julho 17, 2017

[CONTO] BICHECTOMIA

Sinopse: “Quando viu o nome bichectomia escrito no panfleto de uma clínica do bairro, Carolina logo decidiu que queria uma.”

 

Acredito não ser de conhecimento de todos os queridos leitores que têm me acompanhado, o fato de que eu não vivo (financeiramente) de escrita. Trabalho como auxiliar administrativa no Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais – Delegacia Regional de Muriaé e, embora eu nunca tenha pensado em ser Cirurgiã-Dentista, a Odontologia e o vocabulário técnico desta profissão permeiam os meus dias desde que tomei posse aqui no trabalho. Minhas atividades incluem, além do serviço de rotinas administrativas, as atividades de registro profissional. Outro funcionário fica a cargo da fiscalização do exercício profissional aqui na região. Certo dia ele me mostrou um panfleto de divulgação de uma clínica, que passaria a oferecer os serviços de bichectomia. Fiquei surpresa, pois não conhecia o procedimento, na verdade nunca tinha ouvido falar em bichectomia antes daquele dia. Pesquisei no Google e fiquei sabendo que a bichectomia é bem popular entre as celebridades e consiste em afinar o rosto retirando parte das bochechas (grosso modo pois não sou uma profissional gabaritada para falar com profundidade sobre o procedimento). Sendo uma mulher de bochechas proeminentes, achei o tal procedimento muito estranho e também fiquei horas pensando em uma pessoa que, ao ver aquele diferente nome escrito em um panfleto de uma clínica do bairro, resolve fazer uma bichectomia sem ter conhecimento sobre o assunto. Daí saiu uma pequena história protagonizada pela Carolina, minha personagem de coragem para coisas absurdas. Transcrevo o conto abaixo e espero que gostem! Bichectomia também está disponível para leitura no Wattpad e no Luvbook. 

 

Era para ser uma tarde como outra qualquer, mas Carolina decidiu fazer uma Bichectomia. Assim, do nada. Bem, não do nada, mas a partir do momento em que leu ‘bichectomia’ no panfleto de uma clínica do bairro. Decidiu que queria um negócio desses. Nome legal, ‘bi-chec-to-mi-a’.

– Moça, por favor! – disse, batendo no balcão. – Quero uma bichectomia.

A secretária olhou para Carolina parecendo não entender o pedido.

– A senhora quer uma bichectomia? A senhora está ciente do que se trata esse procedimento?

Carolina vacilou, mas logo se recompôs.

– Vi no panfleto. Quero uma bichectomia.

A secretária sorriu amarelo e foi ver com o doutor se a mulher poderia ter sua bichectomia sem demora.

O doutor chamou por Carolina e explicou-lhe rapidamente sobre o procedimento. Algumas agulhas, raspagens e ela ficaria, em poucas horas, tal qual uma personagem de Hollywood!

Carolina desejou ter lido com mais atenção o panfleto da clínica.

Adormeceu. Quando acordou, estava sozinha. Tinha dificuldade para falar. Seu rosto estava estranho, seco… duro. Carolina… não tinha mais bochechas! Olhou para um caco de espelho e viu-se refletida. Tinha um rosto bizarro! Mas que jeito de passar a tarde!

– Doutor, doutor! – ela chamou.

O doutor apareceu na porta do quarto com um engravatado e uma pilha de papeis.

– Dona Carolina, eu posso explicar. A senhora foi a minha primeira paciente de bichectomia… quis tentar algo novo… nós vamos reparar o dano, fique tranquila!

– Doutor, doutor! – interrompeu Carolina, estranhando sua própria voz, agora esganiçada. – Eu ia lhe perguntar se já posso sair.

Os doutores, pasmos, abriram passagem para a mulher sem bochechas, sem dizer palavra.

– Eu, hein! Pensaram que eu não sabia o que era bichectomia? Que boa essa técnica de aumentar os lábios afinando o rosto. Só queria não ter ficado com aparência tão gótica…

Carolina não daria o braço a torcer mesmo se achasse estar feia, o que não achava. No mais, gostava mesmo de chamar atenção. Recomendaria o procedimento a algumas de suas amigas. Certeza!

julho 07, 2017

[CONTO] ANNE: UMA HISTÓRIA INSPIRADA EM PERSUASÃO, DE JANE AUSTEN

Sinopse: Anne pertence a uma importante, porém empobrecida, família do interior de Minas Gerais. No passado, foi apaixonada por Fred, um inteligente e ambicioso rapaz de família humilde. Teria se casado com ele, mas foi persuadida por sua família e recuou do compromisso firmado anteriormente. Vários anos se passam até que um novo Fred volta ao lugar onde foi desprezado pela família Elias. Agora, ele é um homem bem sucedido, um veterinário respeitado e de boa situação financeira. “Anne” é uma releitura moderna de Persuasão, de Jane Austen: a história de um amor que precisará vencer as barreiras do orgulho e do ressentimento para ser vivido.

