novembro 13, 2018

[DIÁRIO DE LEITURA] DOIS DEDOS DE PROSA: JÚLIA LOPES DE ALMEIDA EM 1908 FALA DE QUESTÕES AINDA ATUAIS, COMO SEGURANÇA PÚBLICA E FRAGILIDADE DA JUSTIÇA

A autora Júlia Lopes de Almeida. Fon-Fon!, n. 40, p. 37.

 

Sábado acordei ouvindo o barulho da chuva e logo uma doce alegria se espalhou pelo meu espírito à ideia de que os gramados do meu jardim e as árvores do meu pomar, tão abrasadas pela míngua d’água em que têm crescido, tinham enfim para ressuscitar-lhes as fileiras semimortas um rega salvadora. A verdade, para mim solenemente triste, é que morando eu a cinco minutos da Carioca[1], seja a minha casa fornecida de água só das 5:30 ou 6 horas até as 9 e pouco da manhã, e isso mesmo pó um encanamento de tão pequeno diâmetro, que a água não tem pressão que a faça subir até o alto das chácaras dos meus vizinhos nem da minha, onde vicejariam espinafres e alfaces e assim não floresce nem um mísero pé de couve.

Este assunto não interessa ao leitor, mas interessa-me a mim e não é demais que, ao menos uma vez na vida, eu propugne aqui pelos meus interesses de munícipe apaixonada por violetas e morangos. Hortaliça também. Quem não gosta de couve-flor? Imaginemos que todos os quintais do Rio transbordavam de lindas flores, saborosas frutas e delicadas verduras e veríamos talvez mudada a nossa feição melancólica em aparência satisfeita e risonha. Valha-nos do dr. Sampaio Correia[2], que se quiser mandar verificar à estrada da carril de Santa Teresa a razão desta queixa, que faço constrangida, acha-la-á justa. Perdi da memória o número de vezes que fui ao escritório das obras públicas pedir ao seu antecessor remédio para um mal que sofremos sem culpa, visto que satisfazemos todas as contribuições do estilo.

É como a polícia. Se souberem por aí que fui assassinada com toda a minha família a horas mortas da noite por ladrões iludidos na sua boa-fé, ninguém estranhe o caso, porque as patrulhas, coitadas, têm medo de rondar o sítio isolado e trevoso em que nós e os nossos vizinhos (reparem que não sou egoísta e nunca aludo a mim só) nos lembramos de assentar acampamento. Compreendo que não deva ser agradável caminhar um sujeito para trás e para diante num caminho que escorrega de um lado em ribanceiras de que podem emergir vultos inesperadamente, e do outro as raras casas sejam intervaladas por mato híspido igualmente favorável às esperas para o assalto. É um estado de alma compreensível.

De resto, a brava ronda, certa da valentia geral, deixa aos moradores da estrada o cuidado de defenderem a sua vida e a sua propriedade a revólver. Por mim, tenho feito constar por toda a redondeza que sou capaz de matar um tico-tico que voe a mais de quinhentos metros acima de minha cabeça. Parece-me que acreditam.

Neste sentido recebi da mais impressionável das minhas amigas um conselho original e que cedo a quem o quiser: o de mandar fazer algumas figuras de cera, com olhos iluminados por lamparinas internas, e postá-las todas as noites na varanda e no terraço, de armas engatilhadas para o jardim. Um fio elétrico… Mas a explicação desse maquinismo levar-nos-ia muito longe, e nem ele é necessário em um país em que quase toda a gente anda armada, infelizmente. Infelizmente, sim, porque quantos e quantos crimes são cometidos sem premeditação, só pelo recurso que em um momento de desvario impulsivo um indivíduo encontra na faca pontuda que traz oculta na cava do colete, ou no revólver carregado que lhe pesa no bolso traseiro das calças! Além de ser esse um hábito covarde de que todo o brasileiro deve ser libertar, é um hábito perigoso, e que de um momento para o outro o pode transformar na mais desgraçada das criaturas. Todos os assassinatos executados com armas usadas pelos assassinos devem ser considerados, sejam quais forem as suas atenuantes, com a agravante da premeditação. Ninguém carrega um objeto mortífero consigo sem um interesse ou uma ideia qualquer, a não ser que esses objetos sejam (como os longos alfinetes dos chapéus das senhoras) objetos de uso particular.  E aí estão umas armas que ninguém conta… pelo menos os que ainda não viram a Theodora[3], de Sardou. Felizmente, estes constituem a maioria.

