junho 20, 2017

[CONTO] O VELHO DIÁLOGO DE ADÃO E EVA

Fonte da imagem: gospelmais.com.br

 

ATENÇÃO: Texto não recomendado para menores de 18 anos. Conteúdo sexual. 

 

Apaixonaram-se tão logo seus olhos se encontraram. E o primeiro beijo confirmou o fato. Qualquer um que visse o casal pensava que eram eternos apaixonados, conhecidos de muitos anos. Era um encontro de almas, Sofia pensava. Não podia ser nada menos que isso.

Encontravam-se nos finais de semana em que ele não estava de serviço. Era um acordo implícito, mas que Sofia respeitava com o rigor de um culto religioso. Bastavam os olhos deles se encontrarem para a magiar acontecer, um sorriso espontâneo surgir.

Na noite em que se conheceram, ele a levou para casa. A vontade de ficar junto àquele homem era maior que o pânico de entrar no carro de alguém que ela mal conhecia. Antes de chegar ao destino final, o carro rumou para um lugar deserto: o alto de um morro onde estava sendo construído um condomínio de gente bacana. Parou onde, futuramente, seria uma bela e segura portaria. Abaixo, as poucas luzes ainda acesas na cidade.

“Você pode pensar o contrário, mas eu não sei bem o que fazer. Não sou do tipo que pega carona com estranhos… Na verdade, mal vou a festas…”, sentia-se idiota por tentar se explicar, mas precisava fazê-lo. O dedo indicador dele interrompeu as explicações de Sofia.

“Você é linda. Estou apaixonado por você. Tenho a impressão que estamos nos reencontrando…”

Alguma coisa na cabeça de Sofia a alertava de que aquilo era exatamente o que ela gostaria de ouvir e que ele talvez soubesse disso. Mas aquele homem, o cheiro dele e aquele lugar… ela queria viver aquela paixão. Depois pensaria no depois.

Beijaram-se como se o mundo estivesse prestes a acabar, como se todas as respostas e todas as perguntas estivessem nos lábios um do outro. No banco de trás do carro, embalados por Sacrifice, de Elton John, ele tomava um dos seios de Sofia com a boca, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo da jovem. Era um homem que sabia bem o que estava fazendo, maravilhado com uma garota que parecia recém-saída de um casulo, prestes a voar com ele.

Sofia já estava nua no banco de trás do carro quando ele conseguiu afastar os lábios de seu sexo e finalmente tirar a calça. Ela, tomando o controle da situação, subira nele, surpreendendo-o. A surpresa foi dando lugar ao prazer e ao gozo. Sofia, embora não fosse mais virgem há algum tempo, teve ali seu primeiro orgasmo, com alguém que ela não conhecia muito bem, mas já amava secretamente.

“Linda! Linda! E gostosa…” disse ao pé do ouvido de Sofia, para então beijá-la novamente; o gosto dela ainda na boca dele. Abriu a porta do carro e saiu despido como estava, para ser banhado pela lua.

“Vem aqui, deixa eu te ver plena como você está!” Sofia saiu do carro envergonhada, mas logo estava recostada no capô, serena, com a lua banhando sua nudez.

“Eu queria congelar esse momento. Você, linda, minha… vestida apenas pela noite.” E ele ficou alguns segundos olhando aquele corpo nu, fresco, de mulher jovem, deliciosa. Em seu íntimo sabia estar brincando com fogo, mas já havia se queimado. Sentia-se mais viril com Sofia, o desejo dela o inflamava. Era a primeira vez que se sentia assim, mesmo já tendo passado dos quarenta anos.

“Acho melhor você me levar para casa agora.”, disse Sofia, começando a ter vergonha de sua nudez, na rua, praticamente deitada no capô do carro.

Ele não respondeu, deu um sorrisinho e logo a estava beijando novamente. Suas mãos tinham completo controle sobre ela e eles se amaram ali mesmo, com a benção da lua.

No caminho de volta, Sofia mal ouvira o que tocava no rádio. De olhos fechados por boa parte do trajeto, ela se perguntava se algo assim realmente teria acontecido com ela. Mas era só abrir os olhos para ver o homem sorridente ao seu lado provando que sim. O cheiro em seu corpo e os sinais de que fora amada, também.

“Me dê o seu número, Sofia.” Ela deu, e também um longo beijo de despedida. Mas a semana passara sem que ela tivesse notícias dele.

 

***

 

“Não esperava flores ou bombons, mas você podia ter me ligado!” disse em tom de brincadeira na semana seguinte, embora estivesse realmente magoada. Desculpas foram dadas e aceitas e Sofia desejou nunca mais ficar a sós com aquele homem. Entretanto, ele era presença frequente no barzinho que ela frequentava e Sofia continuava a ir lá todos os fins de semana para vê-lo. Quando ficava parada, olhando para ninguém, logo sentia a presença dele. Um passo para trás e ele logo a fisgava.

