maio 22, 2017

[SORTEIO] ALINA, DE EMILIA LIMA: LIVRO E (MUITOS) MARCADORES

Estamos sorteando 1 (um) exemplar novíssimo do livro Alinada escritora Emilia Lima, publicado pela Pedrazul Editora em seu selo Revelações! Saiba mais sobre o livro e o sorteio abaixo:

Sinopse: “Série Família Cirilo, Volume 1, Edição ilustrada – Amor e paixão no Brasil colonial!
Ambientada na Bahia século XVI, com passagens em Lisboa, Alina conta a história da família Cirilo, que veio de Portugal com o intuito de ajudar na colonização do Brasil. Alina Cirilo amou o jovem advogado Pedro Garcia desde a primeira vez que o viu – um grande amor, porém, proibido. Apaixonada por Pedro, com quem havia se deitado, ela é enviada pelo pai para longe, mas já levava a semente dele dentro de si. Sem escolha, longe de casa, vivendo em meio aos índios, ela conhece Naru, um mestiço com modos de fidalgo. Sozinha, carente, ela deixa-se conquistar pelo jovem belo e doce mestiço, embora nunca tenha esquecido Pedro. Amor, laços familiares, renúncias, traições e reencontros surpreendentes.”

 

 

Veja as regras para participar do sorteio Alina (Livro + Marcadores):

  • O  sorteio será válido apenas em território nacional (Brasil);
  • Será sorteado 1 (um) exemplar do livro Alina, da escritora Emilia Lima, novíssimo, lacrado e muitos marcadores de páginas (foto acima)!
  • O Blog Tamires de Carvalho custeará o envio do prêmio, via Correios, ao sorteado (a) apenas no primeiro envio. Caso haja algum problema com a entrega e o envelope seja devolvido, o ganhador (a) bancará a segunda remessa;
  • Haverá apenas 1 (um) ganhador (a).  

 

Se você concorda com os termos acima, basta participar seguindo os passos do aplicativo Rafflecopter (abaixo). Para quem não conhece o aplicativo, ele funciona como um sistema de rifas. Cada passo garante alguns pontos para o sorteio, não sendo obrigatório fazer tudo o que está no formulário. Com apenas uma das etapas (ex.: curtir a página do blog no facebook) você já estará participando, entretanto, quanto mais participações tiver, maiores serão as suas chances de ganhar! Qualquer dúvida, sugestão ou informação, sinta-se à vontade para comentar abaixo. O resultado será divulgado aqui no blog e nas redes sociais no dia 12 de junho de 2017. Boa sorte!

 

a Rafflecopter giveaway

maio 16, 2017

[RESENHA] O RETORNO A CRANFORD, BBC 2009

 

Para ver a resenha de Cranford, primeira parte da adaptação do romance homônimo de Elizabeth Gaskell, clique aqui.

 

O Retorno a Cranford é uma série produzida pela BBC no ano de 2009, em continuação a Cranford. São dois episódios com roteiro adaptado de três romances de Elizabeth Gaskel: Cranford, O Chalé de Moorland e The Cage at Cranford. Também utilizou os enredos de Minha Lady LudlowMr Harrison’s Confessions e o artigo de não-ficção The Last Generation in England, para dar continuidade às histórias dos personagens da série anterior.

A ferrovia continua sendo uma grande preocupação para as conservadoras habitantes de Cranford. Porém, a esta altura o projeto começa a sair do papel. O desafio de abrir a cidade para o progresso é grande, mas a maior preocupação é em manter as tradições.

 

A apresentação do projeto da linha férrea.

 

Nessa continuação temos a bela história de amor de Peggy Bell e William Buxton, adaptada do romance O Chalé de Moorland, publicado no Brasil pela Pedrazul Editora. Quem já leu, mas não assistiu a série, pode estranhar a mudança dos nomes: no livro o casal é Maggie Browne e Frank Buxton. Frank torna-se William, pois outro personagem, Dr. Harrison, tinha Frank como prenome. Maggie Browne virou Peggy Bell na série porque seu sobrenome poderia ser confundido com o de outro personagem, Capitão Brown.

 

Peggy Bell e William Buxton.

 

A essência da história original permanece na série, mas foram necessárias algumas mudanças e cortes para que o casal pudesse se encaixar no contexto de Cranford. Peggy é uma doce jovem que é preterida pela mãe em favor de seu irmão Edward, um rapaz egoísta e de caráter duvidoso. William retorna a Cranford  após a morte de sua mãe.

O jovem se encanta com a beleza de Peggy e eles logo se apaixonam. Em uma viagem experimental da linha de trem para a sociedade de Cranford, ele a pede em casamento e ela aceita. Quando o Sr. Buxton, pai de William, descobre os planos do casal, se opõe veementemente ao matrimônio por causa da origem humilde da moça. Ele tinha em vista um vantajoso casamento entre William e Ermínia, sua sobrinha e herdeira de uma grande fortuna. Além disso, o Sr. Buxton almeja um futuro político para seu filho, embora este queira seguir carreira como engenheiro. William, decidido em manter o seu compromisso com Peggy, sai de casa e passa a trabalhar com Capitão Brown na construção da linha de trem. É uma grande mudança na vida do personagem, tendo em vista que o trabalho na linha férrea é bastante árduo.