Não costumo ler jornais estrangeiros, a não ser revistas de arte, nem posso, portanto, imaginar se o número dos nossos crimes se iguala ou excede o de outros países em que o uso das armas não seja tão comum, ou em que a benevolência dos júris não seja tamanha como aqui, onde os criminosos de certa posição, contando com a impunidade certa, levam a efeito os atos de maior atrocidade ou de mais feia culpa. Todavia, exatamente os criminosos de melhor posição social, deveria a justiça punir com mais desassombro, porque eles não têm a desculpá-los nem a ignorância que brutaliza os homens, nem a fome, que alucina todo o animal, irracional ou não. Condenar um ladrão de botas rotas ao cárcere e deixar passear o outro de botas de verniz reluzente pelos salões; segregar do convívio da sociedade um assassino analfabeto e desamparado, para consentir que outros assassinos bem-vestidos circulem pelas ruas, se misturem à gente honesta, cortejando moças inocentes ou intervindo em negócios públicos, é fato que bradaria pela justiça, se além de cega ela não se tivesse também feito surda.

Este drama de São Paulo, vibrado entre as paredes do próprio Tribunal com inconcebível audácia, que dolorosas surpresas nos trará, a nós todos, que nos interessamos pela perfeição moral dos nossos costumes e da nossa raça?

A propósito de raça: ninguém imagina a inveja que o lindo artigo de Alfredo de Mesquita[4], publicado sexta-feira nesta folha, provocou em meu espírito, não pela minha, mas pela sorte de minhas filhas, comparada à das meninas americanas. A alegria, a atividade, o desembaraço dessas lindas criaturas teriam também as nossas, se os homens brasileiros consentissem nisso. Eu não admiro a mulher americana, admiro o homem americano que não se opôs a que ela se individualizasse e tomasse os ares de independência que seriam tidos ainda entre nós como escandalosos, e são, entretanto, mais inocentes do que os das sociedades hipócritas. Aqui o homem ainda é um inimigo da mulher. Lá é um irmão. É só essa a diferença. Mas a ocasião agora não é para estudos comparativos das sociedades, mas para estudos comparativos do nosso progresso material e artístico. Ainda no último sábado, em um dos salões do rés do chão do almirantado, passei uma hora interessantíssima, vendo ao lado de primorosas reproduções de vários dos nossos navios de guerra, que fazem parte do museu naval, pequenos modelos de embarcações brasileiras de todo o gênero, desde as canoas dos índios, agudas como lançadeiras, destinadas a cortarem as águas dos rios e a se despenharem pelas cachoeiras fragosas; desde as jangadas e as balsas do norte, que se unem à terra durante o dia e deslizam à noite para o meio das águas, fugindo ao ataque das onças bravas; desde o que há, enfim, de mais primitivo no país, até o que se faz modernamente de mais aperfeiçoado. O interesse por essa exposição[5] pitoresca e curiosa cresce com a ideia de que ela é o berço de uma escola marítima como talvez não haja outra igual em todo o mundo. Não cabe neste fim de crônica ligeira falar de intuitos tão patrióticos e tão complexos, os quais, estou certa, encontrarão no governo o apoio que tudo facilita. O que é preciso é que, ao desejo de realizar obra tão importante, junte o seu iniciador, dr. João Marques, a tenacidade, que é a maior força conquistadora…

25 de agosto de 1908

[1] Situado no centro antigo da cidade, o largo da Carioca está próximo à Santa Teresa, bairro em que a autora residia.

[2] José Matoso de Sampaio Correia (1875-1946), engenheiro, empresário e político fluminense, era na época inspetor-geral de Obras Públicas do governo de Afonso Pena.

[3] Victorien Sardou (1831-1884), dramaturgo francês, reconhecido por suas comédias, entre as quais Theodora, encenada pela atriz francesa Sarah Bernhardt.

[4] Jornalista, escritor e diplomata português, Alfredo de Mesquita (1871-1903) trabalhou no Jornal do Commercio, no Diário de Notícias e na revista O Ocidente. Escreveu biografias, ensaios literários, contos, teatro, literatura de viagens e um romance.

[5] Referência provavelmente à Exposição Nacional de 1908, inaugurada no dia 11 de agosto em comemoração aos 100 anos da abertura dos portos: ocupou dezenas de prédios públicos e pavilhões, muitos dos quais construídos especialmente para o evento.