“Desculpe. Gosto de ficar perto de você, sentir o seu cheiro. Linda!”

Toda vez que ela pensava em largá-lo, o mel das palavras dele faziam-na desistir. Toda vez que ela pensava em ir embora sozinha, um simples toque a lembrava que ela gostava de se sentir mulher com ele.

Sofia sempre falava mais, contava mais de sua vida, nos breves momentos em que eles apenas conversavam. Sua paixão se esquivava, ela percebia. Teciam apenas o velho diálogo de Adão e Eva, lembrara ferida, ao reler Machado de Assis.

Queria mais que sexo, embora o sexo fosse maravilhoso. Quando o cérebro de Sofia sinalizava a verdade, ela fechava os olhos e fingia não entender.

“Me faz um favor? Não diz que me ama se não for verdade.”

“Eu amo você, Sofia. Sabe tatuagem? É impossível tirar. Você está tatuada aqui dentro…”

Não tinha certeza se ele a compreendera, mas não quis ter o esforço de insistir na conversa. A velha impressão de que ele falava o que ela queria ouvir era evidente. Resolveu ouvir. Depois pensaria no depois.

 

***

 

Sofia vislumbrava uma família linda como as que ela sempre via em suas corridas pelo parque municipal. É certo que fazia algumas semanas que ela não corria, pois tinha muito trabalho naquela época do ano. Não reparava bem as pessoas, mas tinha a meta de um dia ser como aqueles casais que ela via rodeado de crianças, felizes nos fins de tarde.

Resolveu caminhar ao invés de correr e o pensamento de que o seu amor podia, no futuro, estar ali com ela, rodeado de crianças, aquecera seu coração. Todas aquelas famílias acabavam forçando esse pensamento. Resolveu olhar bem para as pessoas, ver se conhecia alguém. Uma visão em especial chamara-lhe a atenção. Não sabia se já o havia visto no parque, mas a visão de um casal feliz, trocando carícias, e três crianças gargalhando em um balanço deixara Sofia sem ar. Os olhos se encontraram, mas não houve sorriso. Apenas a verdade que Sofia não quis perceber.

janeiro 18, 2017

[CONTO] O MATADOR NOTURNO, PARTE 1

 

O sangue escorria ladeira abaixo, como se o ser humano inerte a beira da calçada fosse uma fonte inesgotável do líquido escuro. Uma mulher, por volta dos trinta anos, pele levemente bronzeada e corpo voluptuoso jazia enquanto a noite ainda estava longe de terminar. Na estreita rua em que ocorrera o assassinato, janelas fechadas e nenhuma movimentação. O único barulho que se ouvia era de uma goteira, vinda de uma das marquises, denunciando uma chuva que caíra horas atrás.

Evangeline era apenas mais uma das vítimas do matador noturno. Desconfiava-se de que era um homem, ainda que não houvesse provas cabais do fato. Simplesmente corpos de mulheres do mesmo padrão estético de Evangeline eram encontrados em vielas silenciosas, no alto da madrugada. Elas sempre eram encontradas pouco depois do crime, a tempo suficiente de seu sangue pintar a rua e dar um ar dramático ao acontecimento.

– Se eu pudesse dar um palpite, – Rony disse timidamente – diria que trata-se de algo mais que um crime serial. Em todos os corpos haviam sinais de que existe uma mensagem que está prestes a ser desvendada. O matador noturno quer nos dizer algo, tenho certeza. Se não descobrirmos, mais mulheres serão mortas.

– Perdoe-me meu caro Rony, – o detetive Almeida disse sorrindo – mas você não disse nada além do que qualquer pessoa habituada a assistir filmes de suspense policial diria. Caso queira realmente ajudar, terá de decifrar o suposto enigma do matador noturno.

Rony assentiu, mesmo contrariado. Trabalhava com o detetive Almeida há poucos meses e não havia conseguido dar nenhuma pista importante ou concluir algum caso sem que o detetive tivesse de ajudá-lo. Na verdade, Almeida fazia quase todo o trabalho do jovem investigador.  Não gostava de ter Rony como parceiro, um jovem inexperiente e trapalhão. Nunca teve vocação para professor, gostava de trabalhar com quem sabia ou fazer tudo sozinho. No caso das mulheres assassinadas pelo matador noturno, ele sabia que pegaria o homem, se é que tratava-se de um. Rony não tinha a menor condição de resolver esse caso.