 

O post de hoje é um convite à leitura do meu conto, Anne, em desenvolvimento na plataforma Wattpad. Veja o primeiro capítulo abaixo:

O Sr. Walter Elias, da fazenda Élio, em Minas Gerais, era um homem que não se distraía com mais nada em momentos de ócio, do que com a leitura do livro de recortes de sua família. Ali tinha um porto seguro nos momentos difíceis e situações desagradáveis ocasionadas, em maior parte, por problemas domésticos. Os jornais antigos mostravam os coronéis, chefes de capitanias hereditárias, todos os grandes homens que tiveram a honra de carregar o sobrenome Elias.

Quando cansava-se de ler sobre seus antepassados, lia fatos de sua própria história, sempre muito bem narrados pelos jornalistas, em nível regional e até nacional. Eis um trecho da biografia do respeitável senhor publicada pelo jornal Estado de Minas Gerais:

Walter Elias, nascido em 1º de março de 1951, casou-se em 15 de julho de 19- com Elisabeth, filha de Frederick Stevenson, distinto cavalheiro imigrante da Inglaterra. Ficara viúvo com três filhas ainda bem jovens: Elisabeth, nascida em 1º de abril de 1981; Anne, nascida em 20 de setembro de 1985; e Mariah, nascida em 19 de novembro de 1987.

Orgulhosamente, usando uma caneta de escrita fina e com traços delicados, escreveu, logo após a data de nascimento de Mariah “casada em 16 de dezembro de 2009 com Carlos Musgrove Filho, herdeiro de Carlos Musgrove, distinto empresário de São Paulo”.

Ninguém podia dizer que o Sr. Walter, conhecido por muitos como Dr. Walter, embora nunca tenha concluído um curso universitário, não era um homem atraente. Aos 66 anos era um viúvo respeitado, que ainda atraía olhares, inclusive de mulheres mais novas, como bem gostava de observar. É bem verdade que a estima que adquiriu em sua comunidade deve-se, além do sobrenome Elias, da lembrança que muitos ainda guardavam de sua falecida esposa, que era uma flor de candura e sabia ignorar os defeitos do marido.

Sr. Walter contou com a valiosa ajuda de D. Glória, uma grande amiga de sua finada mulher, para o término da criação das filhas. Ela também é viúva e de boa família, mas, contrariando todos os mexericos e expectativas da comunidade, os dois não se casaram. Não havia necessidade, tampouco desejo da parte de Sr. Walter. Era um bom pai e viveria o resto de sua vida em função das filhas, sobretudo da mais velha, fisicamente semelhante à mãe, mas de temperamento e caráter iguais ao seu. Mariah havia se casado na primeira boa oportunidade que teve e Anne… bem, Anne sempre esteve a cargo de D. Glória, sua madrinha de batismo. Embora fosse a imagem e semelhança do pai, ele não tinha paciência para os arroubos de Anne e seu diferente jeito de ser.

No momento, irritava-se facilmente com os pitacos que a filha dava em relação à situação financeira da família.

– A fazenda não produz como antes! Na verdade, não produzimos nada de relevante, não nos automatizamos e gastamos muito dinheiro com frivolidades! – dizia Anne.

– Elisabeth é uma ótima senhora para a Fazenda Élio. Se os negócios vão mal, a culpa é da economia brasileira, que está em frangalhos! – defendia o Sr. Walter.

– Querido pai, não podemos culpar a economia pelos gastos frequentes e as festas que vocês dão. Daqui a pouco não teremos como pagar os salários dos empregados! A melhor saída, como eu já disse mais de uma vez, é arrendar a fazenda. Pelo menos parte dela. O Dr. Gonçalo tem algumas pessoas para nos indicar. Vamos ouvi-lo!

Dr. Walter se enfurecia toda vez que percebia que Anne tinha razão. A serenidade com a qual ela lidava com a situação o fazia odiá-la. Certamente não se importava em deixar a fazenda, virava-se bem no meio de gente pobre e se achava independente, pois tinha um emprego. Mas Elisabeth, pobre Elisabeth, o que seria dela e dele próprio não podendo mais serem os senhores da Fazenda Élio? Infelizmente não tinham saída. Teriam de arrendar a fazenda. Mas seria por pouco tempo, tinha certeza. Eram férias do campo! Enquanto isso viveriam em uma casa não muito longe dali, uma residência mais modesta, comparada à sede da fazenda. Muito bem localizada, a casa ficava de frente para o Paço Municipal, com suas belas árvores e mesinhas de jogar xadrez.