 

“Sempre fomos iguais no coração.”

 

Um dos momentos mais românticos desta adaptação é um breve diálogo entre Peggy e William quando ela observa que as mãos do rapaz, que eram tão delicadas, ficaram grossas e com tantos calos quanto às mãos dela. Então, diz: Somos iguais, no fim das contas”. E ele responde: “Nós sempre fomos iguais no coração”.

 

(um clipe romântico dos personagens porque… sim!)

 

Enquanto William trabalha na construção da linha férrea, Edward se torna agente dos negócios de Mr. Buxton. Contudo, age de forma corrupta. Aqui nossa mocinha também tem de escolher entre o amor e a família e o faz com toda a coerência e retidão de pensamento que testemunhamos em O Chalé de Moorland.

O Retorno a Cranford foi uma série tão boa quanto sua antecessora. Com um roteiro muito bem feito, todas as histórias e todos os personagens são importantes e inesquecíveis. Esta é mais uma obra fantástica da querida BBC, com a participação de atores consagrados como Judi Dench, Francesca Annis, Michelle Dockery, Jim Carter, Tom Hiddleston, dentre outros. Vale muito a pena assistir e ter na coleção!

 

 

 

 

REFERÊNCIA

https://en.wikipedia.org/wiki/Return_to_Cranford

 

Resenha em colaboração com o blog Escritoras Inglesas.

 

 

Veja o trailer da adaptação abaixo (em inglês):

 

 

maio 13, 2017

[RESENHA] VIVA A LÍNGUA BRASILEIRA, DE SÉRGIO RODRIGUES

Sinopse: “Este livro é uma declaração de amor à língua portuguesa falada no Brasil. Em forma de verbetes rápidos e instrutivos, dá dicas e tira dúvidas que você sempre teve sobre o uso do idioma. Contra aqueles que defendem que só os irmãos de Portugal sabem tratar a gramática como ela merece, aqui está um antídoto. Contra aqueles que adoram corrigir o que nunca esteve errado e defendem bobagens, aqui está a resposta perfeita. Contra o analfabetismo funcional, o pedantismo do juridiquês, a barbaridade do corporativês, a importação servil de estrangeirismos e o chiclete viciante do clichê, este é um manual perfeito para usar nossa língua em toda sua riqueza e sem nenhum preconceito.”

 

Esta é mais uma recomendação urgente de leitura que uma resenha. Digo isso logo de cara e abaixo reproduzirei os meus trechos favoritos dos favoritos. Sim, pois foi extremamente difícil escolher o que esse livro tem de melhor, visto que todo ele é incrível.

Em Viva a Língua Brasileira, Sérgio Rodrigues, que eu descobri com muita alegria ser natural da cidade de Muriaé-MG, onde passo minhas laboriosas oito horas diárias de trabalho no Conselho Regional de Odontologia, fez algo incrível: expôs as dúvidas mais frequentes da nossa língua, sem a arrogância e o pedantismo que muitas publicações do gênero (infelizmente) reproduzem. Confesso que, em muitas páginas, eu fechava o livro e suspirava um agradecimento ao autor, pois além de expor tais dúvidas, o fez em uma publicação de leitura leve e rápida, apesar das 384 páginas. Tudo isso com ilustrações lindíssimas de Francisco Horta Maranhão.

O livro possui treze categorias temáticas, nas quais são discutidos temas como dúvidas de escrita, de fala, os modismos, origens de expressões antigas (nem sempre verdadeiras), dentre outras coisas. O grande acerto desta publicação é que ela agradará a gregos e troianos, pois o autor posicionou-se neutro no embate entre os patrulheiros, que acham que tudo é erro, e os excessivamente liberais, que consideram tudo como correto.

 

“Sem caretice e sem vale-tudo, este livro entende os argumentos dos dois lados, mas reserva-se o direito de não morrer abraçado com nenhum deles. Aposta que é possível cultivar a variedade culta da língua e ao mesmo tempo compreender que regras são historicamente determinadas, que nenhuma delas caiu do céu, e que no fim das contas o idioma é sempre atualizado por quem o fala. A mesma aposta inclui o reconhecimento da grande beleza que existe nisso.” (p. 15)

 

“Estória ou História?

As duas palavras existem, mas são diferentes. Segundo o dicionário Houaiss, estória é um brasileirismo que significa apenas ‘narrativa de cunho popular e tradicional’, enquanto história pode querer dizer também isso – entre muitas outras coisas.

(…)

Nessa eu fico com o Aurélio, que não reconhece a palavra, e com os portugueses, que não a usam: para mim – e para a maioria dos escritores que conheço – é tudo história. É que a fronteira entre história real (história) e história fictícia (estória) me parece fluida demais para tornar funcional a adoção de dois vocábulos.