A perícia não dera nenhuma informação que acrescentasse algo de substancial à investigação. A morte de Evangeline fora como a das outras mulheres: cortes em artérias que proporcionassem todo o sangue que compunha o cenário favorito do matador, falta de sinais de violência sexual, falta de evidências de roubo e um souvenir colocado delicadamente sobre o peito da vítima, seguro pela mão do cadáver. Em Evangeline, o matador deixou uma rosa vermelha. Já foram encontradas outras flores, um cartão romântico, um chaveiro de coração e uma pequena garrafa com um barquinho de papel dentro dela. O melhor palpite até então era de que o matador poderia ter um interesse romântico pelas vítimas ou por alguém que guardasse semelhança com elas. Sua motivação poderia ser acabar com a vida de qualquer mulher que o lembrasse de sua amada. Mas era apenas um palpite, dentre muitos que a investigação já teve.

– Por onde continuamos, detetive? – quis saber Rony.

– Continuar? Essas mortes quase não deixam rastros que nos levem ao matador. Na verdade, acho que a pergunta mais correta seria por onde vamos começar.

Evangeline, diferente das outras vítimas, era uma conhecida modelo fotográfica, garota propaganda de uma famosa loja de biquínis da cidade. Seu rosto e, sobretudo, seu corpo, estampavam os catálogos de moda praia da região e decoravam as paredes da grife oceano. Uma pequena mudança no perfil social das mulheres assassinadas, que anteriormente era composto apenas por estudantes, vendedoras, uma costureira e uma professora de primário. Evangeline era a décima vítima. Sua morte, obviamente, causou comoção nas redes sociais. O caso foi ficando conhecido em todo o país, o que dificultava ainda mais a investigação.

– Almeida, eu quero esse matador preso o mais rápido possível! – disse o delegado. – Até o governador já ligou para mim querendo saber sobre o andamento da investigação.

– O governador? – perguntou Almeida, empalidecendo. – Ele não pode pensar que pressionando-nos será mais rápido encontrar o matador. Esse é o caso mais difícil em que já trabalhei, e o Rony bonitão ali não é de grande ajuda.

Rony, que ouvia atentamente o diálogo, baixou a cabeça, levemente constrangido pela humilhação. Havia se acostumado com o tratamento pouco cortês de Almeida, mas envergonhava-se com frequência com os comentários que o detetive fazia publicamente sobre sua aparência ou falta de talento para a profissão. Almeida fazia questão de que todos soubessem da incompetência do jovem rapaz.

– Na verdade, – disse o delegado – o governador ligou para o prefeito e o prefeito passou lá em casa ontem à noite e comentou sobre a urgência que o governador quer na resolução deste caso, enquanto jogávamos pôquer.

– Delegado, se me permite, – arriscou Rony, sob o olhar impaciente de Almeida – creio que estamos mais perto do matador noturno do que imaginamos. É só uma questão de observar os detalhes dos crimes, sobretudo o de Evangeline.

– Obrigado, Rony. Fico feliz que esteja se esforçando neste caso. – disse o delegado, mas a simpatia em sua voz não chegara aos seus olhos. Era o tipo de pessoa que sabia ser simpaticamente falsa.

– É, Rony, belo esforço, parabéns! – ironizou Almeida.

Com as falsas congratulações, terminaram mais um expediente sem que soubessem por onde procurar pelo matador noturno.

 

 

 

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janeiro 06, 2016

[CONTO] O DIA EM QUE CONHECI MEU PAI PELA SEGUNDA VEZ

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Decidi conhecer meu pai. Já o vi há muitos anos, mas agora será diferente. Não sou mais um menino assustado, tampouco sua figura me deixará sem palavras. Sei o que ele foi e quem ele é. Agora é a minha vez de mostrar quem sou eu.

 

Perguntando aqui e ali, numas férias em que passei em casa, descobri onde ele se esconde. Ainda é policial, mas é sócio de um bar. Foi lá que escolhi aparecer. Não sei se aguentaria ficar com ele a sós.

 

Fui conhecê-lo pela primeira vez quando tinha oito anos. Ele mal havia me visto nascer e já nos abandonara. Minha mãe decidiu que eu já estava virando um rapazinho e devia conhecer o homem que contribuiu para que eu viesse ao mundo. Ele foi embora, mas nunca esteve muito longe. Morava a poucos quilômetros de nós, numa cidade vizinha, e estava lotado em um batalhão desta mesma cidade. A família dele nunca nos procurou. Minha mãe achou melhor ir até o batalhão, onde o encontro seria breve e teria testemunhas. Era medo. Eu sabia.

 

Ele era o tipo de homem que não esquentava a cama de mulher nenhuma, mas gostou da minha mãe. Ela, moça caseira, filha de pessoas honestas, jamais se envolveria com um homem como ele, mas se apaixonou. Casaram-se. Pouco tempo depois, esperavam por mim. Desde então, ele resolveu que não queria mais filhos, pois já tinha vários, em várias cidades… Também não queria ter uma família conosco. Na verdade, já tinha passado da hora de ele ir embora dali.

 

Eu nasci e tive a melhor família que uma pessoa poderia ter. Meus avós, minha mãe, minha tia… Todos estavam lá nos momentos em que precisei. Mas nunca tive o meu pai.