 

***

 

– Dr. Walter, tenho o arrendatário perfeito para o senhor! – Disse o animado advogado da família, Dr. Gonçalo. – É um militar aposentado e sua esposa. Não têm filhos e desejam a calmaria do interior. Não tendo achado uma propriedade para comprar, estão dispostos a arrendar a Fazenda Élio; a área da casa grande, os estábulos e uma parte do campo, onde fica o pomar. A parte agrícola, como o Sr. sabe, será arrendada para a indústria.

– E esse militar, acaso tem dinheiro? – perguntou Sr. Walter.

– Sim, e muito! Nem quis negociar. É de família abastada, afastou-se da Aeronáutica por problemas de visão, pelo o que eu pude entender. – disse o advogado.

Sr. Walter bufou.

– Então um velho cegueta vai ser o senhor da minha fazenda? – Sr. Walter debochou, sob o olhar de reprovação de Anne.

– De maneira alguma, Dr. Walter. Ele não é cego, nem velho. Bem, deve ter a idade do senhor, talvez um pouco menos. – Dr. Gonçalo riu e logo se envergonhou com o olhar de reprovação do Sr. Walter. – Ele saiu da Aeronáutica porque lá não admitem pilotos com problemas de visão que podem ser tornar mais graves com o tempo. E ele já tinha muitos anos de serviço, pelo que pude apurar. Ademais, o cunhado dele conhece bem a região. É um renomado veterinário, cuidará dos cavalos enquanto estiver aqui. Dr. Andrade é o sobrenome dele, mas não me recordo o nome.

Sr. Walter franziu o cenho ao perceber Anne pálida como um fantasma.

– Não conheço ninguém com esse sobrenome. – disse Sr. Walter.

– Frederick. O nome dele é Frederick. – respondeu Anne, de forma quase inaudível.

– Ah, então vocês o conhecem? Ótimo! Vou dar andamento à papelada e em breve procuro o Sr., Dr. Walter, para finalizarmos a transação, assinando o contrato.

Sr. Walter acompanhou o advogado até a saída e foi tratar com Elisabeth os detalhes da decoração da casa da cidade, pois vários objetos teriam de ser substituídos ou acrescentados agora que a família Elias estava de mudança. Anne ficara jogada em sua poltrona favorita, o pensamento apenas em uma pessoa.

– Em pouco tempo ele estará aqui novamente. Fred estará aqui.

 

Ouça a playlist de “Anne” no Spotify (clique na imagem)!

 

Avaliações e comentários são muito bem-vindos! Será uma história curta, com previsão de término no final deste mês de julho ou início de agosto. Quem gosta de romance sem muitas cenas quentes, só amorzinho mesmo, está convidado a suspirar comigo! Basta clicar aqui.

junho 20, 2017

[CONTO] O VELHO DIÁLOGO DE ADÃO E EVA

 

ATENÇÃO: Texto não recomendado para menores de 18 anos. Conteúdo sexual. 

 

“Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis para que não morras.”  (Gênesis 3:3)

Apaixonaram-se tão logo seus olhos se encontraram. E o primeiro beijo confirmou o fato. Qualquer um que visse o casal pensava que eram eternos apaixonados, conhecidos de muitos anos. Era um encontro de almas, Sofia pensava. Não podia ser nada menos que isso.

Encontravam-se nos finais de semana em que ele não estava de serviço. Era um acordo implícito, mas que Sofia respeitava com o rigor de um culto religioso. Bastavam os olhos deles se encontrarem para a magiar acontecer, um sorriso espontâneo surgir.

Na noite em que se conheceram, ele a levou para casa. A vontade de ficar junto àquele homem era maior que o pânico de entrar no carro de alguém que ela mal conhecia. Antes de chegar ao destino final, o carro rumou para um lugar deserto: o alto de um morro onde estava sendo construído um condomínio de gente bacana. Parou onde, futuramente, seria uma bela e segura portaria. Abaixo, as poucas luzes ainda acesas na cidade.

“Você pode pensar o contrário, mas eu não sei bem o que fazer. Não sou do tipo que pega carona com estranhos… Na verdade, mal vou a festas…”, sentia-se idiota por tentar se explicar, mas precisava fazê-lo. O dedo indicador dele interrompeu as explicações de Sofia.

“Você é linda. Estou apaixonado por você. Tenho a impressão que estamos nos reencontrando…”

Alguma coisa na cabeça de Sofia a alertava de que aquilo era exatamente o que ela gostaria de ouvir e que ele talvez soubesse disso. Mas aquele homem, o cheiro dele e aquele lugar… ela queria viver aquela paixão. Depois pensaria no depois.

Beijaram-se como se o mundo estivesse prestes a acabar, como se todas as respostas e todas as perguntas estivessem nos lábios um do outro. No banco de trás do carro, embalados por Sacrifice, de Elton John, ele tomava um dos seios de Sofia com a boca, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo da jovem. Era um homem que sabia bem o que estava fazendo, maravilhado com uma garota que parecia recém-saída de um casulo, prestes a voar com ele.