 

 

Crônica retirada do livro Dois dedos de prosa: o cotidiano carioca por Júlia Lopes de Almeida (foto acima). Cadernos da Biblioteca Nacional, Vol. 16, organizado por Angela di Stasio, Anna Faedrich e Marcus Venicio Ribeiro.

novembro 12, 2018

[DIÁRIO DE LEITURA] POESIA: COMBUSTÍVEL PARA TODOS OS DIAS

 

Em 2018 eu aumentei consideravelmente o (meu já existente) hábito de leitura de poesia.  Como nem sempre consigo falar o necessário sobre esse gênero sublime, que é o meu combustível para todos os dias, compartilho abaixo uma lista com algumas das melhores leituras de poesia que eu fiz nos últimos meses. Espero que gostem!

 

Tudo nela brailha e queima, de Ryane Leão

Sinopse: Estreia em livro de Ryane Leão, criadora da página onde jazz meu coração, com mais de 150 mil seguidores nas redes
Livro de estreia de Ryane Leão, mulher negra, poeta e professora, criadora do projeto onde jazz meu coração, com mais de 150 mil seguidores nas redes. “a poesia é minha chance de ser eu mesma diante de um mundo que tanto me silencia. é minha vez de ser crua. minha arma de combate. nossa voz ecoada. nossa dor transformada. nela eu falo sobre amor, desapego, rotina, as cidades que nos atravessam, os socos no estômago que a vida dá, o coração desenfreado, a pulsação que guia as estradas, os recomeços, os dias, as noites, as madrugadas, os fins, os jeitos que a gente dá, as transições, os discos, os tropeços, as partidas, as contrapartidas, os pés firmes que insistem em voar, e tudo isso que é maluco e lindo e nos faz ser quem somos.”

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Da poesia, de Hilda Hilst

Sinopse: Pela primeira vez, a produção poética de Hilda Hilst, dispersa em mais de vinte livros, é reunida em um único volume.

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Cantos à beira mar, de Maria Firmina dos Reis

Livro de poemas disponível em Úrsula e outras obras, de Maria Firmina dos Reis, publicado e disponível gratuitamente ao público pela Edições Câmara. Publicado originalmente em 1871, é dedicado à memória da mãe de Maria Firmina dos Reis e conta com cinquenta e seis poesias.

Ver também: Memorial de Maria Firmina dos Reis.

 

 

 

 

 

 

 

Escrevi isso pra você, de Iain S. Thomas

Sinopse: Você sempre me diz que foi bom enquanto durou. Que as chamas mais intensas são as que queimam mais rápido. Ou seja, você via em nós uma vela. E eu via em nós o sol. Escrevi isso pra você é uma coletânea de poemas contemporâneos sobre os diversos momentos do amor: a paixão e o encantamento dos primeiros tempos, o lento afastamento, a solidão a dois, a dor do fim e a esperança de novos começos. Reunindo cerca de 200 textos divididos em quatro partes – Sol, Lua, Estrelas, Chuva –, o poeta sul-africano Iain S. Thomas combina palavras profundas e intensas com fotografias frias e impessoais. O resultado é um livro que provoca uma explosão de sentimentos perturbadores e conflitantes, mas totalmente familiares a qualquer pessoa que já tenha amado e sofrido pelo menos uma vez. Conhecido nas redes sociais pelo pseudônimo pleasefindthis, o autor começou sua trajetória na internet, publicando poemas e fotos em seu blog pessoal. Com o tempo, seu trabalho ganhou repercussão, se transformou em livro e encantou milhares de leitores ao redor do mundo. Com extrema delicadeza, Escrevi isso pra você expõe a natureza frágil das relações humanas e as nuances líricas e obscuras do amor.

