisa boa do facebook, por exemplo.

Mesmo assim, tem momentos que eu gosto de me encontrar com as amigas de outro tempo. Amigas de 200 anos ou mais. Amigas do meu próprio tempo ou do futuro.  Amigas da ficção. Elas são tão únicas e ao mesmo tempo tão iguais a mim ou a você que está lendo que é até assustador constatar esse fato. É mais ou menos sobre isso que trata o livro Lições de vida das grandes heroínas da literatura. Pode parecer um título bem simples de autoajuda, mas na verdade o livro é uma espécie de declaração de amor — e gratidão — à algumas de nossas grandes amigas literárias.

Dividido em doze ensaios temáticos, o livro de Erin Blakemore fala também sobre as heroínas de carne e osso que deram vida a personagens como Elizabeth Bennet, Jane Eyre, Scarlett O’Hara, Anne Shirley, Jo March, dentre outras. Cada capítulo mostra fatos da biografia das autoras e de suas personagens, apontando diferenças, mas, principalmente, semelhanças.

 

 

O livro é muito bem escrito e a edição da Casa da Palavra é uma gracinha. O único ponto negativo é que, a meu ver, faltou algo a mais nos ensaios. Um pouco mais de paixão nos textos, algo que nos prendesse mais ao livro. É importante salientar que, para quem não leu os romances citados neste livro, são feitas revelações significativas sobre os enredos deles. No entanto, particularmente, não acredito que podemos falar de spoiler a respeito de livros antigos e consagrados. Certos livros valem a pena mesmo que você saiba o enredo de cor e salteado, o que é o caso dos livros citados por Blakemore. Na verdade, o que ela diz em lições de vida das grandes heroínas da literatura só faz ter mais vontade de ler os romances, seja pelas personagens ou por suas autoras.

É um livro de autoajuda? Sim, em essência pode-se dizer que sim. Mas um livro que fala sobre livros, sobre lições de identidade, fé, felicidade, dignidade, laços de família, indulgência, luta, compaixão, simplicidade, determinação, ambição e mágica retiradas de grandes clássicos da literatura mundial e de suas autoras, verdadeiras heroínas em seus tempos! É uma leitura mais que recomendada e também um ótimo presente para leitoras e leitores amantes dos clássicos.

 

 

Título: Lições de vida das grandes heroínas da literatura

Autora: Erin Blakemore

Tradução: Alice Klesck

Editora: Casa da Palavra

Páginas: 249

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Maio 07, 2018

[RESENHA] MARY POPPINS, DE P. L. TRAVERS

Sinopse: “Carregando uma maleta e um guarda-chuva, Mary Poppins entra em cena voando. Literalmente. Gravada no imaginário das crianças de várias gerações, essa chegada fabulosa da peculiar babá da família Banks abre as portas para muitas outras surpresas e aventuras, como a história da Vaca Dançante, o aniversário no zoológico, um chá da tarde nos ares, delicados remendos no céu noturno… Mary Poppins é durona e misteriosa – e absolutamente irresistível. Publicado em 1934, o livro foi um sucesso imediato e desde então fascina leitores de todas as idades – sobretudo após a adaptação de Walt Disney para o cinema. Essa edição inclui todas as ilustrações originais de Mary Shepard e conta com tradução, apresentação e notas do escritor Joca Reiners Terron, além de cronologia de vida e obra de P.L. Travers. Como extra, traz ainda uma palestra da autora sobre (não) escrever para crianças.”

 

Curiosamente (ou não) resolvi finalmente ler Mary Poppins, de P. L. Travers, justamente no dia em que coloquei meu exemplar raro da editora Cosac Naify nos Correios, pois o vendi na minha loja de usados na Amazon. Por sorte, ou por algum vento do leste, o e-book da edição comentada da editora Zahar estava em promoção no mesmo dia na Amazon.

 

 

Como muitas pessoas, eu conhecia apenas a versão Disney da história e sou apaixonada por ela. Vendo um ou outro comentário pela internet, soube que o livro era bastante diferente do modelo açucarado vendido por Walt Disney e, confesso, isso foi atrasando a minha leitura. Tive medo de perder o encanto que tinha pela babá, de não conseguir mais ter uma visão bonita e pueril da história, embora geralmente aconteça de os livros serem melhores que os filmes. Eu não poderia estar mais enganada em relação ao texto de P. L. Travers.

Mary Poppins, o livro, é realmente bastante diferente de Mary Poppins, o filme da Disney. E é só isso: diferente. Nem melhor, nem pior. Os dois são igualmente bons.

Ao contrário do filme, o livro não é uma história totalmente linear. Temos Mary Poppins chegando à residência dos Banks para cuidar das crianças (quatro no total, incluindo dois bebês) e aquele jeitão de babá meio rígida, mas cuidadosa e disponível e quando necessário. No entanto, os doze capítulos de Mary Poppins funcionam muito bem quando lidos separadamente, como doze contos fechados, tendo apenas a mesma ambientação. Você vai passar por momentos em que desejará ler todos os contos de uma só vez, mas também vai querer ler aos poucos, com medo do momento em que Mary Poppins precisará partir (e isso nem é spoiler: é de conhecimento geral que a babá não fica eternamente na casa das crianças, pois elas não serão crianças para sempre).

 

Ilustração original de Mary Shepard.

 

De todos os capítulos/contos, os que eu mais reli até agora foram Dias de folga (queria ter um pouquinho do poder de negociação dessa babá!), Gás do riso (quem assistiu ao filme sabe um pouco do que eu estou falando) e A história de John e Barbara. Tudo em Mary Poppins funciona muito bem e desperta algo adormecido lá no fundinho da nossa alma. No meu caso, essas três histórias são responsáveis por eu, ocasionalmente, abrir o livro no meu Kindle.

A edição da Zahar é um primor e não deve em nada a da Cosac Naify em questão de conteúdo. A edição é comentada, com apresentação primorosa do tradutor Joca Reiners Terron e ilustrada originalmente por Mary Shepard. Integra o volume, ainda, um texto de P. L. Travers sobre não escrever para crianças. Dentre outras coisas, ela fala sobre rótulos. Os sentimentos não são categorizados como “indicados para as idades de 5 a 7 anos” ou “de 9 a 12 anos”. Ela não escrevia para crianças, mas as crianças tinham e têm o poder de se apropriarem de qualquer livro que lhe tocarem o coração. Mary Poppins não é mesmo para crianças. É para todas as idades.

 

“Tudo era tão surpreendente que eles não conseguiam encontrar nada para dizer. Mas ambos sabiam que algo maravilhoso acontecera no Número Dezessete da Cherry Tree Lane.”

 

Título: Mary Poppins

Autora: P. L. Travers

Tradução: Joca Reiners Terron (tradução, apresentação e notas) e Rodrigo Lacerda (tradução do anexo)

Editora: Zahar

Páginas: 192

Compre na Amazon: Mary Poppins

 

Assista: Trailer original para o cinema (legendado) de Mary Poppins

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