 

Certa vez perguntei a minha mãe por que eu não tinha pai. Ele havia morrido? Não sabia nada dele, só que o chamavam de nomes indizíveis e desprezavam-no. Mesmo assim, minha mãe disse que se eu quisesse, ela me levaria para conhecê-lo. Fomos.

 

O dia estava quente, e o batalhão era no fim de um longo caminho. Minha mãe segurava a minha mão com muita força. Eu também estava com medo. Ia conhecer o meu pai.

 

No batalhão, já éramos esperados. Fomos anunciados e um homem veio caminhando lentamente até nós. Era ele, eu tinha certeza. Aproximou-se, mas não falou nada. Olhou rapidamente para mim. Seus olhos logo encontraram os da minha mãe e lá repousaram.  Olharam-se por um, que pareceu uma eternidade. Havia anos que ela não o via. Desconfio que ela também não o conhecia, nunca deve tê-lo conhecido de fato. Mas há muito tempo perdera a vontade de conhecê-lo. Um simples e tímido cumprimento foi o breve diálogo entre eles. Mas aquele olhar, aquele, sim, disse muito mais do que qualquer palavra poderia dizer.

 

Não me lembro de nada que ele disse, e a minha mãe não esteve junto a nós para ouvir a conversa. Ela me esperou na porta do batalhão, enquanto eu era apresentado aos colegas de farda do meu pai, lá dentro. Achei aquele lugar incrível! Meu pai estava para ser promovido a Sargento e muitos já o respeitavam como tal. Muita gente quis me conhecer e falar comigo. Senti-me importante porque meu pai o era.

 

(…)

Depois daquele dia, nunca mais o vi. Pensei até que havia sonhado com esse encontro, mas a minha mãe garante que não foi sonho. Nós realmente estivemos lá.

 

(…)

Eu precisava vê-lo de novo. Não sei por que, mas precisava. Fui ao bar. Entrei, sentei, pedi uma cerveja. Já era adulto, mas estava nervoso. Ele estava no balcão, não me viu. Confirmei com o cara que me trouxe a cerveja. Era realmente o meu pai no balcão. Tive vontade de ir embora. Nesta altura da vida, o que eu esperava ter dele? Pensei muito, os segundos pareciam horas. Eu estava ali. Não podia ir embora antes de falar com ele.

 

Também sou policial agora. Não sei se aquela visita ao batalhão me influenciou (ou se foi uma inclinação natural e, neste caso, trágica de seguir a profissão do pai), mas entrei para a corporação na primeira oportunidade, há pouco tempo. Sou Soldado. Ele, pela idade, já deve ser Primeiro Tenente. Arranjei uma arma emprestada só para ir vê-lo.

 

Foi tudo muito rápido. Ainda hoje parece que das duas vezes eu sonhei ter conhecido o meu pai. Levantei-me da cadeira e fui caminhando lentamente até o balcão. Parei de frente para ele. Olhou-me e não me reconheceu. Confirmei uma vez mais se realmente era meu pai. Disse o meu nome. Então as coisas passaram a fazer sentido para ele. Em um movimento repentino, ele pulou o balcão e me abraçou. Não sei se eu consegui abraçá-lo de volta, mas ele ficou ali, abraçando-me.

 

Voltei para a mesa, agora com o meu pai. Conversamos sobre várias coisas. Falei para ele que eu também era policial, Cabo, quase Sargento; que tudo tinha dado certo para mim e que eu vivia muito bem. Ele me falou da família, dos muitos filhos e do arrependimento de não ter me procurado depois daquele dia no batalhão.

 

Perguntou-me pela minha mãe. Menti que ela havia se casado novamente, que era muito feliz e tinha mais três filhos. Ele não pareceu acreditar. Ele devia conhecer a mulher com quem se casara há muito tempo mais do que eu supunha.

 

Apresentou-me para todos como o seu filho, que também era policial. Simplesmente um orgulho! Aquilo irritou-me. Esforcei-me para não deixar transparecer. Ele em nada havia contribuído para que eu estivesse ali, homem feito, pessoa de bem. Por ele, eu nem teria nascido!

 

Prometi voltar sempre nas férias para visitá-lo, agora que nós tínhamos nos conhecido de verdade. Quinze anos depois, soube que ele morrera.

 

 

 

*** Este conto participou do Concurso de Contos DEZCONTOS (2015), do curso de Letras do Polo Cederj Itaperuna, ficando na oitava colocação. Ele narra uma história real; foi o meu pai quem decidiu conhecer o pai dele pela segunda vez. O que eu fiz foi unir as versões dele e da minha avó sobre o ocorrido, com uma pitada de imaginação. Contei com a revisão do meu marido, melhor amigo e companheiro da vida, Anderson Novais.

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