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Daqui estou vendo o amor, de Carlos Drummond de Andrade

Sinopse: A poesia amorosa de Carlos Drummond de Andrade está entre os mais altos momentos da lírica do século XX. São poucos os poetas que conseguiram falar tanto e com tanta variedade sobre as relações amorosas, os afetos, as paixões. Ao longo de sua vasta carreira, o poeta mineiro reinventou a poesia amorosa nas mais diversas modalidades e com as mais variadas dicções: do poema modernista ao soneto, da elegia à meditação. Em toda essa produção, contudo, há uma identidade permanente: a profunda compreensão do autor para as relações amorosas. Este conjunto de poemas cujo mote é a manifestação amorosa atesta a força e a atualidade do autor. Em diversos poemas publicado ao longo de sua fecunda carreira, Drummond escreveu alguns dos mais penetrantes poemas amorosos da língua portuguesa. Examinou o nascimento do sentimento amoroso, as aproximações afetivas, a sensualidade e o fim dos relacionamentos. Sempre com inteligência aguda, ironia e a suave melancolia que lhe eram características. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mais importantes poetas brasileiros e um dos grandes nomes da poesia do século XX em qualquer idioma. Sua obra, publicada a partir de 1930 e apenas interrompida por sua morte quase sessenta anos depois, é um depoimento lírico, lúcido e poderoso sobre o amor, a política, os costumes, a família, a memória e o Brasil.

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Sonetos de amor, de Luís de Camões

Sinopse: Os amantes da melhor literatura têm um motivo a mais para celebrar: esta belíssima edição, com uma seleção dos melhores sonetos camonianos sobre o amor. Líricos, eletrizantes e insuperáveis, textos do autor de Os Lusíadas auscultam, a partir da forma poética difundida por Francesco Petrarca (o italiano reputado como o inventor do soneto), o coração de leitores apaixonados. “Luís de Camões amou muito, sofreu muito, teve gozo no seu sofrimento e escreveu dezenas de sonetos (e canções, elegias, odes etc.) numa repetida tentativa de entender o que era essa coisa simultaneamente terrível e sublime”, escreve Richard Zenith na esclarecedora introdução ao volume.

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Poemas escolhidos, de Mia Couto

Sinopse: O escritor moçambicano Mia Couto tem grande incursão na prosa, com livros de contos, crônicas e romances premiados, mas a poesia sempre fez parte de seu universo criativo e segue como uma de suas formas de expressão favoritas. Para esta antologia poética, o autor selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas. Nas palavras de José Castello, autor da apresentação, “Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos. […] Abordam o ser e a incompreensível dor de existir. Inspecionam as dificuldades de viver. Trata-se de uma poesia que, sem se pretender didática, entra em sincronia com as perguntas que nos fazemos desde o nascimento”.

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O vento da noite, de Emily Brontë

Sinopse: Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivantes, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, O vento da noite, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira. É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza. A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

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Escritos em verbal de ave, de Manoel de Barros

Sinopse: As palavras inocentes e o lirismo doce de Manoel de Barros retornam às livrarias. E trazem de volta Bernardo, personagem importante de diversos poemas de Manoel, como “O guardador de águas”, “Livro de pré-coisas” e o mais recente, “Menino do mato”. “Em Escritos em verbal de ave”, o poeta retrata a morte de Bernardo com a sutileza intrínseca à sua poesia. Manoel de Barros não só homenageia Bernardo em seu novo livro, como presenteia os leitores com mais uma obra delicada, uma mistura de sonhos, invenções e palavras que só o poeta consegue combinar.

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Poesia que transforma, de Bráulio Bessa

Sinopse: Bráulio Bessa conquistou o Brasil com seus cordéis no programa Encontro com Fátima Bernardes. O livro inclui o poema Recomece e ilustrações do artista baiano Elano Passos. “O Bráulio mexe com nossas memórias, nossos sentimentos, faz aflorar o melhor da gente. É poesia que sai do coração. Que alegria tê-lo toda semana no meu programa!” – Fátima Bernardes “Cada palavra que sai da boca do Bráulio Bessa toca minha alma de uma forma raríssima.” – Milton Nascimento “Bráulio Bessa é um hipnotizador de palavras. Tem o coração rimado. Quando fala, o verbo venta verso.” – Fabrício Carpinejar “Gosto de comparar a poesia a um abraço, que consegue fazer um carinho na alma sem nem saber qual é a dor que você está sentindo. A poesia se adapta à sua dor. É um abraço cego e despretensioso, como quem diz: ‘Venha! Tá doendo? Pois deixe eu dar um arrocho, que vai lhe fazer bem.’” – Bráulio Bessa Este livro é uma homenagem à poesia e a tudo o que ela é capaz de proporcionar. Com mais de 30 de seus emocionantes poemas, alguns deles inéditos, Bráulio Bessa nos conta um pouco das histórias do menino de Alto Santo, no interior do Ceará, que se tornou poeta e ativista cultural. Desde o primeiro encontro com a obra de Patativa do Assaré, aos 14 anos, até a fama na televisão, ele mostra como a poesia transformou sua vida. Com ilustrações do artista baiano Elano Passos, o livro traz ainda depoimentos de fãs de todos os cantos do Brasil, revelando como as palavras de Bráulio são capazes de inspirar pequenas e grandes mudanças.