Sofia já estava nua no banco de trás do carro quando ele conseguiu afastar os lábios de seu sexo e finalmente tirar a calça. Ela, tomando o controle da situação, subira nele, surpreendendo-o. A surpresa foi dando lugar ao prazer e ao gozo. Sofia, embora não fosse mais virgem há algum tempo, teve ali seu primeiro orgasmo, com alguém que ela não conhecia muito bem, mas já amava secretamente.

“Linda! Linda! E gostosa…” disse ao pé do ouvido de Sofia, para então beijá-la novamente; o gosto dela ainda na boca dele. Abriu a porta do carro e saiu despido como estava, para ser banhado pela lua.

“Vem aqui, deixa eu te ver plena como você está!” Sofia saiu do carro envergonhada, mas logo estava recostada no capô, serena, com a lua banhando sua nudez.

“Eu queria congelar esse momento. Você, linda, minha… vestida apenas pela noite.” E ele ficou alguns segundos olhando aquele corpo nu, fresco, de mulher jovem, deliciosa. Em seu íntimo sabia estar brincando com fogo, mas já havia se queimado. Sentia-se mais viril com Sofia, o desejo dela o inflamava. Era a primeira vez que se sentia assim, mesmo já tendo passado dos quarenta anos.

“Acho melhor você me levar para casa agora.”, disse Sofia, começando a ter vergonha de sua nudez, na rua, praticamente deitada no capô do carro.

Ele não respondeu, deu um sorrisinho e logo a estava beijando novamente. Suas mãos tinham completo controle sobre ela e eles se amaram ali mesmo, com a benção da lua.

No caminho de volta, Sofia mal ouvira o que tocava no rádio. De olhos fechados por boa parte do trajeto, ela se perguntava se algo assim realmente teria acontecido com ela. Mas era só abrir os olhos para ver o homem sorridente ao seu lado provando que sim. O cheiro em seu corpo e os sinais de que fora amada, também.

“Me dê o seu número, Sofia.” Ela deu, e também um longo beijo de despedida. Mas a semana passara sem que ela tivesse notícias dele.

 

***

 

“Não esperava flores ou bombons, mas você podia ter me ligado!” disse em tom de brincadeira na semana seguinte, embora estivesse realmente magoada. Desculpas foram dadas e aceitas e Sofia desejou nunca mais ficar a sós com aquele homem. Entretanto, ele era presença frequente no barzinho que ela frequentava e Sofia continuava a ir lá todos os fins de semana para vê-lo. Quando ficava parada, olhando para ninguém, logo sentia a presença dele. Um passo para trás e ele logo a fisgava.

“Desculpe. Gosto de ficar perto de você, sentir o seu cheiro. Linda!”

Toda vez que ela pensava em largá-lo, o mel das palavras dele faziam-na desistir. Toda vez que ela pensava em ir embora sozinha, um simples toque a lembrava que ela gostava de se sentir mulher com ele.

Sofia sempre falava mais, contava mais de sua vida, nos breves momentos em que eles apenas conversavam. Sua paixão se esquivava, ela percebia. Teciam apenas o velho diálogo de Adão e Eva, lembrara ferida, ao reler Machado de Assis.

Queria mais que sexo, embora o sexo fosse maravilhoso. Quando o cérebro de Sofia sinalizava a verdade, ela fechava os olhos e fingia não entender.

“Me faz um favor? Não diz que me ama se não for verdade.”

“Eu amo você, Sofia. Sabe tatuagem? É impossível tirar. Você está tatuada aqui dentro…”

Não tinha certeza se ele a compreendera, mas não quis ter o esforço de insistir na conversa. A velha impressão de que ele falava o que ela queria ouvir era evidente. Resolveu ouvir. Depois pensaria no depois.

 

***

 

Sofia vislumbrava uma família linda como as que ela sempre via em suas corridas pelo parque municipal. É certo que fazia algumas semanas que ela não corria, pois tinha muito trabalho naquela época do ano. Não reparava bem as pessoas, mas tinha a meta de um dia ser como aqueles casais que ela via rodeado de crianças, felizes nos fins de tarde.

Resolveu caminhar ao invés de correr e o pensamento de que o seu amor podia, no futuro, estar ali com ela, rodeado de crianças, aquecera seu coração. Todas aquelas famílias acabavam forçando esse pensamento. Resolveu olhar bem para as pessoas, ver se conhecia alguém. Uma visão em especial chamara-lhe a atenção. Não sabia se já o havia visto no parque, mas a visão de um casal feliz, trocando carícias, e três crianças gargalhando em um balanço deixara Sofia sem ar. Os olhos se encontraram, mas não houve sorriso. Apenas a verdade que Sofia não quis perceber.

 

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