(…)”  (p. 37 e 38)

 

“Homossexualismo ou Homossexualidade?

A questão é uma daquelas em que a língua vira um campo de batalha. O combate pode envolver diversos tipos de argumento – linguísticos, históricos, etimológicos, científicos –, mas eles não passam de armas. O que está em jogo mesmo é uma questão política.

O movimento gay transformou em bandeira a condenação de homossexualismo, que em sua origem designava uma patologia, e sua substituição por homossexualidade.

Linguisticamente, a questão não é tão simples. O termo homossexualismo foi cunhado no ambiente infestado de ideias pseudocientíficas de fins de século XIX e vinha impregnado de conotações médicas. (Incrivelmente, só em 1990 a Organização Mundial de Saúde o excluiu de sua lista de distúrbios mentais.)

Ocorre que a palavra não ficou presa a essa primeira acepção. Além de ‘condição patológica’, usamos o sufixo de origem grega –ismo para indicar, entre outras coisas, ‘prática’, ‘peculiaridade’ e ‘qualidade característica’ (Aurélio).

(…)

Para mim, homossexualidade

Eu fiz minha opção: embora tenha dúvidas sobre a estratégia de criminalizar em nome da etimologia um vocábulo que a maioria da população emprega de forma inocente, adotei o termo homossexualidade. Não me custa muito mexer no vocabulário. Bem menos, sem dúvida, do que custa aos homossexuais conviver com uma palavra considerada insultuosa.

(…) (p. 45 e 46)

 

“Latente não quer dizer evidente

O emprego do adjetivo latente com o sentido de ‘evidente, claro, indiscutível’ é um erro tornado mais embaraçoso pelo fato de que a palavra significa… o contrário disso”

Quando afirmamos que alguma coisa está latente, queremos dizer que ela ainda não se manifestou: permanece oculta, adormecida, em estado potencial. Pode vir à tona a qualquer momento, mas ainda não veio. Trata-se de um termo ligado ao verbo latino latere, ‘estar escondido’.

É provável que o erro se deva a uma confusão entre latente e patente – este, sim, um adjetivo que significa ‘claro, evidente, manifesto’. (p. 165 e 166)

 

Destaque para o capítulo 7, intitulado A Guerra dos Sexos, que expõe a questão da briga político-ideológica entre os gêneros na língua. Não tendo nós, falantes de português, herdado do latim o gênero neutro, surgiu, sobretudo na internet, quem fale “amigue, amigues, amig@s ou mesmo amigx”. Não sou adepta dessa prática e acho que quem a emprega sistematicamente não percebe o quanto essa escrita dificulta a leitura para deficientes visuais e disléxicos. O problema é que o hábito tem saído da internet e chegado ao ambiente acadêmico, como proposta de intervenção gramatical, nas palavras de Sérgio Rodrigues. Neste capítulo, ainda, vemos a questão do Obrigado, Obrigada; Personagem; Poeta ou Poetisa; e, talvez um dos mais polêmicos assuntos em questão de gênero: Presidente ou Presidenta?

Em Viva a Língua Brasileira, vemos, ainda, a origem do termo sebo, para designar loja de livros usados, e das expressões outros quinhentos e para inglês ver. E, antes que eu me esqueça, “Aluno” não quer dizer “sem luz”. Este é um livro que não se esgota em uma única leitura. Viva a Língua Brasileira é uma rica fonte de informação, um livro para ser consultado eventualmente. Um deleite para os amantes da nossa língua.

 

“Como se escreve: Antártida ou Antártica? Expresso ou Espresso? E qual a pronúncia correta: Rorãima ou Roráima? Subssídio ou Subzídio? Está certo escrever ‘em anexo’? Está errado falar em ‘risco de vida’? De onde veio a expressão ‘chorar pitanga’? E ‘acabar em pizza’? Este livro não apenas resolve essas dúvidas de forma instrutiva e bem-humorada, aqui você ainda encontra antídoto contra os sabichões sempre dispostos a corrigir o que não precisa ser corrigido, aprende a se vacinar contra modismos bobos, aceita que a influência estrangeira é inevitável, desde que não descambe para o ridículo, foge de armadilhas populares (forró não tem nada a ver com ‘for all’!) e ganha um mapa privilegiado para navegar com segurança e estilo em nosso idioma vivo, complexo e fascinante.” (contracapa)

 

 

SOBRE O AUTOR: Sérgio Rodrigues é escritor, crítico literário e jornalista. Mineiro que adotou o Rio de Janeiro, é autor, entre outros, do romance O drible, vencedor do prêmio Portugal Telecom (atual Oceanos) e publicado em seis países. Desde 2001 mantém na imprensa colunas sobre o universo linguístico, etimológico e gramatical com grande audiência, do extinto Jornal do Brasil ao site da revista Veja. Em 2011, ganhou o prêmio Cultura do governo do estado do Rio de Janeiro pelo conjunto de sua obra.

 

 

Título: Viva a Língua Brasileira
Autor: Sérgio Rodrigues
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 384

 

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