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agosto 14, 2018

[RESENHA] UMA DAMA FORA DOS PADRÕES (OS ROKESBYS #1), DE JULIA QUINN

Sinopse: “Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados…

Esta não é uma dessas vezes.

Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito… algum dia.

Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria…

Ou não.

Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente.

Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso…

Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.”

 

Estou disposta a ler tudo o que for publicado em português de Julia Quinn, e livro certamente não vai faltar: a autora, que já vendeu mais de 850 mil livros pela Arqueiro e terá sua série mais aclamada — Os Bridgertons — adaptada para a Netflix, continua conquistando leitores mundo afora com seus delicados romances de época.  Seu lançamento mais recente no Brasil, Uma dama fora dos padrões, não foge à regra: quando o leitor percebe, já se rendeu completamente ao romance e aos personagens.

Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1), é uma trama que se passa antes dos Bridgertons. A protagonista, Billie — Sybilla Bridgerton — é a irmã mais velha do futuro Visconde Briderton, patriarca da amada e mais famosa família criada por Julia Quinn. Ela é tida como fora dos padrões porque, aos 23 anos, seu interesse principal é cuidar da propriedade de sua família, o que faz muito bem por sinal, até que o irmão tenha idade suficiente para assumir suas responsabilidades como herdeiro do título e de tudo o que vem com ele. Billie é uma típica moça do campo, livre, sem muito traquejo para assuntos e tarefas femininas da sociedade a qual pertence. Usa calcas e lê sobre agricultura, por exemplo. Tem uma vaga certeza de que se casará com um dos irmãos Rokesby, Andrew ou Edward. Definitivamente sabe que não se casará com George, o herdeiro do condado. A partir daí o leitor deduz facilmente que o casal, aqui, é Billie e George, pois é assim que funciona nos romances de Julia Quinn. Não é spoiler, é informação que vem na contracapa e eu já me rendi por esse jeito descomplicado de contar histórias, marca registrada da autora.

 

“Mesmo naquela época, ela já sabia que não era como as outras garotas. Não queria tocar piano ou costurar. Queria estar ao ar livre, voar na garupa de seu cavalo, a luz do sol dançando pela sua pele enquanto seu coração pulava e corria com o vento.

Ela queria levantar voo.

Ainda queria.

Se beijasse George… Se ele a beijasse… A sensação seria a mesma?” (cap. 16)

 

George Rokesby, o mocinho, não era exatamente como os irmãos: herdeiro do título, foi criado desde cedo para tal, com todas as responsabilidades e restrições que exigem o cargo. Isso, além da diferença de cinco anos entre ele e Billie, não permitiu que George ficasse cavalgando pela propriedade, subindo em árvores etc, coisas que seus irmãos mais novos faziam em companhia da garota. Os Bridgertons e os Rokesbys além de vizinhos eram muito próximos, como se fossem da mesma família.

A aproximação entre o casal é lenta. Apesar de se conhecerem há anos, Billie e George nunca foram exatamente amigos. Então muitas coisas acontecem até que a amizade fique mais próxima e depois eles percebam que estão apaixonados um pelo outro. Até quase a metade do livro tive a impressão de que não ia acontecer nada além de alguns diálogos bem humorados e algumas fagulhas entre os dois, mas em seguida tudo foi ficando mais romântico e eu só consegui parar de ler quando cheguei ao fim.

 

“Billie sorriu, e George ficou sem ar. Ninguém sorria como Billie. Nunca sorriria. Ele sabia disso há anos e ainda assim… só agora…” (cap. 14)

 

Uma dama fora dos padrões é uma delícia de livro. Com uma trama descomplicada, mas ao mesmo tempo viciante, Julia Quinn mais uma vez nos presenteia com o tipo de história que só faz bem ao coração.

 

 

 

Título: Uma dama fora dos padrões (Os Rokesbys #1)

Autora: Julia Quinn

Tradução: Viviane Diniz

Editora: Arqueiro

Páginas: 272

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